Filme A Balada de Narayama (Narayama-Bushi Ko)


A Balada de Narayama

Filme A Balada de Narayama

Hoje vim trazer a sugestão de um filme para vocês assistirem. Narayama-bushi kô (Balada de Narayama), é um filme dirigido por Shohei Imamura e vencedor da palma de Ouro no Festival de Cannes em 1983. Shohei Imamura foi o primeiro diretor japonês a receber duas Palmas de Ouro no Festival.

A história é baseada em uma lenda tradicional, antiga e muito sinistra que permeou o século 19. Os moradores que completassem 70 anos de idade em uma aldeia remota  e muito pobre localizada em uma montanha no norte do Japão, eram considerados pessoas incapazes de contribuir para o bem-estar da comunidade.

Portanto, o idoso (a) era levado até o topo do Monte Sagrado de Nara e era deixado lá até que morresse de fome ou frio, porém abençoado pelos deuses que residem na Montanha. Acreditava-se que esse sacrifício era necessário pois a comida era racionada e assim, evitaria que alguém morresse de fome na aldeia.

Aquele que se recusasse a cumprir a tradição, traria vergonha e desonra para sua família. Seguindo este contexto, o filme Narayama-Bushi Ko conta a história dramática vivida por Orin (Sumiko Sakamoto). Sabendo que completaria 70 anos em breve, ela se prepara para a sua partida durante o ano inteiro.

Orin, que vivia com um de seus filhos e três netos, sentia a necessidade de procurar uma esposa para o seu filho mais velho, Tatsuhei (Ken Ogata), antes que chegasse a hora de cumprir a amarga tradição, que no século 19 era chamada de Ubasute (姥捨て).

Comentei sobre essa tradição no artigo sobre a Os Mistérios da Floresta de Aokigahara.

Ao receber a nova esposa do seu filho mais velho, Orin a ensina onde é o melhor lugar para capturar peixes e como cuidar da família. No dia de cumprir o ritual, Orin é levada nas costas do seu filho até o topo da montanha, onde centenas de esqueletos e corvos negros famintos esperam pelas próximas vítimas do ritual nefasto.

O Diretor Shohei Imamura soube sabiamente abordar o conflito existente entre a tradição desumana que era julgada necessária em pró da sobrevivência da pequena aldeia, e a ideia de que pessoas idosas deveriam ser honradas e respeitadas e não jogadas em uma montanha para que morressem sozinhas e de forma cruel.

A primeira versão desse filme foi em 1958. Esta portanto é a segunda versão, filmado 25 anos depois da primeira, ambos baseados em um romance de Shichiro Fukazawa. Nesta segunda versão, o diretor Shohei Imamura inseriu algumas cenas mais dinâmicas, além das cenas de sexo, que eram ausentes na primeira versão.

Enfim, o filme A Balada de Narayama de Shohei Imamura, completa este ano 30 anos desde a sua estreia, mas mesmo assim, continua sendo um clássico, uma obra prima desse diretor considerado um dos melhores do Japão. Vale a pena conferir, caso curta este estilo de filme. Não deixe de comentar sobre o que achou ok 🙂

Assistam ao filme A Balada de Narayama

PS: O filme está com áudio em japonês. Ative a legenda em português através da configuração do vídeo. Caso não saiba, confira o tutorial.

Elenco: Ken Ogata , Sumiko Sakamoto , Tonpei Hidari , Takejo Aki , Shoichi Ozawa

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12 Comentários

  1. márcio rodrigues

    Caracas… nunca vou querer curtir uma balada dessa… 😯

  2. Marilene Leiko Hata

    Já assisti e achei bem triste.

  3. Douglas Bezerra

    Só me falta tempo para assistir : /

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  5. Japão em Foco

    Oi Marilene!
    Realmente é um filme bem triste mesmo! É quase inacreditável ver como as pessoas viviam de forma primitiva em algumas aldeias do Japão. Ainda bem que esse costume não existe mais e que hoje em dia o respeito pelos idosos é muito grande no Japão.

    Oi Márcio e Douglas!
    Se ainda não assistiram, assistam pois vale a pena. Pelo menos, eu gostei muito!
    Abraços!

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  7. Roldão Simas Filho

    Filme muito, muito triste, mas atualíssimo em função do aumento proporcional dos velhos nas populações, inclusive no Brasil, e a falta de amparo do Estado para os desamparados. Assunto muito sério e grave.

  8. O ser humano tem recursos e soluções para tudo quando quer pensar positivamente. Matar velhos de abandono e fome é inconcebível. O que uns têm de menos há os que têm de mais (excessivamente).
    O que precisamos é reduzir desigualdades. Esta história, infelizmente, está acontecendo em várias partes do mundo de formas diversas como pelas guerras, fundamentalismo religioso, ganância dos poderosos e muitas vezes corruptores e cartelizados, políticos incompetentes e corruptos, abandono prematuro das pessoas, começando pelas crianças, que morrem aos milhões em várias partes do mundo, antes de chegarem à adolescência.
    Existem recursos suficientes para que velhos e novos vivam sem essas atrocidades. Basta que haja a tão apregoada “humanidade” mas, realmente, não praticada por quem tem as rédeas do mundo em suas mãos.
    Lutar por um mundo mais justo deve ser a meta de todos e não nos deixarmos influenciar por filme tão triste. Porém, serve de alerta para aqueles que são eternamente acomodados e se contentam com tão pouco durante suas vidas.
    Chegou a hora de todos nos conscientizarmos que para que tal meta seja atingida é preciso uma boa educação para todos, sem excepções, e por ela terá de ser travada uma grande luta, entre outras coisitas mais.
    As pessoas habituaram-se a sofrer sem reagirem. REAGIR É PRECISO E NÃO NOS DEIXARMOS ABATER AO TOMARMOS CONHECIMENTO DE SITUAÇÕES REAIS E DESALENTADORAS, COMO SE ELAS FOSSEM ACEITÁVEIS E AS TIVÉSSEMOS DE ENCARAR COMO NOSSAS INESCAPÁVEIS SINAS.

  9. Triste e monótono. Fundo musical monocórdio e lúgubre,dentro da proposta do filme. O mesmo acontece quando os idosos são levados para os abrigos, mesmo com a sua anundência, lá deixados e esquecidos pelos seus familiares.

  10. A opção de legenda não aparece para mim =(

  11. As opções de legenda não aparecem mais e há um áudio em outro idioma ao mesmo tempo. =(

  12. Tiago

    Obra interessante do Imamura, que, a despeito da crueldade e abandono que envolvia a lenda de Narayama, mostra a crueza da vida diária da aldeia, mais bizarra, bestial e chocante que qualquer tradição.

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