Aos 89 anos, japonês percorre 600 km de bicicleta para visitar o filho em Tóquio

Aos 89 anos, Mitsuo Tanigami percorreu 600 km de bicicleta pelo Japão para visitar o filho em Tóquio, provando que “amor de pai não tem idade”.
Mitsuo Tanigami, morador da cidade de Kobe, chegou a uma conclusão clara: queria ver seus filhos. Embora o sentimento seja simples, a realidade não era. Seu filho, Naoya, e sua filha, Sayuri, já são adultos, construíram suas próprias famílias e vivem em cidades diferentes.
Seu filho Naoya por exemplo morava em Tóquio, do outro lado do país. Para a maioria das pessoas, a solução seria óbvia: pegar o shinkansen e cruzar o Japão em cerca de três horas. Mas Mitsuo Tanigami decidiu que faria isso de outra forma.
Uma escolha inesperada: 600 km sobre duas rodas

Em vez do trem-bala, Mitsuo escolheu a estrada — de bicicleta. Ele percorreu aproximadamente 600 quilômetros entre Kobe e Tóquio, pedalando por nove dias.
À primeira vista, poderíamos imaginar que se trata de um pai relativamente jovem, com filhos recém-formados. Mas a realidade surpreende: Mitsuo tem 89 anos, e Naoya, 61.
A bicicleta, o mapa de papel e o espírito aventureiro
Imagens: kobe-np.co.jp
Após décadas trabalhando em um estúdio fotográfico, Mitsuo comprou uma bicicleta elétrica. Munido apenas dela, de um mapa de papel e de um espírito curioso, ele partiu em março de 2024 em uma das viagens mais emocionantes de sua vida.
Sem GPS ou aplicativos de navegação, ele se guiava perguntando o caminho aos moradores locais sempre que se perdia. Esses desvios inesperados acabaram se transformando em oportunidades de conversa, troca de histórias e conexões humanas ao longo do trajeto.
A estrada como cenário da jornada
No dia 17 de março, Mitsuo começou a pedalar rumo ao leste pela Rota Nacional 2, fazendo sua primeira parada oficial em Takatsuki, na província de Osaka.
A jornada seguiu por alguns dos cenários mais emblemáticos do Japão:
● o Lago Biwa, com sua paisagem aquática serena
● o terreno montanhoso de Hakone
● a imponente presença do Monte Fuji
Durante o percurso, Mitsuo descansava em hotéis e pousadas simples, recarregando o corpo — e a bicicleta — para o dia seguinte.
Desafios, quedas e persistência
Imagens: kobe-np.co.jp
A viagem esteve longe de ser fácil. Mitsuo enfrentou ventos fortes, chuvas intensas e terrenos irregulares. Ele relata ter caído da bicicleta quase 20 vezes e enfrentado dificuldades para ouvir e enxergar, especialmente quando a chuva embaçava as lentes de seus óculos.
Ainda assim, a cada queda, ele se levantava, subia novamente na bicicleta e seguia em frente. A idade nunca foi motivo para desistir.
Um reencontro que fez tudo valer a pena
No terceiro dia, Mitsuo chegou à casa da filha Sayuri, em Fuso, na província de Aichi. Após passar dois dias ao lado dela, retomou a estrada rumo ao destino final.
Enquanto isso, seu filho monitorava os passos do pai através do Sistema de Posicionamento Global (GPS). Em 25 de março, Mitsuo finalmente chegou em Tóquio, onde foi recebido pelo filho Naoya. O encontro, como era de se esperar, foi marcado por emoção e orgulho.
Ele perdeu 4 kg nesta aventura, mas afirma que não há nada de anormal com seu corpo:
“Foi uma experiência difícil, mas fiquei feliz por conseguir fazer meu filho feliz”, contou Mitsuo.
Planos para futuras aventuras
Durante sua estadia em Tóquio, Mitsuo e Naoya aproveitaram os pontos turísticos locais e até fizeram passeios de bicicleta juntos. Mas para retornar para Kobe, Mitsuo preferiu uma viagem mais fácil, então ele deixou sua bicicleta com Naoya em Tóquio.
No entanto, esta não é o fim de suas aventuras de bicicleta. Mitsuo planeja retornar a Tóquio no verão para recuperar sua amada bicicleta e voltar pedalando para casa, em Kobe.
Uma lição de amor, coragem e tempo
A viagem de Mitsuo Tanigami é mais do que uma aventura extraordinária. É uma prova silenciosa de que o amor dos pais não envelhece, e de que nunca é tarde para atravessar distâncias — físicas ou emocionais — para estar com quem se ama.
Sua história nos lembra que aventuras intensas não pertencem apenas aos jovens. Elas pertencem a quem ainda tem vontade de viver, sentir e se conectar.
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