A polêmica bandeira Kyokujitsu-ki: história, simbolismo e controvérsias

Kyokujitsu-ki, a polêmica bandeira do Sol Nascente

A bandeira Kyokujitsu-ki gera controvérsia por sua ligação com o imperialismo japonês. Entenda seu simbolismo e por que ela divide opiniões na Ásia.

A Kyokujitsu-ki (旭日旗), conhecida internacionalmente como Bandeira do Sol Nascente, é um dos símbolos mais controversos associados ao Japão.

Para alguns, ela representa tradição, identidade e herança cultural; para outros, evoca memórias de imperialismo, violência e ocupação militar no Leste Asiático.

Entender a polêmica exige olhar para sua origem histórica, seus usos ao longo do tempo e as leituras distintas que países e grupos fazem do símbolo.

Origem e significado do Sol Nascente

O motivo do sol ocupa lugar central na simbologia japonesa desde a Antiguidade. O próprio nome do país, Nihon/Nippon, significa “origem do sol”.

A Kyokujitsu-ki apresenta um disco solar vermelho com 16 raios se expandindo, imagem associada a energia, prosperidade e boa fortuna.

A bandeira começou a ser usada oficialmente no século XIX, durante a modernização do Japão no período Meiji, como estandarte do Exército Imperial Japonês e, mais tarde, da marinha.

Diferença entre a Bandeira Nacional e a do Sol Nascente

Bandeiras usadas no JapãoImagem: photo-ac

É importante não confundir as duas:

Nisshoki (Hinomaru): O círculo vermelho sobre fundo branco sem raios. É a bandeira nacional oficial e é geralmente aceita internacionalmente.

Kyokujitsu-ki: O círculo com raios. É esta versão que carrega a carga política e o estigma do período militarista (1870–1945).

Uso militar e expansão imperial

Entre o final do século XIX e 1945, a Kyokujitsu-ki esteve presente nas campanhas militares japonesas na Ásia e no Pacífico. Nesse período, tropas do Japão atuaram em regiões como a Península Coreana, partes da China e o Sudeste Asiático.

Para populações que viveram sob ocupação, o símbolo ficou associado a:

● repressão cultural
● trabalho forçado
● violência contra civis
● crimes de guerra

Esse legado histórico moldou a percepção negativa da bandeira em diversos países vizinhos.

Símbolo do Imperialismo e comparação com a suástica nazista

Bandeira do Sol NascenteImagem: photo-ac

O uso da bandeira é altamente controverso em países que sofreram a ocupação japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente na Coreia do Sul e na China.

Para estas nações, a Kyokujitsu-ki é comparada à suástica nazista, sendo vista como um símbolo das atrocidades cometidas pelo Exército Imperial Japonês.

A principal crítica é que o Japão nunca proibiu formalmente o símbolo, nem o removeu completamente de contextos oficiais após a Segunda Guerra Mundial.

Uso contemporâneo no Japão

Diferente da bandeira nacional do Japão (Hinomaru), a Kyokujitsu-ki tem um papel militar e cerimonial específico, sendo usada pela:

Força Marítima de Autodefesa (JMSDF): Desde 1954, uma versão da bandeira é a insígnia oficial das embarcações de guerra do Japão.
Força de Autodefesa Terrestre (JGSDF): Utiliza uma versão modificada com 8 raios e uma borda dourada.

O governo japonês mantém a posição de que a bandeira é parte integrante da cultura japonesa e que seu uso moderno pelas forças de autodefesa não tem conotação política ou militarista.

Imagem: Depositphotos

A bandeira também aparece em festivais tradicionais, artes e produtos culturais e também é utilizada por grupos nacionalistas, o que reforça a associação negativa para os países vizinhos.

Entre a população, muitos veem o símbolo como algo cultural e defendem que o design simboliza “fortuna”, “sol nascente” e “vitalidade”, sendo historicamente usado em celebrações de pesca abundante, nascimentos e festivais muito antes da era militarista.

A controvérsia em eventos esportivos e culturais

Embora não seja oficialmente proibida no Japão, seu uso público fora do país, especialmente em eventos esportivos internacionais como as Olimpíadas, costuma gerar protestos diplomáticos, incidentes entre torcedores e pedidos de banimento.

Esses episódios evidenciam como símbolos históricos podem assumir significados radicalmente diferentes dependendo da memória coletiva de cada sociedade.

Memória histórica e interpretações opostas

O cerne da polêmica não está apenas na bandeira em si, mas na forma como o passado é lembrado e ensinado. Enquanto parte do Japão a enxerga como expressão identitária, países que sofreram sob o imperialismo japonês veem nela um símbolo de trauma histórico.

Essa divergência reflete debates mais amplos sobre:

● responsabilidade histórica
● pedidos de desculpas oficiais
● educação sobre o período da guerra

Por isso, é recomendável que viajantes não exibam o símbolo fora do Japão, dada a sensibilidade extrema que ele evoca em outras partes da Ásia.

Conclusão

Kyokujitsu-ki é um exemplo claro de como símbolos podem carregar camadas complexas de significado. Entre tradição e trauma, orgulho nacional e memória dolorosa, a bandeira do Sol Nascente permanece no centro de um debate que ultrapassa fronteiras e gerações.

Compreender a polêmica exige reconhecer perspectivas múltiplas, respeitar a memória histórica dos povos afetados e entender que símbolos nunca são neutros — eles refletem a história de quem os carrega e de quem os observa.

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Sou apaixonada pelo Japão e sua cultura. Resolvi criar esse blog com o intuito de fazer com que mais e mais pessoas conheçam essa cultura tão rica, incrível e fascinante!

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