Japão bate recorde histórico e ultrapassa 100 mil pessoas com 100 anos ou mais em 2026

Japão supera 100 mil centenários pela primeira vez. São 107.677 pessoas com 100 anos ou mais, segundo dados oficiais de setembro de 2026.
O Japão acaba de ultrapassar uma marca demográfica que parecia distante quando o governo começou a contabilizar oficialmente seus centenários.
Em setembro de 2026, o país passou pela primeira vez da marca de 100 mil pessoas com 100 anos ou mais. Segundo os dados mais recentes do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, existem atualmente 107.677 centenários no país.
O número representa um aumento de 7.914 pessoas em apenas um ano e estabelece um novo recorde. É também o 56º ano consecutivo de crescimento da população japonesa com 100 anos ou mais.
O dado foi divulgado em 15 de setembro, justamente no período em que o Japão celebra o Rōjin no Hi (老人の日), o Dia dos Idosos, e poucos dias antes do Keirō no Hi (敬老の日), o Dia do Respeito aos Idosos, celebrado na terceira segunda feira de setembro.
Mas por trás do número impressionante existe uma transformação muito maior: o Japão está envelhecendo em uma escala sem precedentes, enquanto sua população total diminui.
Japão chega a 107.677 pessoas com 100 anos ou mais
De acordo com os dados oficiais de 2026, o Japão possui:
| Indicador | Número |
| Pessoas com 100 anos ou mais | 107.677 |
| Mulheres | 94.298 |
| Homens | 13.379 |
| Mulheres entre os centenários | 87,6% |
| Aumento em relação a 2025 | 7.914 pessoas |
Crescimento consecutivo 56º ano
As mulheres representam aproximadamente 87,6% de todos os centenários japoneses.
São 94.298 mulheres com 100 anos ou mais, contra 13.379 homens.
A diferença entre os sexos é uma das características mais marcantes da longevidade japonesa.
De apenas 153 centenários a mais de 100 mil
Talvez a melhor maneira de compreender a dimensão dessa transformação seja voltar ao início da série histórica.
Quando o Japão começou a realizar sua pesquisa sobre pessoas com 100 anos ou mais, em 1963, havia apenas 153 centenários registrados no país.
O número passou de:
● 153 pessoas em 1963
● mais de 1.000 em 1981
● mais de 10.000 em 1998
● mais de 50.000 em 2012
● 99.763 em 2025
● 107.677 em 2026
Ou seja, em pouco mais de seis décadas, o número passou de algumas centenas para mais de cem mil pessoas. A marca de 100 mil, portanto, não é apenas um novo recorde anual.
Ela representa uma mudança profunda na estrutura etária da sociedade japonesa.
2025: o Japão quase chegou aos 100 mil
O recorde de 2026 foi precedido por outro marco importante.
Em setembro de 2025, o Japão registrava 99.763 pessoas com 100 anos ou mais.
Faltavam apenas 237 pessoas para alcançar a marca de 100 mil.
Um ano depois, o número subiu para 107.677, superando amplamente esse limite.
O crescimento entre os dois anos foi de 7.914 pessoas.
Esse aumento fez de 2026 o ano em que o Japão finalmente entrou oficialmente na era dos “100 mil centenários”.
Por que os japoneses estão vivendo tanto?
Não existe uma única explicação para a longevidade japonesa.
O próprio Ministério da Saúde japonês aponta diferentes fatores relacionados ao aumento da expectativa de vida e ao crescimento do número de pessoas que chegam aos 100 anos.
Entre eles estão:
● melhoria das condições de vida;
● avanços na medicina;
● melhoria da alimentação e da nutrição;
● melhores condições sanitárias;
● maior acesso aos serviços de saúde;
● redução da mortalidade por diversas doenças;
● melhoria das condições sociais ao longo das décadas.
O ministro da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, Kenichirō Ueno, afirmou que a melhoria das condições de vida, da alimentação e nutrição e os avanços da tecnologia médica estão entre os fatores relacionados ao aumento da longevidade.
