Os Quatro Samurais Mais Sanguinários da História do Japão!

Bakumatsu Yondai Hitogiri

Samurais são considerados ícones quando o assunto é o Japão Antigo. Nas obras de ficção, são representados como os guerreiros nobres que servem fielmente seus senhores usando sua rigorosa disciplina de luta e domínio na arte do kenjutsu (espadachim japonês).

Não são poucas as obras, tais como filmes, taiga doramas, mangás e animes, que retratam a vida desses lendários guerreiros. No entanto, quase sempre são retratados como seres imortais ou dotados de poderes sobrenaturais, o que é compreensível por se tratar de obras de ficção.

No entanto, os samurais reais que inspiraram muitas dessas obras, eram pessoas comuns, como qualquer outro. Claro, que alguns se destacavam entre os demais devido às suas habilidades com a espada. Entre eles, os samurais de elite, conhecidos como “Hitokiri” (人斬), um termo que significa o ato ou a pessoa que “corta” (assassina) com uma espada.

“Hitokiri” pode ser traduzido então como “Assassino” ou “homem matador”. Na era Bakumatsu (1853 a 1869), um grupo de quatro samurais contrários ao xogunato ficou conhecido como “Bakumatsu Yondai Hitogiri”, ou “os Quatro Grandes Assassinos do Bakumatsu”.

Os nomes deles eram: Kawakami Gensai de Kumamoto, Kirino Toshiaki de Satsuma, Tanaka Shinbe de Satsuma e Izo Okada de Kyoto. Alguns deles inspiraram alguns dos personagens samurai mais famosos do Universo Anime. Vamos conhecer quais são eles?

1. Kawakami Gensai (河上彦斎)

Se você é um fã do anime Samurai X e da trilogia do filme Rurouni Kenshin, você pode ter se perguntado alguma vez se o personagem ‘Hitokiri Battousai’ existiu de verdade. Kenshin Himura é um personagem fictício, no entanto, foi inspirado em Kawakami Gensai.

Apesar de Kawakami Gensai ser considerado um dos maiores assassinos do seu tempo, não há muitos registros oficiais que provem seus assassinatos. Um de seus assassinatos mais conhecidos se refere à morte de um proeminente político e estudioso chamado Sakuma Shozan. No entanto, vários outros assassinatos podem ter sido executados por ele.

Kawakami Gensai era considerado o mais perigoso dos quatro Hitokiri, conhecido por cortar seus inimigos ao meio, em plena luz do dia. Usando o seu estilo de Battojutsu, chamado “Shiranui-ryu”, que consistia, essencialmente em dobrar perpendicularmente a perna direita, esticando a esquerda até ficar paralela ao solo e, depois, sacar a espada.

Com o fim da era xogunato e início da Restauração Meiji, a maioria dos governantes não necessitavam mais de seus serviços. As ideias xenófobas e isolacionistas de Kawakami colidiram com as defendidas pelo novo governo. Foi então julgado e executado em 1871.

2. Okada Izo (岡田以蔵)

O personagem de Nizo Okuda do anime Gintama e Udo Jin-e de Samurai X foram inspirados em Okada Izo. Ele era um dos assassinos mais ativos de Kyoto, ao lado de outro “Hitokiri”, o Tanaka Shinbei. Ambos trabalhavam para o daimyo (senhor feudal) Takechi Hanpeita, um apoiador do movimento Sonno Joi (que era a favor da Restauração Meiji).

Segundo fontes históricas, Okada Izo foi responsável pelo assassinato de Homma Seiichiro, um político influente na época. Em 1865, no entanto, ele acabou se envolvendo em mais um assassinato, o de Yoshida Toyo, governador de Tosa, que ele matou antes de subir ao poder. Izo foi capturado, torturado e decapitado pelas forças governamentais.

3. Tanaka Shinbei (田中新兵衛)

Tanaka Shinbei trabalhava, junto com outros assassinos de elite, sob liderança de Takechi Hanpeita. Segundo fatos históricos, Shinbei se envolveu no assassinato de Ii Naosuke, chefe do Conselho dos Anciãos de Edo e chefe de administração do xogunato Tokugawa em 1860.

Este assassinato provocou anos de violência no Japão, especialmente em Kyoto, onde os assassinatos se tornaram comuns. De todos os Hitokiris, Shinbei é considerado o assassino de elite que matou o maior número de pessoas. Além de Naosuke, suas vítimas incluíam políticos influentes na época tais como Shimada Sakon, Ukyo Omokuni e Homma Seiichiro.

Ele também foi suspeito de assassinar uma jovem chamada Komichi. Tanakaba era chamado de “ansatsu taicho” (capitão de assassinos).

O Shinsengumi (Novo Grupo Selecionado) foi formado em 1863. Tratava-se de uma espécie de força policial especial organizada pelo Bakufu (governo militar) que tinha o objetivo de reprimir os hitokiri e restaurar a lei e a ordem de Tosa.

A espada de Shinbei foi encontrada no local do assassinato de um alto funcionário do clã Anenokoji. Ele foi levado para um interrogatório em Kyoto e pediu para ver a espada. Assim que a recebeu, Shinbei a usou para tirar a sua própria vida, através do ritual seppuku.

Um filme famoso que conta não só a história de Shinbei como as de outros samurais sanguinários é Hitokiri (人斬り), lançado em 1969. Dirigido por Hideo Gosha, o filme remonta ao final do xogunato Tokugawa e é inspirado nas vidas dos “Bakumatsu Yondai Hitogiri”.

4. Kirino Toshiaki (桐野利秋)

Kirino Toshiaki, também conhecido como Nakamura Hanjirō (中村半次郎 ) foi um dos quatro Hitokiri do Bakumatsu. Toshiaki dominava o estilo Ko-jigen-ryū, cuja técnica consiste em segurar a espada verticalmente acima do ombro direito. O ataque é feito então, correndo para a frente de seu oponente e em seguida cortando-o diagonalmente do pescoço pra baixo.

Suas atividades foram em grande parte centradas em Kyoto até meados da década de 1860. Durante a guerra de Boshin, Kirino foi o comandante do novo Exército Imperial. Ele também foi responsável pela rendição de Matsudaira Katamori, daimyo de Aizu do Castelo de Wakamatsu.

Kirino tornou-se um general de brigada nos primeiros anos do Exército Imperial Japonês. No entanto, se juntou às forças de Saigō Takamori (西郷 隆盛) durante a Rebelião de Satsuma. Kirino Toshiaki permaneceu com Saigō até o fim, e foi assassinado no final da rebelião.

Na ficção, Kirino foi retratado no manga Getsumei Seiki, de Kenji Morita. A história central se passa no período Bakumatsu, no fim do período Edo (entre 1853 e 1867), em um momento em que a linha entre o certo e o errado era indistinguível. Kirino também aparece como o Comandante do Exército no mangá “RED: Living ‘on The Edge”, de Kenichi Muraeda.

Fontes: jpninfo.com, Wikipedia

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