Chin Japonês: o Pequeno Cão da Nobreza Imperial do Japão

O chin japonês é um cão nobre, elegante e silencioso, ligado à corte imperial do Japão. Conheça sua origem, temperamento e cuidados essenciais.
No Japão, a palavra inu significa simplesmente “cão” e aparece no nome de praticamente todas as raças caninas do país, como Akita Inu, Shiba Inu e Tosa Inu.
A grande exceção é o Chin Japonês (狆), cuja denominação singular reflete o status único que essa raça sempre ocupou na sociedade japonesa.
O chin japonês é uma das raças mais elegantes e simbólicas associadas à cultura japonesa. Pequeno, expressivo e de comportamento refinado, esse cão foi durante séculos companheiro exclusivo da nobreza e da corte imperial, sendo tratado não apenas como animal de estimação, mas como um verdadeiro membro da família aristocrática.
Mais do que um cão de colo, o chin japonês representa uma forma singular de relação entre humanos e animais, marcada por delicadeza, respeito e convivência silenciosa.
Características físicas marcantes
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O chin japonês é facilmente reconhecível por sua aparência delicada e expressiva.
● Porte pequeno e elegante
● Olhos grandes, arredondados e expressivos
● Focinho curto e achatado
● Pelagem longa, sedosa e abundante
● Cores mais comuns: branco com preto ou branco com vermelho
Um pouco da história do chin japonês
A verdadeira origem do Chin Japonês está na China, onde a cronologia da raça remonta pelo menos ao século IV. Registros de mosteiros, artefatos históricos e pinturas de templos indicam uma relação ancestral entre o Chin, o Pequinês, o Shih Tzu, o Lhasa Apso e o Spaniel Tibetano, todos venerados por seus laços religiosos simbólicos com o “cão leão” budista.
Os ancestrais do Chin chegaram ao Japão entre os séculos VI e VIII, como presentes diplomáticos dos imperadores chineses à nobreza japonesa.
Desde o início, esses pequenos cães foram tratados com um nível de reverência extraordinário, quase cerimonial, sendo considerados símbolos de prestígio e refinamento. No Japão, a raça foi refinada ao longo dos séculos, adquirindo características próprias.
O cão mais mimado da história japonesa
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Com uma história milenar, o Chin Japonês é considerado a primeira raça canina japonesa a receber reconhecimento oficial internacional.
Diferente da maioria das raças japonesas (como o Akita ou Shiba), que eram cães de trabalho ou caça, o Chin era o cão de colo da realeza.
Vivendo no interior dos palácios e criados exclusivamente como cães de companhia da elite, os Chins eram alimentados com iguarias, dormiam em camas aquecidas com travesseiros de seda e, durante o verão, recebiam até gelo na boca para aliviar o calor.
Servos eram rigorosamente instruídos a não incomodar um Chin adormecido, e qualquer pessoa que pisasse acidentalmente em sua pata ou cauda poderia sofrer punições severas sob a lei imperial. Eles eram tratados como joias vivas nos palácios imperiais.
Durante o período Edo, o xogum Tokugawa Tsunayoshi era um grande entusiasta da raça, elevando o status do Chin a um tesouro nacional.
Comportamentos únicos e curiosos
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Diferente de muitas raças de companhia, o chin japonês possui um temperamento independente e observador. Ele demonstra afeto sem ser excessivamente carente.
Eles costumam ser:
● calmos e silenciosos
● extremamente atentos ao ambiente
● inteligentes e sensíveis
● criam forte vínculo com o tutor
● costumam escolher uma pessoa favorita
É um cão que aprecia tranquilidade e rotina, adaptando-se bem a apartamentos e ambientes internos. Muitos tutores relatam que o chin japonês apresenta atitudes pouco comuns em cães, descrevendo o seu comportamento como “semelhante ao de um gato”.
● gostam de observar o ambiente de locais elevados
● usam as patas dianteiras de forma semelhante a um gato
● possuem expressões faciais muito comunicativas
Essas características reforçam sua fama de cão refinado e quase felino.
