Brasileiros no Japão: números, províncias, trabalho e evolução histórica

Descubra quantos brasileiros vivem no Japão, com dados por região e província e comparação com décadas anteriores, além dos principais setores de trabalho.
A presença de brasileiros no Japão é uma das histórias mais marcantes da migração contemporânea entre países.
Desde a década de 1990, quando o Japão revisou a lei de imigração para permitir que descendentes japoneses tivessem visto facilitado, milhares de brasileiros migraram em busca de trabalho e melhores condições de vida.
E desde então, a comunidade brasileira tem se mantido estável e adaptada ao longo de décadas, mesmo com mudanças no cenário migratório japonês.
Quantos brasileiros vivem no Japão hoje?
Segundo dados da Agência de Serviços de Imigração do Japão, havia aproximadamente 211.907 brasileiros residentes no país no final de 2024, representando cerca de 5,6% da população estrangeira no Japão.
Destes, 116.818 possuíam status de residente permanente (cerca de 55,13%), o que corresponde a mais da metade dos brasileiros no país segundo dados, divulgados pela Agência de Imigração do Japão (sob o Ministério da Justiça).
Os brasileiros fazem parte de uma das comunidades estrangeiras com maior taxa de visto permanente, em parte porque muitos têm ascendência japonesa (nikkei) ou são cônjuges de um, o que facilita obtenção de visto de longa duração.
Em 2025, dados mais recentes indicam uma leve redução para 211.229 brasileiros, o que colocou a comunidade em 7º lugar entre as maiores nacionalidades estrangeiras no país, atrás de China, Vietnã, Coreia do Sul, Filipinas, Nepal e Indonésia.
As regiões que tem mais brasileiros no Japão

Ao contrário de muitas comunidades estrangeiras que se concentram nas grandes metrópoles como Tóquio e Osaka, os brasileiros tendem a estar mais presentes em regiões industriais e centros de produção, especialmente no centro do Japão.
As cidades japonesas que concentram mais brasileiros são:
● Nagoya (Aichi)
● Hamamatsu (Shizuoka)
● Toyohashi (Aichi)
● Toyota (Aichi)
● Ōizumi (Gunma)
● Echizen (Fukui)
● Takaoka (Toyama)
Gráfico comparativo — Brasileiros por província (2009 – 2024
| Brasileiros em: | 2009 | 2014 | 2019 | 2024 |
|---|---|---|---|---|
| Aichi | 67.162 | 48.220 | 61.435 | 61.305 |
| Shizuoka | 42.625 | 27.126 | 30.486 | 32.526 |
| Mie | 18.667 | 12.689 | 13.775 | 13.967 |
| Gifu | 17.078 | 10.228 | 12.218 | 12.302 |
| Gunma | 15.324 | 11.879 | 12.894 | 13.829 |
| Kanagawa | 13.091 | 8.550 | 9.161 | 9.474 |
| Saitama | 12.301 | 7.653 | 7.356 | 7.415 |
| Shiga | 11.384 | 7.813 | 9.455 | 9.618 |
| Nagano | 10.938 | 5.397 | 5.298 | 4.857 |
| Ibaraki | 10.200 | 6.048 | 5.914 | 6.068 |
Dados históricos de população brasileira por província no Japão (dl1.en-us.nina.az)
Destaques:
● Tokai (Aichi + Shizuoka + Mie) concentra mais da metade da comunidade brasileira no Japão.
Conexão Marília
● Aichi tem a maior presença, historicamente ligada às fábricas da indústria automotiva e de componentes.
Em quais setores brasileiros trabalham no Japão?
A comunidade brasileira caracteriza-se por trabalhar em setores que demandam mão de obra industrial e técnica, especialmente:
Indústria e manufatura
Fábricas de automóveis e componentes (ex.: Toyota em Aichi) — muitos brasileiros migraram inicialmente para esse segmento.
Construção civil
Trabalhos de construção e obras, reforçando mãos de obra essencial.
Serviços e logística
Empregos em armazéns, logística, distribuição e serviços gerais complementares.
Agricultura e outros
Em algumas províncias menores, participação em atividades agrícolas e pequenas empresas também é comum.
Comparação histórica: anos 90, 2000 e hoje
Década de 1990
A migração de brasileiros para o Japão começou a crescer após a revisão da lei de imigração em 1990, que permitiu que descendentes de japoneses (até terceira geração) vivessem e trabalhassem no país.
Nesta época, os brasileiros ainda eram uma comunidade emergente, partindo de números relativamente baixos.
Década de 2000
Nos anos 2000, o fluxo cresceu de forma significativa:
A população de brasileiros no Japão quintuplicou ao longo da década de 90 até 2000.
Muitos vieram trabalhar nas indústrias automotivas e manufatureiras do centro do Japão, especialmente em Aichi, Shizuoka, Mie e Gunma.
Atualmente (2020-2025)
Atualmente, a comunidade gira em torno de ~211 mil brasileiros, um número que tem se mantido relativamente estável desde a década de 2010, apesar de um leve declínio recente.
A estabilidade se deve a fatores como:
● Vistos permanentes altos entre brasileiros.
● Menor crescimento demográfico comparado a outras nacionalidades de imigrantes no Japão.
Em termos de ranking, os brasileiros já foram uma das maiores comunidades estrangeiras no Japão (top 5 durante grande parte da década passada), mas hoje caíram para a 7ª posição por causa do crescimento mais acelerado de vietnamitas, nepaleses e indonésios.
A força de trabalho brasileira no Japão
🔹 Radicalização territorial: os brasileiros se concentram em zonas industriais mais do que grandes capitais, refletindo o perfil histórico de migração ligada a emprego fabril.
🔹 Setores de trabalho: ainda predominam indústria, construção e serviços ligados a produção, embora novas gerações entrem em diferentes áreas com maior diversificação.
🔹 Estabilidade populacional: enquanto outras comunidades estão crescendo significativamente, a comunidade brasileira permaneceu estável ou até ligeiramente decrescente nos números, o que pode refletir tanto migração retornada quanto estabilização demográfica.
🔹 Importância cultural e econômica: apesar disso, brasileiros continuam sendo uma das comunidades mais estabelecidas e com maior taxa de vistos permanentes, com papel importante na força de trabalho em muitas regiões do país.
Conclusão
A presença brasileira no Japão é um caso singular de migração de longa duração.
Desde os primeiros fluxos na década de 1990 até a estabilidade observada no início de 2020, a comunidade se consolidou em regiões industriais e setores-chave da economia japonesa, mantendo sua identidade e influência.
Embora hoje não esteja mais entre as primeiras colocações no ranking de comunidades estrangeiras por número, os brasileiros seguem como uma presença significativa — especialmente em províncias como Aichi, Shizuoka, Mie, Gifu e Gunma.
Deixe um comentário