Japão está entre os países com mais adultos com ensino superior; Brasil tem índice de apenas 22%

Relatório Education at a Glance 2026 da OCDE mostra Japão entre os líderes em formação superior. Brasil registra apenas 22% dos adultos diplomados.
O Japão está entre os países com maior proporção de adultos com formação superior no mundo, enquanto o Brasil aparece bem abaixo da média das economias analisadas.
Os dados fazem parte do relatório Education at a Glance 2026, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne indicadores sobre os sistemas educacionais e permite comparar os níveis de escolaridade entre países.
De acordo com os números apresentados, aproximadamente 58% dos japoneses entre 25 e 64 anos possuem uma qualificação de nível superior, proporção que coloca o país no topo do ranking, em 3° lugar entre os destaques internacionais.
Já no Brasil, o índice é de 22%, praticamente metade da média da OCDE, de cerca de 43%, o que o coloca na parte inferior do ranking.
O levantamento também mostra uma diferença importante entre a proporção de pessoas diplomadas e o número absoluto de adultos com formação superior.
Países populosos, como China e Índia, podem reunir milhões de graduados mesmo quando a parcela de pessoas com essa escolaridade é relativamente baixa.
Quais países têm os adultos mais instruídos?
Segundo os números do levantamento apresentado, o Canadá lidera a classificação, com 64% dos adultos de 25 a 64 anos com formação superior. Irlanda, Japão e Coreia do Sul também aparecem entre os primeiros colocados.
1. Canadá: 64%
2. Irlanda: 59%
3. Japão: 58%
4. Coreia do Sul: 58%
5. Reino Unido 55%
6. Luxemburgo 55%
7. Austrália 54%
8. Estados Unidos 52%
9. Suécia: 51%
10. Israel: 51%
Os percentuais indicam a parcela da população adulta com formação de nível superior, incluindo diferentes tipos de qualificação terciária, incluindo desde diplomas de cursos técnicos de dois anos até doutorados.
Por isso, o indicador não se limita a quem concluiu uma graduação universitária tradicional: também pode incluir cursos superiores de curta duração e outras qualificações reconhecidas nesse nível de ensino.
É importante observar: a classificação compara a escolaridade formal, não mede diretamente a qualidade do ensino, o domínio de competências práticas ou o desempenho profissional de cada população.
Por que o Canadá ocupa o primeiro lugar?
Imagem: www.oecd.org
O resultado canadense está relacionado à diversidade de sua oferta de ensino superior. No país, a educação terciária inclui tanto cursos universitários tradicionais quanto programas de menor duração, que concedem diplomas técnicos e profissionais.
Segundo os dados apresentados, cerca de 25% dos adultos canadenses têm como qualificação mais alta um diploma superior de curta duração, enquanto 39% possuem bacharelado ou formação acadêmica ainda mais avançada.
Isso ajuda a explicar por que o Canadá supera países nos quais a educação superior está mais concentrada em cursos de graduação de quatro anos ou programas de pós-graduação.
A imigração de profissionais com alta escolaridade também contribui para o perfil educacional canadense.
Japão tem mais de 35 milhões de adultos com formação superior
O Japão chama a atenção não apenas pela proporção de adultos diplomados, mas também pela quantidade de pessoas com essa escolaridade.
De acordo com os números reunidos no levantamento, aproximadamente 35,1 milhões de japoneses entre 25 e 64 anos possuem formação superior.
O total supera a soma indicada para Alemanha e França, que juntas reúnem cerca de 30,4 milhões de adultos com esse nível de escolaridade.
O resultado coloca o Japão em posição de destaque entre as economias desenvolvidas.
A formação superior tem presença expressiva na sociedade japonesa, embora o indicador, por si só, não permita concluir que todos os diplomados tenham as mesmas oportunidades profissionais ou rendimentos.
A comparação também precisa considerar as diferenças demográficas: o Japão tem uma população numerosa e envelhecida, enquanto outros países apresentam estruturas etárias e sistemas de formação profissional distintos.
Estados Unidos ficam na oitava posição
Os Estados Unidos aparecem na oitava colocação, com aproximadamente 52% dos adultos de 25 a 64 anos com formação superior, segundo os números do levantamento.
Apesar de ficarem atrás de Canadá, Irlanda, Japão e Coreia do Sul na proporção geral, os norte-americanos apresentam um percentual ligeiramente maior de adultos com bacharelado ou qualificação superior: cerca de 41%, diante dos 39% registrados para o Canadá.
A diferença está na parcela de pessoas com diplomas de cursos superiores mais curtos, que é maior no sistema canadense. Assim, o resultado muda conforme o tipo de formação considerado.
Brasil tem apenas 22% de adultos com ensino superior
Imagem: www.oecd.org
O índice brasileiro fica bem abaixo da média da OCDE, de aproximadamente 43%, o que coloca o Brasil entre os países com menor proporção de adultos com formação superior. A diferença evidencia o desafio de ampliar o acesso e a conclusão do ensino superior no Brasil.
