Quem são os 14 criminosos de guerra Classe A consagrados no Santuário Yasukuni?

Os 14 criminosos de guerra Classe A consagrados no Santuário Yasukuni

Descubra quem são os 14 criminosos de guerra Classe A consagrados no Santuário Yasukuni, suas condenações e por que o tema é tão controverso.

O Santuário Yasukuni, em Tóquio, é um dos lugares mais controversos da memória histórica japonesa. Dedicado às almas de pessoas que morreram a serviço do Japão, o santuário homenageia mais de 2,4 milhões de mortos. Entre eles estão 14 líderes japoneses classificados como criminosos de guerra Classe A após a Segunda Guerra Mundial.

A presença desses 14 nomes é justamente um dos principais motivos pelos quais as visitas de primeiros-ministros e ministros japoneses ao Yasukuni provocam fortes reações na China e na Coreia do Sul.

Mas quem eram essas pessoas? E por que foram classificadas como criminosos de guerra Classe A?

O que significa “criminoso de guerra Classe A”?

A classificação foi utilizada pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, realizado em Tóquio após a Segunda Guerra Mundial.

Os chamados criminosos Classe A foram acusados principalmente de “crimes contra a paz”, relacionados ao planejamento, preparação, início ou condução de uma guerra de agressão.

Isso os diferenciava dos criminosos Classe B e C, julgados principalmente por crimes convencionais de guerra e crimes contra a humanidade.

É importante observar que nem todos os 14 foram executados. Sete receberam pena de morte, cinco foram condenados à prisão perpétua e morreram posteriormente, enquanto dois morreram de causas naturais durante o julgamento, antes de receber uma sentença definitiva.

Os 14 criminosos de guerra Classe A

1. Hideki Tōjō (東條英機)

Cargo: primeiro-ministro e ministro da Guerra
Patente: general do Exército Imperial
Destino: executado em 1948

Hideki Tōjō foi uma das figuras mais importantes do governo japonês durante a expansão da guerra no Pacífico.

Primeiro-ministro entre 1941 e 1944, esteve no poder quando o Japão entrou em guerra contra os Estados Unidos e outras potências aliadas e foi a principal autoridade por trás do ataque a Pearl Harbor.

Tōjō foi condenado à morte pelo Tribunal de Tóquio e executado por enforcamento em dezembro de 1948.

É provavelmente o mais conhecido dos 14 criminosos Classe A consagrados no Yasukuni.

2. Kōki Hirota (広田弘毅)

Cargo: primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores
Profissão: diplomata
Destino: executado em 1948

Kōki Hirota foi primeiro-ministro entre 1936 e 1937 e ocupou importantes posições diplomáticas.

Foi o único civil entre os sete condenados à morte pelo Tribunal de Tóquio.

Hirota foi considerado responsável, entre outras questões, por sua participação na condução da política externa japonesa durante um período de expansão militar na China e por não coibir a expansão militarista agressiva.

Foi executado em 23 de dezembro de 1948.

3. Kenji Doihara (土肥原賢二)

Cargo: general do Exército
Atuação: inteligência militar na China
Destino: executado em 1948

Kenji Doihara foi um dos principais especialistas japoneses em operações de inteligência na China.

Apelidado de “Lawrence da Manchúria”, esteve ligado à atuação japonesa na Manchúria e à expansão do controle japonês sobre a região.

Durante o julgamento, foi considerado responsável por seu papel no planejamento e execução de políticas de expansão militar.

Foi condenado à morte e executado em 1948.

4. Seishirō Itagaki (板垣征四郎)

Cargo: general e ministro da Guerra
Atuação: Exército de Kwantung
Destino: executado em 1948

Seishirō Itagaki foi um dos artífices principais do Incidente de Mukden, que deu início à invasão da Manchúria.

Foi chefe do Estado-Maior do Exército de Kwantung e posteriormente ocupou o cargo de ministro da Guerra.

Ele também comandou forças japonesas em diferentes regiões da Ásia durante o conflito.

Foi condenado à morte e executado em dezembro de 1948.

