O Monte Fuji pode entrar em erupção? Entenda os riscos e a relação com os recentes terremotos no Japão

O Monte Fuji pode entrar em erupção novamente? Entenda os riscos, os sinais monitorados e a relação com os recentes terremotos no Japão.
O Monte Fuji foi chacoalhado por um forte terremoto de magnitude 5,6 na noite desta sexta-feira, 26 de junho de 2026. O tremor ocorreu às 22h29 (horário local do Japão) e teve seu epicentro localizado exatamente na região turística dos Cinco Lagos do Monte Fuji, na província de Yamanashi, a uma profundidade de 20 quilômetros.
Um dia antes, na manhã do dia 25 de junho, um terremoto de magnitude 7,2 teria ocorrido na província de Iwate, costa leste da ilha de Honshu, a principal do país.
Apesar do susto e da proximidade geográfica com o vulcão, sismólogos e autoridades do governo japonês agiram rápido para acalmar a população.
O Monte Fuji é um vulcão ativo
Com seus 3.776 metros de altitude e o topo frequentemente coberto de neve, o Monte Fuji é muito mais do que o cartão-postal mais famoso do Japão.
Reverenciado há séculos como montanha sagrada, ele também é um vulcão ativo — embora esteja adormecido há mais de 300 anos.
Sempre que terremotos atingem o país, especialmente nas regiões próximas ao Fuji, uma dúvida volta a circular entre moradores, turistas e nas redes sociais: o Monte Fuji pode entrar em erupção novamente?
A resposta curta é sim. O Monte Fuji certamente poderá entrar em erupção algum dia. No entanto, isso não significa que uma erupção seja iminente, nem que terremotos recentes sejam um sinal de que ela está prestes a acontecer.
A relação entre terremotos e atividades vulcânicas
Terremotos e atividades vulcânicas são manifestações da liberação de energia causadas pelo movimento das placas tectônicas e pelo magma no interior da Terra.
Na grande maioria das vezes, os terremotos funcionam como os primeiros sinais de alerta de que um vulcão está prestes a entrar em erupção.
No entanto, JMA e cientistas de universidades locais vieram a público para acabar com os boatos de que esse tremor recente possa desencadear erupção do Monte Fuji.
Segundo o Secretário-Chefe do Gabinete, Minoru Kihara, e a Agência Meteorológica do Japão (JMA) nenhuma anormalidade foi detectada na atividade vulcânica do Monte Fuji e que os sensores térmicos e sismógrafos do vulcão permanecem totalmente estáveis.
Já o professor Takuya Nishimura, da Universidade de Kyoto, explicou que o tremor ocorreu devido ao atrito normal nas fronteiras das placas tectônicas da região (perto da Placa do Mar das Filipinas). O mecanismo desse abalo é puramente tectônico e não possui ligação com movimentação de magma ou pressão interna do vulcão.
A última erupção ocorreu há 300 anos
Imagem: Depositphotos
A erupção mais recente ocorreu em 16 de dezembro de 1707, durante o período Edo. Conhecida como Erupção Hōei, ela aconteceu apenas 49 dias após o Grande Terremoto Hōei, estimado entre magnitude 8,6 e 8,7.
Curiosamente, essa erupção não produziu rios de lava. Seu principal efeito foi a enorme quantidade de cinzas vulcânicas lançadas na atmosfera.
As cinzas atingiram diversas regiões, incluindo Edo (atual Tóquio), localizada a cerca de 100 quilômetros do vulcão. Em algumas áreas, a camada de cinzas ultrapassou vários centímetros de espessura.
Embora sua última erupção tenha ocorrido há mais de três séculos, o Monte Fuji continua oficialmente classificado como um vulcão ativo pela Agência Meteorológica do Japão (JMA).
No Japão, um vulcão é considerado ativo quando:
● entrou em erupção nos últimos 10 mil anos;
● ou apresenta sinais geológicos de atividade.
O Fuji atende facilmente a esses critérios.
Um vulcão silencioso há mais de 300 anos
Desde 1707, o Monte Fuji não voltou a entrar em erupção. Esse longo período de tranquilidade faz muitas pessoas acreditarem que o vulcão está extinto.
Mas não está. Especialistas explicam que vulcões podem permanecer séculos em repouso antes de voltarem à atividade.
Do ponto de vista geológico, 300 anos representam um intervalo relativamente curto.
O que os cientistas monitoram?
Imagem: Depositphotos
O Monte Fuji é um dos vulcões mais monitorados do planeta.
Diversos instrumentos acompanham continuamente:
● pequenos terremotos sob a montanha;
● deformações do solo;
● emissão de gases vulcânicos;
● temperatura do terreno;
● movimentação de magma em profundidade.
