Visto de nômade digital no Japão: requisitos, duração e restrições

Visto de nômade digital no Japão: requisitos, duração e restrições

O Japão criou um visto para nômade digital. Veja quem pode solicitar, requisitos de renda, duração e restrições legais para trabalhadores remotos.

O Japão lançou recentemente um visto voltado a nômades digitais — trabalhadores que desempenham suas atividades remotamente usando tecnologia digitais para empresas ou clientes estrangeiros. A medida faz parte de um movimento global para atrair profissionais da nova economia e fortalecer o turismo de longa duração, ao mesmo tempo em que busca modernizar as políticas migratórias da Terra do Sol Nascente.

O que é o visto de nômade digital no Japão?

Oficialmente classificado como “Designated Activities (Digital Nomad)”, esse visto não é um tradicional visto de trabalho nem de residência permanente.

Ele permite que estrangeiros entrem no Japão e trabalhem remotamente para empregadores ou clientes fora do país por um período limitado, sem necessidade de um contrato de trabalho com uma empresa japonesa.

A modalidade foi introduzida com alterações na lei de imigração que entraram em vigor em março de 2024, com orientações mais detalhadas publicadas posteriormente em 2025.

Quem pode solicitar o visto?

Para ser elegível ao visto de nômade digital no Japão, o candidato deve cumprir uma série de condições:

Nacionalidade: só estão qualificados cidadãos de países que possuem acordo de isenção de visto e tratados tributários com o Japão — uma lista que inclui mais de 40 nacionalidades, entre elas Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e países da União Europeia.

Trabalho remoto legítimo: é necessário que o solicitante trabalhe remotamente para uma empresa estrangeira ou ofereça serviços profissionais principalmente a clientes fora do Japão, usando tecnologia de comunicação digital.

Renda mínima anual: o candidato deve comprovar renda anual de pelo menos 10 milhões de ienes (aprox. US$ 65 000 ou R$ 340.000), por meio de comprovantes como declaração de imposto, extratos bancários e contratos de trabalho.

Seguro de saúde e viagem: é obrigatório possuir seguro privado com cobertura médica de pelo menos 10 milhões de ienes, incluindo tratamento de doenças, acidentes e repatriação em caso de morte durante a estadia no Japão.

Quanto tempo posso ficar no Japão?

O visto não pode ser prorrogado ou renovado, o que o torna uma estadia curta e por prazo determinado. O visto de nômade digital permite um período máximo de permanência de até seis meses no Japão, sem possibilidade de extensão pelo mesmo ciclo de visto.

Após o término, o solicitante deve sair do país e, se desejar, pode reaplicar para um novo visto depois de um intervalo de seis meses.

Esse prazo é calculado de forma consecutiva e não cumulativa ao longo de um ano. Ou seja, uma estadia concedida por esse visto é contínua por até seis meses — sem extensões automáticas.

Posso trazer minha família?

Sim. O visto de nômade digital permite que cônjuges e filhos acompanhantes entrem com o titular, desde que atendam aos requisitos de elegibilidade e cobertura de seguro de saúde.

No entanto, esses dependentes não necessariamente tem autorização para trabalhar ou estudar durante sua estadia, e devem verificar regras específicas aplicáveis a seus casos.

Limitações importantes

Apesar de ser um avanço para nômades digitais, esse visto enfrenta algumas limitações:

● Ele não concede residência permanente nem cria um caminho direto para cidadania no Japão.

● Este visto não emite um Zairyu Card (Cartão de Residência), o que dificulta tarefas como abrir conta em banco local, contratos de telefonia celular ou alugar apartamentos de longo prazo (você precisará focar em Airbnb ou Monthly Mansions).

● Você só pode trabalhar remotamente para empregadores ou clientes fora do Japão. Trabalhos locais, projetos freelance para empresas japonesas e trabalhos paralelos não são permitidos.

Como solicitar o visto

O processo de solicitação geralmente acontece por meio da embaixada ou consulado japonês no país de residência do candidato. É importante preparar uma documentação detalhada com:

● Comprovação de renda anual
● Contratos de trabalho remoto ou evidências de clientela estrangeira
● Apólice de seguro com cobertura médica adequada
● Documentos que provem nacionalidade e plano de estadia

Apesar do visto de Nômade Digital no Japão não exigir fiador ou Certificado de Elegibilidade (COE), muitos consulados recomendam ter um para facilitar a aprovação.

Para saber quais documentos são necessários para a solicitação de visto, acesse o site do Ministério das Relações Exteriores do Japão .

Além disso é preciso pagar a taxa consular no valor de 3.000 ienes (entrada única) ou 6.000 ienes (Múltiplas entradas). Um reajuste previsto para Abril de 2026 trará um aumento drástico de até 500% nas taxas de visto a partir de 1º de abril de 2026.

A taxa para visto de entrada única poderá subir para 15.000 ienes enquanto a taxa para múltiplas entradas poderá chegar a 30.000 ienes. 

Considerações fiscais

O visto de nômade digital não automaticamente torna o trabalhador residente fiscal no Japão. Regra geral, só se considera residente fiscal quem permanece no país por mais de um ano consecutivo.

No entanto, outros aspectos fiscais (como impostos locais ou obrigações de consumo) podem aplicar-se, e nômades devem considerar planejamento tributário antes de se mudar.

Por que o Japão criou esse visto agora?

O lançamento desse visto em 2025 reflete uma tentativa do governo japonês de adaptar uma economia tradicional — marcada por empregos estáveis e regras migratórias rígidas — às tendências globais de trabalho remoto e mobilidade internacional de profissionais qualificados.

Ao mesmo tempo, o país aposta em seus altos níveis de segurança, infraestrutura tecnológica e qualidade de vida para atrair talentos estrangeiros temporariamente.

Conclusão

O visto de nômade digital no Japão abre uma nova porta legal para profissionais que desejam combinar trabalho remoto com a experiência única de viver no país por um período prolongado.

Apesar de requisitos rigorosos — como renda mínima e seguro médico — essa modalidade representa uma alternativa estruturada e legítima ao uso de vistos de turismo para trabalhar à distância.

Com regras claras e limites bem definidos, o Japão oferece uma oportunidade singular para nômades digitais que buscam imersão cultural e produtividade em um dos países mais tecnologicamente avançados do mundo.

Imagem do topo: Depositphotos

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Sou apaixonada pelo Japão e sua cultura. Resolvi criar esse blog com o intuito de fazer com que mais e mais pessoas conheçam essa cultura tão rica, incrível e fascinante!

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