5. Heitarō Kimura (木村兵太郎)

Cargo: general e comandante do Exército de Área da Birmânia
Destino: executado em 1948

Heitarō Kimura ocupou importantes posições no Ministério da Guerra e posteriormente comandou forças japonesas na Birmânia (atual Mianmar).

Seu nome ficou associado às operações militares japonesas no Sudeste Asiático e ao tratamento brutal dispensado a prisioneiros de guerra e trabalhadores forçados.

Foi condenado à morte pelo Tribunal de Tóquio e executado em 1948.

6. Iwane Matsui (松井石根)

Cargo: general do Exército
Atuação: comandante da Força Expedicionária Japonesa na China Central
Destino: executado em 1948

Iwane Matsui é uma das figuras mais controversas relacionadas à Massacre de Nanjing, ocorrido em 1937.

Matsui comandava as forças japonesas na região durante a captura de Nanjing.

Embora sua responsabilidade individual pelos acontecimentos tenha sido objeto de debates históricos, o Tribunal de Tóquio o condenou por crimes relacionados à condução da guerra e às atrocidades cometidas pelas forças sob seu comando.

Foi executado em 1948.

7. Akira Mutō (武藤章)

Cargo: tenente-general e funcionário do Ministério da Guerra
Destino: executado em 1948

Akira Mutō ocupou posições importantes no Ministério da Guerra e posteriormente serviu no Sudeste Asiático.

Ele foi condenado por seu envolvimento na condução da guerra e por crimes e abusos massivos cometidos pelas forças japonesas contra populações civis.

Recebeu pena de morte e foi executado em dezembro de 1948.

Os quatro condenados à prisão perpétua

8. Kiichirō Hiranuma (平沼騏一郎)

Cargo: primeiro-ministro e presidente do Conselho Privado
Destino: prisão perpétua; morreu em 1952

Hiranuma foi primeiro-ministro por um curto período em 1939.

Antes disso, teve importante atuação política e jurídica no Japão imperial, seguindo uma linha ultranacionalista dura.

Foi condenado à prisão perpétua pelo Tribunal de Tóquio.

Morreu em 1952, depois de ser libertado por motivos relacionados à sua saúde.

9. Toshio Shiratori (白鳥敏夫)

Cargo: diplomata e embaixador na Itália
Destino: prisão perpétua; morreu em 1949

Toshio Shiratori foi diplomata e uma figura importante na política externa japonesa.

Serviu como embaixador do Japão na Itália durante o período de aproximação entre Tóquio, Roma e Berlim sendo um fervoroso defensor do Pacto Tripartite.

Foi condenado à prisão perpétua e morreu em 1949.

10. Kuniaki Koiso (小磯國昭)

Cargo: primeiro-ministro e governador-geral da Coreia
Patente: general
Destino: prisão perpétua; morreu em 1950

Kuniaki Koiso foi primeiro-ministro do Japão entre 1944 e 1945, durante uma fase em que a situação militar japonesa se deteriorava rapidamente.

Antes de chegar ao cargo de primeiro-ministro, foi governador-geral da Coreia, então colônia japonesa.

Recebeu sentença de prisão perpétua e morreu na prisão em 1950.

11. Yoshijirō Umezu (梅津美治郎)

Cargo: general e chefe do Estado-Maior do Exército
Atuação: Exército de Kwantung
Destino: prisão perpétua; morreu em 1949

Yoshijirō Umezu foi um dos oficiais militares mais graduados do Japão durante a guerra.

Chegou a chefe do Estado-Maior do Exército Imperial e esteve envolvido na direção das operações militares japonesas. Ele foi um dos últimos irredutíveis a tentar prolongar a resistência antes da rendição em 1945.

Foi condenado à prisão perpétua, mas morreu em 1949.

O diplomata condenado a 20 anos

12. Shigenori Tōgō (東郷茂徳)

Cargo: ministro das Relações Exteriores
Atuação: diplomacia japonesa
Destino: 20 anos de prisão; morreu em 1950

Shigenori Tōgō era um diplomata de carreira.

Foi ministro das Relações Exteriores durante uma das fases mais importantes da guerra (contrário inicial ao choque com os EUA, mas parte do gabinete).

