Dia do Gato no Japão: Por que os felinos encantam tantas pessoas no Japão

O Dia do Gato no Japão (Neko no Hi) é celebrado anualmente em 22 de fevereiro. Por que os felinos encantam tantas pessoas no Japão?
Por que o Neko no Hi (猫の日) é celebrado no dia 22 de fevereiro?
A escolha da data é mais um exemplo do amor japonês por trocadilhos numéricos (goroawase):
O som que o gato faz em japonês é “nyan”.
O número 2 (dois) em japonês pode ser pronunciado como “ni”.
Assim, a data 22/02 (ni-ni-ni) soa muito próximo de nyan-nyan-nyan.
Nesta data é comum as redes sociais serem inundadas com a hashtag #猫の日, onde donos de gatos postam fotos e vídeos criativos de seus felinos.
Em comemoração à esta data, lojas de conveniência como 7-Eleven e FamilyMart costumam lançar produtos temáticos como sobremesas, pães e embalagens com orelhas de gato.
Em distritos como Shinjuku, o famoso telão 3D exibe animações especiais do “Gato Gigante” interagindo com o público.
Mais gatos do que cães nos lares japoneses
De acordo com uma pesquisa sobre cães e gatos domésticos realizada pela Associação de Alimentos para Animais de Estimação, o número de cães é de 6,79 milhões, em comparação com 9,15 milhões de gatos, superando em muito o número de cães.
A febre dos gatos se consolidou e os felinos tem fascinado muitas pessoas. Com o intuito de estudar os gatos sob a perspectiva da sociedade humana, um grupo de sociólogos apaixonados por gatos se uniu para iniciar uma pesquisa sobre a “sociologia felina”.
Afinal, por que as pessoas são tão fascinadas por gatos?

O sociólogo e professor da Universidade de Tóquio, Manabu Akagawa (54), diz que quando seu próprio gato morreu, ele se sentiu tão deprimido que pensou:
“Como vou viver neste mundo sem meu amado gato?”
Ele diz que é comum ouvir coisas do tipo de donos de gatos: “Mudei de casa por causa do meu gato” ou “Praticamente vivo para o meu gato“.
“Não é de se admirar que algumas pessoas se mudem por causa de seus gatos”, diz o Professor Akagawa. Ele explica o motivo:
“Os humanos são meramente seres que ‘cuidam’ dos gatos. Os gatos nem sempre fazem o que você quer, então você não deve esperar nada em troca deles.”
“Quando eles ocasionalmente se aconchegam em nós ou se aninham em nossos futons, mesmo quando não estamos esperando, é tão precioso que nos arrepia. Isso torna a vida mais divertida.”
Os amados gatos do Professor Akagawa Manabu (da esquerda para a direita: Akari-chan, Bank-kun e Yuki-chan)
Sobre o porque o número de cães de estimação tem diminuído e o número de gatos domésticos tem aumentando, o professor responde:
“Os cães exigem cuidados, como passeios e treinamento para fazer as necessidades no lugar certo, e em muitos casos precisam que alguém fique em casa por longos períodos para cuidar deles”.
“Em contrapartida, recomenda-se que os gatos sejam mantidos dentro de casa, o que facilita a criação deles mesmo para pessoas solteiras ou casais que trabalham. Provavelmente, é por isso que cada vez mais pessoas estão adotando gatos”, especula Akagawa.
Embora cães e gatos tenham personalidades próprias, o professor Akagawa afirma: “Os gatos costumam ser desconfiados com estranhos e só demonstram emoções para membros da família“.
Quando fazem essas expressões, é tentador apontar o celular para eles e tirar fotos ou gravar vídeos.
Imagem: photo-ac
Com o aumento do número de pessoas que adotam gatos e a crescente quantidade de fotos adoráveis postadas nas redes sociais, a popularidade dos gatos tende a aumentar ainda mais.
“Parece haver um efeito sinérgico”, diz o professor Akagawa, que também vive com três gatos queridos.
Ele já viu dois deles falecerem. “Meu primeiro gato se chamava ‘Nyanko Sensei’, e quando ele morreu, fiquei tão profundamente deprimido que pensei: ‘Não há sentido em eu estar neste mundo sem o Nyanko Sensei”
Por que esse desespero acontece?
Imagem: photo-ac
“Isso pode pode acontecer com os cães, mas com os gatos, nossos relacionamentos mudam — quando são jovens, são nossos filhos, e à medida que crescem, tornam-se nossos melhores amigos ou companheiros”.
“Na velhice, parece que estamos cuidando de nossos pais idosos. Como a expectativa de vida deles é menor que a nossa, a vida deles é mais rica.“, diz ele.
O professor Akagawa realizou um estudo e pesquisa sobre gatos em sua universidade e seus alunos perguntaram a pessoas que têm contato com gatos o que elas acham fofos nesses animais e o que os gatos representam para elas, compilando os resultados da pesquisa.
“Os alunos entrevistaram cerca de 42 pessoas, e várias responderam que os gatos são ‘terapêuticos’ ou que “os gatos enriquecem nossas vidas.”
Conclusão
Os gatos são muito presentes na cultura e na vida cotidiana japonesa. O Maneki neko, por exemplo, é um amuleto de sorte muito popular no país.
Há ilhas de gatos que atraem turistas simplesmente pela possibilidade de interagir com os felinos, além de templos e santuários dedicados a eles.
E você? Já teve gato como animal de estimação? Compartilha do pensamento do professor Akagawa Manabu? Conta pra gente sua experiência!
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