Captain Tsubasa: Jogadores brasileiros que inspiraram personagens do anime

Descubra quais jogadores do Brasil inspiraram personagens de Captain Tsubasa e entenda a forte ligação do famoso anime com o futebol brasileiro.
Captain Tsubasa (キャプテン翼), conhecido no Brasil como Super Campeões, possui uma relação quase simbiótica com o Brasil, país que serve como o “ponto de virada” espiritual, técnico e tático para o protagonista Tsubasa Ozora.
O criador da série, Yoichi Takahashi, visitou o Brasil durante a Copa do Mundo de 1998 e ficou tão fascinado com a cultura do futebol do país que transformou o futebol brasileiro na força máxima a ser batida dentro da história.
Abaixo estão os detalhes sobre os jogadores reais homenageados, a relação íntima com o país e o papel central do São Paulo Futebol Clube.
O Brasil como a terra do futebol dos sonhos
Quando Captain Tsubasa começou a ser publicado no início dos anos 1980, o Brasil era visto mundialmente como a maior potência do futebol.
As conquistas nas Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1970 haviam transformado o país em uma referência absoluta do esporte.
Para os japoneses da época, o futebol brasileiro representava criatividade, técnica refinada, alegria em campo, futebol ofensivo e talento individual. Não por acaso, o sonho de Tsubasa sempre foi jogar profissionalmente no Brasil.
Durante a história, ele se muda para o país para atuar nas categorias de base do São Paulo FC, reforçando a ideia de que o Brasil era a “universidade do futebol” para jovens talentos.
O São Paulo FC como o Berço de Tsubasa
Na cronologia oficial do mangá e do anime (especialmente na saga World Youth), o São Paulo FC é o clube mais importante da carreira do protagonista após ele deixar o Japão.
A Escolha do Clube: Tsubasa muda-se para o Brasil aos 15 anos para realizar o sonho de se tornar um jogador profissional.
Ele ingressa nas categorias de base do São Paulo FC (chamado no mangá de Brancos ou diretamente de São Paulo, dependendo da versão e dos direitos).
O Camisa 10 do Morumbi: Tsubasa brilha no time juvenil e é promovido ao elenco profissional do Tricolor Paulista, assumindo a mística camisa 10.
Na história, ele lidera o São Paulo na conquista do Campeonato Brasileiro em uma final épica contra o Flamengo (liderado por seu grande rival Carlos Santana).
Mas por que o São Paulo FC?

Yoichi Takahashi escolheu o São Paulo FC devido ao assombro global causado pelo time de Telê Santana no início dos anos 1990, que venceu o Barcelona e o Milan no Japão pelo Mundial de Clubes.
Takahashi ficou impressionado com a qualidade técnica e com as cores do clube, adotando o Morumbi como o cenário perfeito para o desenvolvimento de seu herói.
O personagem principal Oliver Tsubasa foi inclusive inspirado no jogador Musashi Mizushima que jogou no São Paulo FC na década de 1980 e atualmente é o treinador de futebol da Universidade Kyushu, uma das mais importantes do Japão.
O autor Yoichi Takahashi veio para o Brasil diversas vezes e durante uma de suas visitas em 2014, foi recebido com honras de Estado no Complexo do Morumbi.
A diretoria do São Paulo formalizou a relação entregando ao autor uma carteirinha oficial de Sócio-Torcedor e uma camisa personalizada com o seu nome.
Takahashi declarou publicamente em entrevistas no estádio que, no futebol brasileiro, seu coração pertence exclusivamente ao Tricolor Paulista, clube que ele acompanha e torce desde o início dos anos 1990 devido à “Era de Ouro” de Telê Santana.
Craques Brasileiros Homenageados na Obra