Participou das negociações diplomáticas com os Estados Unidos antes e durante o conflito.

O Tribunal de Tóquio o condenou a 20 anos de prisão.

Tōgō morreu em 1950, enquanto ainda estava preso.

Dois morreram antes do fim do julgamento

Os últimos dois nomes da lista possuem uma situação diferente.

Eles foram incluídos posteriormente entre os 14 consagrados no Yasukuni, mas não chegaram a receber uma sentença definitiva do Tribunal de Tóquio, pois morreram de causas naturais durante o processo.

13. Osami Nagano (永野修身)

Cargo: marechal-almirante da Marinha
Cargo político: ministro da Marinha
Destino: morreu durante o julgamento

Osami Nagano foi um dos oficiais mais importantes da Marinha Imperial Japonesa.

Chegou a ministro da Marinha e ocupou posições de alto comando.

Foi acusado como criminoso Classe A, mas morreu de causas naturais em 1947, antes que o julgamento terminasse.

14. Yōsuke Matsuoka (松岡洋右)

Cargo: ministro das Relações Exteriores
Atuação: diplomata
Destino: morreu durante o julgamento

Yōsuke Matsuoka foi uma das figuras mais importantes da diplomacia japonesa no início da década de 1940.

Foi ministro das Relações Exteriores esteve diretamente envolvido na política externa japonesa durante a aproximação com a Alemanha e a Itália.

Também foi uma figura importante na retirada japonesa da Liga das Nações.

Matsuoka adoeceu durante o julgamento e morreu em 1946, antes de receber uma sentença.

Como os 14 foram parar no Santuário Yasukuni?

Essa é uma das partes mais controversas da história.

Depois da guerra, os nomes dos criminosos Classe A foram tratados com cautela pelo governo japonês e pelo próprio Yasukuni.

Em 1966, o Ministério da Saúde e Bem-Estar forneceu ao santuário informações sobre 12 dos 14 criminosos Classe A já falecidos. Os dois restantes, Matsuoka e Nagano, haviam morrido durante o julgamento e foram inicialmente tratados separadamente.

Durante anos, o Yasukuni não os consagrou.

A situação mudou na década de 1970.

Em outubro de 1978, os 14 foram finalmente consagrados secretamente no santuário. A notícia veio a público em 1979 e provocou forte controvérsia.

O que significa “consagrar” no Yasukuni?

Existe uma diferença importante entre ser enterrado e ser consagrado no Yasukuni.

O Yasukuni não é um cemitério.

No contexto do xintoísmo, as pessoas homenageadas são consideradas kami, ou espíritos sagrados, e seus nomes são incorporados ao culto do santuário.

Por isso, os restos mortais dos 14 criminosos Classe A não estão enterrados no Yasukuni.

É a memória espiritual deles que foi incorporada ao santuário.

Por que a consagração dos 14 é tão polêmica?

O problema está no fato de que o Yasukuni não homenageia apenas os 14. O santuário consagra milhões de pessoas que morreram em conflitos envolvendo o Japão.

Para muitas famílias japonesas, o local é principalmente um espaço de luto e memória familiar.

Entretanto, a inclusão dos 14 criminosos Classe A faz com que o santuário também seja interpretado por China e Coreia do Sul como um símbolo da agressão militar japonesa e do imperialismo japonês.

Essa diferença de interpretação explica boa parte da controvérsia diplomática.

Por que políticos japoneses visitam Yasukuni?

Os políticos que visitam o santuário geralmente afirmam que estão prestando homenagem aos mortos e rezando pela paz.

Críticos, porém, argumentam que uma visita oficial ou de alto nível pode ser interpretada como uma homenagem também aos criminosos de guerra consagrados no local.

Por isso, cada visita de um primeiro-ministro ou ministro japonês ao Yasukuni pode provocar protestos de governos vizinhos.

Em 15 de agosto de 2026, por exemplo, o ministro da Defesa Shinjiro Koizumi visitou o santuário no 81º aniversário da rendição japonesa, enquanto a primeira-ministra Sanae Takaichi não compareceu pessoalmente, mas enviou uma oferenda ritual. China e Coreia do Sul protestaram.