É importante, porém, evitar uma explicação simplista segundo a qual existe apenas um “segredo japonês” para chegar aos 100 anos.
A longevidade é resultado da combinação de fatores biológicos, sociais, econômicos, ambientais e médicos.
A alimentação japonesa explica tudo?
A alimentação é frequentemente citada quando se fala sobre a longevidade japonesa.
O consumo tradicional de peixes, vegetais, arroz, soja e outros alimentos faz parte da explicação frequentemente discutida por pesquisadores e especialistas.
Mas seria incorreto afirmar que simplesmente comer “comida japonesa” garante uma vida mais longa.
Os hábitos alimentares também mudaram profundamente no Japão ao longo das últimas décadas.
Além disso, a melhoria da saúde pública, vacinação, atendimento médico, controle de doenças infecciosas, diagnóstico precoce e tratamentos mais eficazes tiveram papel fundamental no aumento da sobrevivência.
A longevidade japonesa é, portanto, resultado de uma combinação muito mais ampla.
Mais mulheres do que homens entre os centenários
Uma das características mais impressionantes dos dados de 2026 é a diferença entre homens e mulheres.
Dos 107.677 centenários: 94.298 são mulheres e 13.379 são homens.
Isso significa que quase nove em cada dez pessoas com 100 anos ou mais no Japão são mulheres.
Essa predominância feminina não é exclusiva do Japão.
Em muitos países, as mulheres apresentam maior expectativa de vida e maior probabilidade de chegar às idades mais avançadas.
Mas, em uma população tão envelhecida como a japonesa, essa diferença se torna particularmente visível.
Quem é a pessoa mais velha do Japão?
A liderança entre os japoneses mais longevos também mudou em 2026.
A japonesa Shigeko Kagawa, que tinha 115 anos e vivia em Nara, morreu em 27 de agosto de 2026.
Depois de sua morte, a pessoa mais velha do Japão passou a ser Fuyo Kishimoto, de 114 anos, residente em Kyoto. Nascida em 1911 (Meiji 44), acredita-se que ela seja a última pessoa nascida na era Meiji ainda viva no Japão.
A identificação das pessoas mais longevas é acompanhada com atenção no Japão, especialmente porque o país possui uma das maiores populações de pessoas em idades extremamente avançadas do mundo.
Mais de 54 mil pessoas completam 100 anos em 2026
Existe uma diferença importante entre número total de centenários e número de pessoas que completam 100 anos naquele ano.
Em 2026, o governo japonês identificou 54.294 pessoas que completariam ou completaram 100 anos durante o ano e estavam vivas em 15 de setembro.
Desse grupo: 8.525 eram homens e 45.769 eram mulheres
Essas pessoas são homenageadas pelo governo japonês por ocasião do Rōjin no Hi, celebrado em 15 de setembro.
O presente do governo japonês para quem completa 100 anos
Certificado de Longevidade por Ter Chegado aos 100 Anos de Idade (photo-ac)
A tradição de homenagear oficialmente os centenários japoneses começou em 1963. Desde então, o governo envia uma carta de congratulações do primeiro-ministro e um presente comemorativo às pessoas que completam 100 anos e atendem aos critérios estabelecidos.
A iniciativa tem dois objetivos principais: celebrar a longevidade e agradecer a contribuição dessas pessoas para o desenvolvimento da sociedade.
A homenagem está relacionada ao Rōjin no Hi, estabelecido em 15 de setembro pela legislação japonesa de bem-estar dos idosos.
Keirō no Hi e Rōjin no Hi: qual é a diferença?
As datas podem causar confusão. O Japão possui:
Rōjin no Hi – 老人の日: O Dia dos Idosos é celebrado em 15 de setembro.
A data está prevista na Lei de Bem-Estar dos Idosos e tem como objetivo ampliar o interesse e a compreensão da sociedade em relação ao bem-estar da população idosa.
