A importância da mulher na sociedade japonesa

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A importância da mulher na sociedade japonesa
A importância do papel da mulher na sociedade japonesa
Muitos tem a ideia de que a mulher japonesa é submissa e tem pouca voz diante da sociedade. Apesar deste estereótipo perante o mundo ocidental, o papel da mulher japonesa dos tempos modernos sofreu uma evolução, embora ainda seja nítido os vestígios deixados pelas influências do Confucionismo, Budismo e Feudalismo.

Seguindo sua herança confucionista, a sociedade japonesa tende a valorizar o grupo ao invés do indivíduo. A família nesse caso seria um grupo e a mulher foi designada para ser a líder do seio familiar, cuidando do bem estar do marido e dos filhos. Já no budismo, existe uma crença de que a mulher deve ser subserviente ao marido.

Já como herança dos tempos feudais, notamos que quando as mulheres se casam, elas abdicam de sua vida profissional para viver em função do marido, dos filhos e das tarefas domésticas, cuidando inclusive das finanças da família e sendo também responsáveis pelo Okozukai (subsídio ao marido). Já o marido, é responsável em trabalhar fora e arcar com os gastos que uma família demanda.

Isso explica porque em animes os pais quase sempre estão ausentes (por estarem trabalhando). Também faz parte da herança feudal o fato das mulheres receberem uma educação diferenciada da dos homens. Notamos isso em relação ao vocabulário onde muitos termos só podem ser usados pelo sexo masculino.

Outra diferença nítida é em relação aos salários. As mulheres normalmente ganham menos do que os homens, mesmo fazendo o mesmo tipo de serviço. Em comparação aos países ocidentais, podemos dizer que ainda são poucas mulheres no Japão que ocupam cargos políticos e executivos, embora isso esteja mudando gradualmente.

Família japonesa (Foto Atual)

A mulher japonesa no período feudal

Até o Período Tokugawa (1602-1868), as mulheres nem eram reconhecidas legalmente. Não podiam comprar propriedades e aprendiam apenas o hiragana nas escolas. Desta forma, não tinham como interferir nas transações políticas e nem podiam ler grandes obras literárias, que eram escritas em uma linguagem mais formal.

Nessa época, as mulheres eram subordinadas de todas as formas pelos homens. O fato do Japão não ter praticamente nenhum contato com o mundo ocidental, contribuiu para manter forte essas raízes culturais. A mulher no Japão era estritamente educada para ser uma boa dona de casa e cuidar praticamente sozinha da educação dos filhos, o que ainda prevalece nos dias de hoje.

Apesar de não ter voz ativa na sociedade, a mulher japonesa sempre teve um papel fundamental no seio familiar. Eram responsáveis em tomar todas as decisões familiares, já que muitas vezes os maridos estavam ausentes. Veja algumas mudanças que ocorreram em relação ao papel da mulher na família e na sociedade.

Família japonesa (Foto Antiga)
 

A mulher japonesa no período Meiji

Com o Período Meiji, o Japão passou por um processo de modernização, eliminando o sistema feudal e restaurando o poder da monarquia imperial sob o domínio do Imperador Meiji. Esse período também não foi nada fácil para as mulheres japonesas, pois muitas delas foram cruelmente exploradas por militares japoneses.

Em um período crítico, as mulheres foram encorajadas a ser o fundamento moral do país e foram convidadas a viver de acordo com o ditado “umeyo fuyaseyo” ou seja “Produzir mais bebês e aumentar a população”. Era um forma de aumentar a natalidade para que o Japão ficasse em pé de igualdade com os países do Ocidente.

No setor comercial, o trabalho das mulheres tornou-se a chave para o sucesso econômico do país. No ano de 1900, cerca de 250 mil mulheres trabalhavam em indústrias têxteis e de auto-peças e foram responsáveis ​​por 63% da força de trabalho industrial. Mas nem por isso foi fácil para elas, já que tinham que se sujeitar às pessimas condições de trabalho e baixíssimos salários daquela época.

Mulher japonesa no Período Meiji

A mulher japonesa no período Showa

Após a Segunda Guerra Mundial, muitas reformas foram introduzidas no Japão, entre elas as “igualdades essenciais em ambos os sexos”. As mulheres puderam enfim, frequentar universidades e ocupar cargos que até então eram apenas de homens, como policiais por exemplo. Ganharam direitos como auxílio-maternidade e férias.

Mas seu papel fundamental em relação ao sistema familiar pouco mudou. Casamentos realizados por omiai (casamento arranjado) e o abandono do emprego após o casamento para se dedicar exclusivamente ao marido e aos filhos ainda eram as heranças deixadas pelos tempos primórdios, já enraizadas na cultura.

Mulher japonesa (omiai - casamento arranjado)

A mulher japonesa no período Heisei (Tempo Atual)

Na década de 50, 80% dos casamentos eram arranjados. Na década de 80, esse número reduziu para a metade, ou seja 40%. Atualmente, “Omiai” ainda existe, no entanto as mulheres japonesas preferem conseguir um parceiro por conta própria, já que tem uma maior liberdade para fazer escolhas individuais para sua vida.

Hoje em dia, mesmo depois de casadas a maioria das mulheres continuam a trabalhar e depois do primeiro filho, boa parte delas retornam ao trabalho após a licença maternidade, fatos incomuns na geração anterior. A evolução do papel feminino no Japão ocorre, mesmo não sendo tão rápida e evidente como ocorre no ocidente.