Sua presença em pinturas antigas, registros históricos e relatos da corte reforça seu papel como um cão mais contemplativo do que funcional, criado para compartilhar momentos de intimidade e calma.
Um tesouro mais valioso que ouro
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A posse de um Chin era privilégio absoluto da aristocracia. Camponeses e cidadãos comuns eram proibidos de ter um exemplar, o que elevou o valor desses cães a patamares superiores aos do ouro. O Chin não era apenas um animal de estimação, mas um verdadeiro bem de luxo.
A obsessão pelo tamanho: quanto menor, melhor
Os criadores japoneses dedicaram-se a refinar a raça com foco especial no tamanho reduzido. Quanto menor o cão, mais valioso ele era considerado. Há relatos históricos de filhotes que recebiam saquê para retardar o crescimento.
Chins adultos com menos de 1,5 kg eram especialmente apreciados, pois podiam ser carregados discretamente sob as mangas dos quimonos ou em pequenas cestas. Mantidos quase sempre isolados, esses cães raramente eram vistos por estrangeiros.
O isolamento do Japão e o encontro com o Ocidente
No século XVII, com a ascensão do xogunato Tokugawa, o Japão adotou uma política de isolamento quase total em relação ao Ocidente, permitindo apenas um entreposto comercial holandês. Esse período de reclusão durou cerca de 200 anos.
A reabertura ocorreu em 1854, com a assinatura do Tratado de Kanagawa. Foi nesse momento que os primeiros Chins, então chamados de “Japanese Toy Spaniels” ou “Japanese Pugs”, começaram a ser exportados. No mesmo ano, o Comodoro Perry presenteou a Rainha Vitória com um casal da raça.
A realeza britânica e a consagração europeia

Em 1863, após seu casamento com o futuro rei Eduardo VII, a Rainha Alexandra recebeu um Chin Japonês da família real britânica. Encantada, ela importou exemplares do Japão e da China, sendo frequentemente fotografada e retratada ao lado de seus cães.
O entusiasmo da rainha foi decisivo para a popularização do Chin na Inglaterra e em toda a Europa, consolidando sua imagem como cão aristocrático por excelência. Como a raça nunca se tornou massificada, seu perfil manteve-se exclusivo e discreto.
Reconhecimento nos Estados Unidos
Em 1888, a raça — então conhecida como Spaniel Japonês — tornou-se uma das primeiras a ser oficialmente reconhecida pelo American Kennel Club (AKC). Pouco depois, um cão chamado “Jap” foi registrado como o primeiro exemplar da raça nos Estados Unidos.
A popularidade cresceu rapidamente entre a elite americana, e já na década de 1940 o Chin contava com criadores dedicados no país.
A guerra e a preservação da raça
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A Segunda Guerra Mundial interrompeu as importações do Japão, forçando criadores americanos a manter a raça com exemplares locais e alguns cães vindos da Europa. Apesar das dificuldades, o Chin sobreviveu graças ao empenho desses entusiastas.
Em 1977, o nome oficial da raça foi finalmente padronizado como Japanese Chin.
No entanto, o chin japonês é considerado uma raça difícil de ser encontrada até mesmo no Japão. Segundo estatísticas do Japan Kennel Club (JKC) de 2024, o Chin estava em 39º lugar com 271 cães, de um total de 306.642 cães de 139 raças.
Um companheiro criado para encantar
Ao longo de toda a sua história, o Chin Japonês jamais teve outra função além de encantar, confortar e divertir os humanos. Criado exclusivamente para a companhia da realeza, ele carrega até hoje uma postura digna e elegante.
Ao mesmo tempo, sua natureza gentil, afetuosa, sensível e seu curioso senso de humor explicam por que o Chin permanece, há séculos, um dos companheiros mais queridos e singulares do mundo canino.
Apesar da aparência sofisticada, o chin japonês exige cuidados excessivamente complexos como escovação regular da pelagem, atenção aos olhos e ao focinho curto, passeios leves e controlados e ambiente fresco, pois é muito sensível ao calor.
Pequeno no tamanho, mas grande em personalidade, ele é ideal para quem busca um companheiro tranquilo, sensível e sofisticado.
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