Keirō no Hi – 敬老の日: O Dia do Respeito aos Idosos é um feriado nacional celebrado na terceira segunda-feira de setembro.
Em 2026, será celebrado em 21 de setembro. A data é dedicada a homenagear as pessoas idosas e celebrar a longevidade.
Assim, o Japão chega à marca de 100 mil centenários justamente durante um período do calendário nacional dedicado ao respeito e à valorização da população idosa.
O Japão está ficando mais velho enquanto encolhe
Imagem: photo-ac
O número recorde de centenários acontece em um momento paradoxal.
Enquanto aumenta a quantidade de pessoas que chegam aos 100 anos, a população total do Japão continua diminuindo.
Isso significa que a proporção de pessoas idosas dentro da população tende a aumentar.
O fenômeno cria desafios importantes para o país, incluindo:
● sistemas de aposentadoria;
● saúde pública;
● cuidados de longa duração;
● instituições para idosos;
● mercado de trabalho;
● sucessão de empresas familiares;
● disponibilidade de mão de obra;
● isolamento social;
● planejamento urbano;
● sustentabilidade dos serviços públicos.
O envelhecimento, portanto, não é apenas uma questão relacionada à saúde.
É uma transformação que afeta praticamente todos os setores da sociedade japonesa.
Viver mais também significa viver melhor?
O crescimento do número de centenários levanta uma questão importante: viver mais significa necessariamente viver melhor?
A resposta depende de outro indicador: a chamada expectativa de vida saudável, ou seja, o período em que uma pessoa consegue viver sem limitações significativas relacionadas à saúde.
O próprio Ministério da Saúde japonês destacou, em setembro de 2026, que o aumento da longevidade saudável pode permitir que pessoas mais velhas continuem contribuindo para a sociedade, inclusive por meio de atividades sociais.
Essa distinção é fundamental. O desafio de uma sociedade longeva não é apenas fazer com que as pessoas cheguem aos 100 anos.
É criar condições para que tenham autonomia, participação social, segurança, vínculos familiares e qualidade de vida durante o maior período possível.
O papel dos idosos na sociedade japonesa
Imagem: depositphotos
A imagem do idoso como alguém necessariamente afastado da vida social também está mudando.
Muitos japoneses continuam trabalhando depois da idade tradicional de aposentadoria.
Outros participam de atividades comunitárias, voluntariado, associações locais, agricultura, cuidados familiares ou atividades culturais.
Em sua declaração de setembro de 2026, o ministro Ueno destacou justamente o significado social de pessoas que permanecem ativas por mais tempo.
Isso não significa que todos os idosos japoneses tenham a mesma condição ou que a velhice seja livre de dificuldades. O envelhecimento também pode envolver doenças, limitações físicas, solidão e necessidade de cuidados.
Por isso, a questão central para o Japão é conciliar maior longevidade com qualidade de vida e apoio social adequado.
O que os 107 mil centenários revelam sobre o Japão?
O número de 107.677 pessoas com 100 anos ou mais conta uma história que vai muito além da longevidade. Ele mostra como o Japão mudou desde a década de 1960.
O país passou de uma sociedade na qual chegar aos 100 anos era uma exceção para outra em que a presença de centenários se tornou uma característica demográfica significativa.
Apesar de ser uma transformação extraordinária, é também é um alerta sobre o futuro.
Atualmente o país enfrenta uma acentuada queda populacional, baixa natalidade e aumento da proporção de idosos.
O Japão vive portanto uma situação demográfica singular: nunca houve tantos centenários, mas também nunca foi tão importante pensar em como uma sociedade com cada vez menos habitantes poderá cuidar de uma população cada vez mais longeva.
A marca dos 100 mil centenários é, ao mesmo tempo, uma celebração da capacidade humana de viver mais e um retrato das profundas transformações que aguardam o Japão nas próximas décadas.
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