A Geração “Freeter” e seu impacto na sociedade japonesa


A nova geração Freeter

O impacto dos “Freeters” na economia japonesa
Desde a década de 90, uma nova classe de trabalhadores vem crescendo no Japão. São os chamados “Freeters”, um acrônimo de “Free Arbeiter”, uma mistura de inglês e alemão que pode ser traduzido como “Trabalhadores Livres” ou “Freelancers”, que abrange principalmente jovens entre 15 e 34 anos.

Esse termo denomina os trabalhadores que rejeitam a cultura corporativa vitalícia e optam por uma vida de trabalho mais livre, se sujeitando a trabalhos com baixa remuneração e de tempo parcial (arubaitos). Essa nova classe de trabalhadores surgiu especialmente em razão da bolha econômica no fim dos anos 80.

Os Freeters normalmente são jovens que após concluir os estudos no colégio ou até universidade, não se especializam e nem fazem planos de carreira, optando em trabalhar em período parcial em lojas de conveniência, supermercados, restaurantes de fast food ou outras empresas com baixos salários.

Até o início da década de 1990, praticamente todos conseguiam uma colocação em trabalhos permanentes e de tempo integral e lá ficavam até a chegada da aposentadoria. Porém, com a onda dos “freeters”, muitas pessoas deixaram de lado as boas oportunidades de carreira para ingressar em um mundo de incertezas.

Seria o fim da classe média japonesa?

No início, os freeters eram vistos como pessoas que perseguiam seus sonhos e tentavam viver uma vida plena, sem as preocupações com as imposições e exigências do mercado de trabalho japonês, que por sua vez sempre valorizou trabalhadores que se dedicassem 100% à corporação em troca de um trabalho para a vida toda.

O problema porém é que atualmente, os freeters estão sendo vistos como uma das causas da baixa natalidade e também do aumento de desigualdade social no Japão. Com uma renda baixa, as dificuldades econômicas de manter uma família aumentam e a falta de qualificações impede que estas pessoas encontrem empregos estáveis.

O Japão que há tempos se dizia ser uma “nação de classe média”, nas últimas décadas tem visto essa mesma classe cair para um patamar mais baixo. E este problema é agravado pela falta de segurança no emprego, que por sua vez tem causado aumento nos casos de pessoas com depressão, violência doméstica e suicídios.

Alguns freeters passam noites em Cybers Cafes que funcionam como dormitórios. São chamados de Net Cafe Nanmin e ficam abertos 24 horas, sendo uma opção barata para os que não ganham o suficiente para pagar um aluguel. Infelizmente, esta tem sido a triste realidade de muitas pessoas que tentam sobreviver no Japão Moderno, sem emprego fixo e pulando de emprego em emprego.

Medidas governamentais

Durante o mandato do primeiro-ministro Junichiro Koizumi (2001-2006), o número de pessoas que trabalham em empregos regulares caiu 1,9 milhões, enquanto que o número de freeters subiu para mais de 3 milhões. O governo japonês tem estabelecido medidas afim de reduzir o número de freeters em 30% até 2020.

Algumas delas foi a criação de 200 centros de emprego em todo o país para atender essas pessoas e também incentivos às empresas que contratam trabalhadores em tempo integral. O governo japonês acredita que com isso os freeters deixarão de trocar de emprego com frequência, dando preferência por segurança e estabilidade.

Além disso, os freeters tem afetado diretamente a economia do país, já que o poder de compra designada a esta parcela da população tenha reduzido significativamente. Sem contar o problema relacionado com a falta de profissionais atuando em diversas áreas e a falta de mão de obra especializada em diversos setores empregatícios.

Dorama Freeter ie wo kau

freeter ie o kau

Pra quem se interessou pelo assunto, assista ao dorama “Freeter ie wo kau” (Freeter, eu compro uma casa). A história gira em torno de Take Seiji, que acaba se tornando um hikikomori, após pedir demissão do seu emprego.

No entanto, depois que sua mãe fica doente, diagnosticada com depressão, Seiji acaba assumindo um trabalho de tempo parcial em um canteiro de obras. Por este motivo, ele decide trabalhar duro para reconstruir sua vida, e decidiu que iria comprar uma casa para sua família, mesmo sendo um simples Freeter.

Ao todo são 10 episódios e para quem curte o grupo Arashi, então será um prato cheio já que tem Ninomiya Kazunari como protagonista. Ele, inclusive recebeu o prêmio de melhor ator por este trabalho e a música tema, Hatenai Sora, do grupo Arashi, também foi premiada. Se não viu, vale a pena dar um conferida. 😉

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4 Comentários

  1. Carlos

    Muito legal a matéria

  2. claudia

    Gente, mais responsabilidade na divulgação de informações. Entrevistei um grupo de apoio aos freeters, e os próprios freeters no Japão, e a realidade não é essa. Freeters são japoneses com problemas profundos de sociabilidade e ajustamento social. Quando (e se) trabalham, é em serviços que, para nós, podem ser chamados de bicos (sem qualquer direito trabalhista) porque o meio corporativo não quer contratá-los. É diferente do arubaito (estudante com trabalho temporário) porque alguns podem ter mais de 30 anos. Mas o equívoco do texto é que eles NÃO procuram esse modo de vida. Um deles estava, inclusive, trabalhando algumas horas no supermercado para tentar vencer a sua fobia de se relacionar e trabalhar como uma pessoa normal.

  3. Japão em Foco

    Oi Cláudia!
    Nesse caso não seriam os Hikikomoris? Esses sim tem graves problemas de socialização. Já os freeters, nem todos. Alguns querem apenas uma vida com mais liberdade, sem prender às pressões trabalhistas no Japão. Abraços!

  4. Helder Massanori Shioya

    Assisti o dorama depois da recomendações desse post. E foi um ótimo dorama! Obrigado !!

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