Conforme a nota nacional da OCDE para 2026, 22% dos brasileiros de 25 a 64 anos tinham qualificação terciária em 2024, enquanto a média da organização era de 43% em 2025. Como os anos de referência diferem, a comparação deve ser interpretada com essa ressalva.
O relatório também aponta que uma parcela expressiva da população adulta brasileira não concluiu o ensino médio. Esse fator limita o acesso a cursos superiores e evidencia que o desafio educacional começa antes da universidade: envolve permanência na escola, conclusão da educação básica e condições para continuar os estudos.
A ampliação do acesso ao ensino superior depende de diferentes fatores, entre eles a renda familiar, a oferta de vagas, a qualidade da educação básica, a necessidade de trabalhar durante os estudos e as desigualdades regionais.
China e Índia lideram em número absoluto de graduados
A proporção de adultos diplomados não conta toda a história. Quando o critério é o número total de pessoas com formação superior, os países mais populosos assumem a liderança.
País |
Adultos com formação superior |
| China | 152,4 milhões |
| Índia | 119,2 milhões |
| Estados Unidos | 93 milhões |
| Japão | 35,1 milhões |
| Canadá | 13,7 milhões |
Observação: Valores apresentados no levantamento que acompanha o relatório; as fontes e os anos de referência variam conforme o país.
A China aparece em primeiro lugar, com 152,4 milhões de adultos com formação superior, seguida pela Índia, com 119,2 milhões, e pelos Estados Unidos, com 93 milhões.
A China, que não está incluída nos dados da OCDE, utiliza os números do censo de 2020 do Departamento Nacional de Estatísticas da China.
Entretanto, os números absolutos não significam que a maioria dos adultos chineses ou indianos tenha concluído o ensino superior. No levantamento, a proporção indicada é de aproximadamente 18% na China e 16% na Índia, em comparação com 52% nos Estados Unidos.
Juntos, China, Índia e Estados Unidos representam cerca de 56% dos 647,1 milhões de adultos com formação superior contabilizados nos 47 países analisados.
A comparação exige atenção metodológica: a China não integra a base de dados da OCDE da mesma forma que os países participantes do levantamento, e os números chineses utilizados nessa estimativa vêm do censo nacional de 2020. Os dados de população e escolaridade não correspondem necessariamente ao mesmo ano para todos os países.
Países mais ricos têm mais adultos diplomados?
Em linhas gerais, existe uma relação entre renda nacional e escolaridade superior: países com economias mais desenvolvidas tendem a dispor de mais recursos para financiar instituições de ensino, ampliar vagas e oferecer oportunidades de formação. Mas há exceções.
O Reino Unido e a Itália, por exemplo, apresentam níveis de renda per capita semelhantes na comparação citada pelo levantamento, mas proporções muito diferentes de adultos com formação superior: aproximadamente 55% no Reino Unido e 22% na Itália.
Alemanha e Áustria também registram percentuais inferiores aos do Japão e Coreia do Sul, apesar de seus elevados níveis de renda.
Parte dessa diferença está relacionada à estrutura dos sistemas de educação profissional desses países, que oferecem caminhos de qualificação técnica e aprendizagem para quem não necessariamente cursa uma universidade.
Na Alemanha, por exemplo, o sistema dual combina formação teórica e experiência prática em empresas. Esse tipo de preparação pode resultar em profissionais altamente qualificados sem que todos tenham um diploma universitário.
Portanto, uma taxa menor de formação superior não significa necessariamente uma força de trabalho menos capacitada.
Para avaliar as habilidades de uma população, também é necessário considerar a educação profissional, a experiência no trabalho, a aprendizagem ao longo da vida e as competências efetivamente desenvolvidas.
O que o ranking revela sobre a educação mundial?
O relatório Education at a Glance 2026, publicado pela OCDE em 29 de setembro de 2026, reúne indicadores sobre escolaridade, acesso à educação, financiamento, organização dos sistemas de ensino e condições de trabalho dos professores.
A publicação utiliza dados de diferentes anos, conforme a disponibilidade e a comparabilidade das informações nacionais. A comparação revela três tendências principais:
– A formação superior está cada vez mais difundida em várias economias desenvolvidas, especialmente entre adultos em idade ativa.
– O tamanho da população altera a classificação: países com taxas percentuais menores podem ter milhões de graduados a mais do que países menores.
– Diploma não é sinônimo de todas as competências: educação profissional, habilidades práticas e oportunidades de aprendizagem também são importantes para avaliar a preparação dos trabalhadores.
Para o Japão, os dados confirmam a presença de uma população adulta com elevado nível de escolaridade formal.
Para o Brasil, a distância em relação à média da OCDE evidencia a importância de políticas que ampliem a conclusão da educação básica e criem condições para que mais pessoas ingressem e concluam cursos superiores.
Mais do que uma disputa entre países, o ranking oferece uma oportunidade de refletir sobre como cada sociedade forma seus cidadãos e prepara sua população para as transformações do mercado de trabalho.
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