Até o momento, não há sinais consistentes de que uma erupção seja iminente, segundo as autoridades japonesas.
Os terremotos recentes aumentaram a preocupação?
Nos últimos dias, o Japão voltou a registrar uma sequência de terremotos, incluindo um sismo moderado na região próxima ao Monte Fuji, além de outros eventos sentidos na região de Kantō. Esses tremores chamaram atenção pela proximidade geográfica com o vulcão e despertaram preocupação entre a população.
Apesar disso, os especialistas destacam que não existe evidência de que esses terremotos tenham alterado o comportamento do sistema magmático do Monte Fuji.
Tremores são comuns no arquipélago japonês, localizado no chamado Círculo de Fogo do Pacífico, e a maioria deles não desencadeia erupções vulcânicas.
Todo terremoto pode provocar uma erupção?
Não. Essa é uma das maiores confusões sobre vulcões.
Embora existam casos históricos em que grandes terremotos tenham sido seguidos por erupções — como ocorreu em 1707 — isso não significa uma relação direta de causa e efeito.
Na maioria das vezes:
● terremotos não provocam erupções;
● erupções podem ocorrer sem grandes terremotos;
● terremotos e vulcões podem estar ligados ao mesmo contexto tectônico, mas funcionar de forma independente.
Cada caso precisa ser analisado individualmente.
O Japão vive sobre quatro placas tectônicas
Grande parte da intensa atividade sísmica japonesa ocorre porque o país está localizado sobre o encontro de quatro placas tectônicas:
● Placa do Pacífico;
● Placa das Filipinas;
● Placa Euroasiática;
● Placa Norte-Americana.
Esse encontro gera milhares de terremotos todos os anos.
O Monte Fuji também se formou justamente nesse ambiente geológico extremamente ativo.
O que aconteceria se o Monte Fuji entrasse em erupção hoje?
Imagem: Depositphotos
Uma nova erupção teria impactos muito diferentes dos observados em 1707.
A região ao redor do Monte Fuji é hoje muito mais povoada.
Além disso, a Grande Tóquio abriga cerca de 37 milhões de habitantes.
Os principais riscos seriam:
● queda intensa de cinzas vulcânicas;
● interrupção do transporte ferroviário;
● fechamento de aeroportos;
● problemas no abastecimento de água;
● danos à agricultura;
● redução da geração de energia;
● impactos respiratórios causados pelas cinzas.
Por esse motivo, o governo japonês desenvolveu planos específicos para diferentes cenários de erupção e utiliza simulações para orientar a população sobre como agir em caso de emergência. Essas iniciativas fazem parte da preparação para desastres e não indicam que uma erupção esteja prestes a ocorrer.
Existem sinais antes de uma erupção?
Normalmente, sim.
Em muitos vulcões, os pesquisadores observam alterações como:
● aumento da atividade sísmica local;
● deformação da montanha;
● aumento da emissão de gases;
● mudanças na temperatura.
Esses sinais costumam surgir antes de grandes erupções, permitindo que autoridades emitam alertas. No entanto, o comportamento de cada vulcão é diferente.
Por isso, o monitoramento permanente é essencial.
O desafio de prever terremotos e erupções
Apesar do enorme avanço da tecnologia, não é possível prever com precisão quando ocorrerá um terremoto ou uma erupção vulcânica.
A Agência Meteorológica do Japão reforça constantemente que a ciência atual permite monitorar riscos e identificar mudanças de atividade, mas não determinar datas específicas para futuros eventos. Por isso, também alerta a população para não acreditar em rumores, previsões sem base científica ou teorias divulgadas nas redes sociais.
O Japão aposta na preparação, não no medo
Em vez de tentar prever exatamente quando ocorrerá um desastre, o Japão investe fortemente em prevenção. O país possui:
● redes sísmicas entre as mais avançadas do mundo;
● monitoramento contínuo de vulcões;
● sistemas de alerta precoce;
● simulados frequentes;
● planos de evacuação.
Essa preparação explica por que o Japão consegue responder rapidamente a muitos eventos naturais.
Um símbolo de beleza e força da natureza
O Monte Fuji continua sendo um dos maiores símbolos do Japão, admirado por sua beleza e importância cultural. Ao mesmo tempo, sua natureza vulcânica lembra que o arquipélago vive em constante transformação geológica.
Os terremotos recentes despertam atenção e reforçam a importância do monitoramento científico, mas, até o momento, não há evidências de que o Monte Fuji esteja prestes a entrar em erupção. A melhor postura é acompanhar informações divulgadas por órgãos oficiais e evitar conclusões precipitadas.
Mais do que motivo para pânico, o Fuji representa a convivência do povo japonês com uma natureza poderosa, imprevisível e profundamente respeitada.
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