Ficou fácil para as mulheres? Acredito que não, pois estigmas são difíceis de serem quebrados no Japão não só pelos homens como pelas próprias mulheres. Infelizmente, muitas delas ainda tem em mente um velho ditado popular: “Kekkon wa Josei no hakaba de oru” que se traduz como “o casamento é o túmulo das mulheres.”

Mulher japonesa (casamento)

Esse pensamente ainda reflete a era medieval de que a vida praticamente acaba após o casamento, já que a partir de então, a mulher terá que abdicar de muitas coisas que gosta em prol de sua família, dedicando-se com afinco ao bem estar do marido e obviamente dos filhos e sendo responsável pela educação deles.

Por causa disso, muitas mulheres japonesas procuram aproveitar a vida ao máximo antes do casamento, pois sabem das mudanças que esse ato implica. Talvez esse seja um dos motivos para os casamentos tardios nos tempos modernos. Hoje em dia, parece que o casamento já não é mais tão prioridade como era antigamente.

Os tempos mudaram tanto para os homens como para as mulheres japonesas e se antigamente era vergonhoso uma mulher chegar aos 30 anos sem casar-se, hoje já não é mais, visto que os homens também não tem tido tanto interesse em relacionamentos e em constituir uma família como ocorria nos velhos tempos.

Família japonesa (Sociedade Moderna)

A mulher japonesa em um futuro próximo

O papel das mulheres na sociedade japonesa continuará sua evolução. Nota-se que em breve elas terão mais participação na sociedade especialmente em razão do declínio da taxa de natalidade. Cada vez mais serão forçadas a ocupar altos cargos e diferentes vagas de emprego em virtude da pouca demanda de mão de obra.

A atual geração de mulheres japonesas se mantem dividida entre as imposições culturais do passado ao mesmo tempo que se sentem atraídas pelos desafios dos tempos modernos. Esse fato acarreta uma série de sentimentos conflitantes.

Mas uma coisa é certa: Pelo bem ou pelo mal, a inversão de papeis perante a sociedade está mudando e a cada dia que passa, as mulheres japonesas ganham mais voz dentro de uma sociedade tão hierarquizada quanto o Japão.

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4 Comentários

  1. ione

    😉 É muito bom saber que a evolução sobre as mulheres estão mudando, eu tb as vzs sinto e faço coisas como se fosse. Felizmente ou Infelizmente a gente carrega na nossa genetica essa tradição! Estou tentando melhorar 😆 Gostei muito dessa materia. Pois muitas pessoas não sabem como é a Cultura Oriental! 🙁 Obrigada, ou Arigatô,… 😉

  2. wellington

    adorei a matria!!adoro mulheres japonesas…

  3. Leila de Freitad

    Mesmo que seja lento a mudança, mais isso é muito bom!!

  4. Nara

    Quando eu digo que nasci no tempo correto, eu me sinto privilegiada. Se fosse em outros tempos eu teria sido uma Joana D’arc ou teria cometido suicidado. Em qualquer parte do mundo, ocidental, oriental ou mesmo no tão atrasado Oriente médio, eu acho mais que necessário a independência feminina, embora não vejo problema mulheres decidirem permanecer como dona do lar, dona de casa. São opções de escolha que hoje a mulher têm, com certos sacrifícios. Quando o autor do texto fala da diferença do Confucionismo e Budismo no papel da mulher, não deixo de elevar as mãos para o céu e agradecer à minha religião cristã (cristianismo). Uma coisa é você saber diferenciar a filosofia cristã dos falsos cristãos. Assim como existem pais pedófilos, existem padres pedófilos. Assim como existem budistas do bem, existem budistas do mal. Quem já teve oportunidade de conhecer a filosofia cristã fundada por Cristo (novo testamento), sabe que o cristianismo é quem resgata profundamente a imagem do ser humano excluído e injustiçado, entre eles, a mulher, no seu papel como filha digna de Deus. Quem segue seu fundamento procura ser uma pessoa de bem, sem preconceitos, sem racismos, sem desejos de vingança, com respeito ao próximo, sem excluir, pisar ou usar alguém como escravo, sem humilhar seu próximo, etc. Quem respeita seu próximo que não tem seu sangue, respeitará seu filho que tem seu sangue. Mas quem só respeita seu filho e não os dos outros, é porque ainda não sabe conviver em sociedade. Essa é a beleza do cristianismo, biologicamente e fisicamente todos somos diferentes aos olhos de Deus, mas somos família. Cada um deve ser bom na função que excerce. Qualquer ideia que foge à essa filosofia deixa de ser cristã. Qualquer crença filosófica que inferioriza o ser humano, seja pela cor da pele, sexo, idade ou cultura, simplesmente fere a dignidade do próprio Cristo. Se fazemos um bem (ou mal) ao próximo, também fazemos à Cristo. Muitas pessoas deviriam abrir a mente distorcida e o coração endurecido para coibir e reduzir o conflito entre pessoas do sexo oposto, raça e culturas diferentes. Em pleno século 21, existem quem não quer mudança. A luta é diária entre os iluminados e os ignorantes que agem de esperteza. E pensar que tudo poderia ser mais fácil quando uma religião diz que todos somos iguais e que ninguém é excluído… parece utopia, mas não é. Basta querer ser melhor.

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