O Brasil é retratado como o “reino do futebol”, e seus jogadores são os chefões finais de várias sagas:
Roberto Dinamite e Sócrates como “Roberto Hongo”: O mentor de Tsubasa, o ex-craque nipo-brasileiro que o descobre no Japão e o traz para o São Paulo, foi moldado fisicamente e no estilo de vida boêmio/técnico com base em lendas como Sócrates e Roberto Dinamite.
Rivaldo como “Rivaul”: É o maior jogador do mundo na fase adulta da obra. Quando Tsubasa se transfere para o Barcelona, ele precisa disputar a posição de titular com Rivaul, que é canhoto, gênio e o capitão da equipe.
Zico como “Coimbra”: No jogo de videogame clássico da Tecmo (Captain Tsubasa II) e adaptado de forma conceitual na obra, o jogador Coimbra é o “super-humano” do futebol brasileiro, inspirado na genialidade e na batida de bola de Zico.
Ronaldinho Gaúcho como “Alves”: Retratado nas sagas de liga espanhola, exibe os dribles elásticos, o sorriso constante e a magia com a bola idênticos aos de Ronaldinho no auge.
Roberto Carlos como “Roberto Carolus”: O lateral-esquerdo do Real Madrid é homenageado como um defensor de força física e potência de chute devastadora.
Romário como “Carlos Santana”: Apesar de apresentarem personalidades diferentes, o estilo de jogo, a habilidade goleadora e o porte físico do craque brasileiro foram a base para a criação do personagem
Neymar como “Neymar”: Em arcos recentes focados nas Olimpíadas de Madri, Takahashi incluiu o próprio Neymar (sem pseudônimos) como uma das grandes ameaças da nova geração da Seleção Brasileira.
Craques Europeus e Mundiais Homenageados
O criador de Captain Tsubasa também se inspirou em estrelas do futebol europeu e latino.
Diego Maradona como “Juan Diaz”: O capitão e gênio da Argentina. Baixo, de cabelos cacheados, capaz de driblar um time inteiro sozinho e dotado de uma personalidade marrenta e genial idêntica à de Maradona.
Jorge Valdano como “Alan Pascal”: Jogador argentino que jogou com Maradona durante a competição mundial de 1986. Assim como na vida real, Juan e Pascal possuem uma forte amizade, e uma parceria inabalável.
Zinedine Zidane como “Zeddane”: Retratado com extrema fidelidade tática e visual, incluindo a calvície característica. É o maestro clássico da França e do Real Madrid, dono de giros perfeitos sobre a bola e visão cirúrgica.
Edgar Davids como “Willem Arminius”: O incansável volante holandês da Juventus foi homenageado com seus icônicos óculos protetores e tranças dreadlocks.
Karl-Heinz Rummenigge como “Karl Heinz Schneider”: O grande rival europeu de Tsubasa na juventude, capitão da Alemanha, apelidado de “Kaiser” (Imperador) e dono de um faro de gol implacável.
Gianluigi Buffon como “Gino Hernandez”: O paredão, capitão e goleiro da seleção da Itália, espelhando a elasticidade, segurança e liderança do jovem Buffon.
Edgar Davids como “Davi”: Jogador da seleção holandesa e ex-jogador da Juventus que usa seus dreadlocks e óculos como marcas registradas.
Waldemar Victorino como “Ramón Victorino”: Atacante uruguaio, que conquistou a Copa Libertadores com o Club Nacional e a Copa Ouro dos Campeões do Mundo da FIFA de 1980, marcando gols decisivos nas finais desses torneios.
Jorge Campos como “Ricardo Espadas”: Goleiro da seleção mexicana, Jorge Campos era por sua habilidade e uniformes extravagantes.
Roberto Baggio como “Roberto Baggio”: Jogador italiano que atuava como meia-atacante e um dos únicos que o personagem manteve o nome verdadeiro.
O futebol brasileiro no coração de Captain Tsubasa
O Caso do Nankatsu SCA relação com o futebol real ficou tão séria que o autor Yoichi Takahashi comprou um time de futebol de verdade no Japão e o batizou de Nankatsu SC (o mesmo nome do time de colégio de Tsubasa).
O uniforme oficial do clube é idêntico ao do anime e, em uma bela homenagem de retorno às origens, a equipe frequentemente contrata jogadores brasileiros ou faz parcerias de intercâmbio com o futebol paulista para manter vivo o elo que uniu o São Paulo ao Japão na ficção.
Essa admiração ajudou a fortalecer a imagem do futebol brasileiro entre os japoneses e contribuiu para a aproximação cultural entre os dois países.
Mais do que um simples cenário, o Brasil tornou-se um símbolo dentro da obra: o lugar onde os sonhos futebolísticos ganham vida.
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