O imperador deixou de visitar Yasukuni

Outro capítulo importante envolve o imperador Hirohito. Depois da consagração dos criminosos Classe A, Hirohito não voltou a visitar pessoalmente o Yasukuni.

Seu último comparecimento ocorreu antes da consagração dos 14. Os imperadores posteriores, Akihito e Naruhito, também não fizeram visitas pessoais ao santuário.

Essa ausência imperial é frequentemente considerada um dos sinais mais importantes da sensibilidade política e histórica envolvendo a consagração dos criminosos de guerra.

Por que os nomes não podem ser retirados?

O Livro das Almas do Santuário Yasukuni, contém os nomes de mais de 2.466.000 pessoas que morreram lutando pelo Império do Japão em diversos conflitos, desde a Guerra Boshin (1868) até a Segunda Guerra Mundial, incluindo os 14 criminosos de guerra.

Muitos historiadores e políticos já sugeriram remover os 14 criminosos de guerra do livro para encerrar a crise internacional.

No entanto, os sacerdotes de Yasukuni recusam-se terminantemente. Sob as leis de liberdade religiosa do Japão pós-guerra, o governo não pode interferir nos assuntos de um santuário privado.

Os sacerdotes alegam que, de acordo com a teologia xintoísta, uma vez que uma alma foi deificada e misturada ao espírito coletivo do altar, é espiritualmente impossível separá-la ou “des-deificar” um nome individual.

Para o xintoísmo de Yasukuni, o Livro das Almas é imutável.

Yasukuni: memória, religião e política

O debate sobre os 14 criminosos Classe A não pode ser separado da própria natureza do Yasukuni. Para algumas pessoas, trata-se de um santuário religioso e local de memória, onde famílias homenageiam parentes mortos.

Para outras, especialmente em países que sofreram a ocupação japonesa, sua associação com líderes responsáveis pela guerra torna o local um símbolo do passado militarista japonês.

As duas interpretações coexistem e ajudam a explicar por que o Yasukuni continua sendo um dos lugares mais sensíveis da memória histórica da Ásia Oriental.

Uma questão que permanece aberta

Mais de 81 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os nomes dos 14 continuam no centro de um debate que ultrapassa a religião.

Eles representam diferentes setores do Estado japonês imperial: militares, diplomatas, primeiros-ministros e altos funcionários.

Sete foram executados após serem condenados à morte. Cinco morreram depois de receber prisão perpétua. Dois morreram durante o julgamento.

Em 1978, todos foram consagrados no Yasukuni.

Desde então, o santuário passou a ocupar uma posição singular na disputa sobre como o Japão deve lembrar sua própria história.

Para uns, os 14 são parte de uma memória de guerra que deve ser preservada. Para outros, sua consagração simboliza uma tentativa de relativizar ou apagar a responsabilidade japonesa pelos crimes cometidos durante a guerra.

O fato é que a história dos 14 criminosos Classe A continua diretamente ligada às relações entre Japão, China e Coreia do Sul e ao debate sobre memória histórica na Ásia.

Curiosidades sobre os 14 criminosos Classe A do Yasukuni

14 pessoas classificadas como criminosos de guerra Classe A estão consagradas no Yasukuni.

7 foram executadas por enforcamento.

5 receberam prisão perpétua e morreram posteriormente.

1 recebeu 20 anos de prisão.

2 morreram durante o julgamento, sem receber sentença definitiva.

12 já haviam morrido quando seus nomes foram inicialmente encaminhados ao Yasukuni em 1966.

Os 14 foram consagrados em 1978, em um processo que inicialmente não foi divulgado publicamente.

Eles não estão enterrados no Yasukuni; suas almas foram incorporadas ao culto do santuário.

A consagração é uma das principais razões pelas quais visitas de autoridades japonesas ao santuário provocam controvérsia internacional.

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Sou apaixonada pelo Japão e sua cultura. Resolvi criar esse blog com o intuito de fazer com que mais e mais pessoas conheçam essa cultura tão rica, incrível e fascinante!

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