Terremoto em Kumamoto mobiliza força-tarefa para resgatar animais de estimação desaparecidos

Terremoto em Kumamoto mobiliza força-tarefa para resgatar animais de estimação desaparecidos

Após o terremoto de magnitude 7,1 em Kumamoto, voluntários, abrigos e redes sociais unem esforços para localizar dezenas de cães e gatos desaparecidos.

Quando um grande desastre natural acontece, a prioridade costuma ser salvar vidas humanas. No entanto, milhares de animais de estimação também são afetados por terremotos, tsunamis e tufões, muitas vezes ficando feridos, desaparecidos ou separados de suas famílias.

Foi exatamente essa realidade que voltou a se repetir após o forte terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a província de Kumamoto, no sudoeste do Japão. Além dos danos materiais e da evacuação de moradores, dezenas de cães e gatos desapareceram durante o pânico provocado pelos tremores, dando início a uma verdadeira corrida contra o tempo para encontrá-los.

Enquanto proprietários procuram desesperadamente por seus companheiros, voluntários, organizações sem fins lucrativos, clínicas veterinárias e até redes sociais transformaram-se em ferramentas essenciais para reunir famílias e animais.

O desaparecimento de Go, um Shiba Inu que emocionou o Japão

Entre os casos que ganharam maior repercussão está o de Go, um Shiba Inu de apenas dois anos. O cachorro, que usa uma coleira azul, desapareceu logo após o terremoto atingir o bairro de Minami, em Kumamoto.

Segundo seu tutor, Yosuke Matsuda, o animal entrou em pânico quando a porta da residência foi aberta durante a evacuação de emergência.

Eu estava trabalhando quando tudo aconteceu. Minha mãe abriu a porta para fugir e Go ficou tão assustado com o tremor que simplesmente saiu correndo. Desde então, não conseguimos encontrá-lo”, contou Matsuda.

A família havia adotado Go há menos de um ano.

Segundo o tutor, o cão provavelmente sofreu maus-tratos antes da adoção, o que pode explicar sua extrema sensibilidade a situações de estresse.

Achamos que ele sofreu abusos no passado. Só quero que ele volte para casa em segurança.

Redes sociais se tornam ferramenta de resgate

Se antes cartazes espalhados pelas ruas eram a principal forma de procurar animais desaparecidos, hoje as redes sociais desempenham um papel fundamental.

Logo após o desaparecimento de Go, sua foto foi compartilhada pela organização Maigo Ken no Keijiban (迷子犬の掲示板), conhecida como “Quadro de Avisos de Cães Perdidos”.

A entidade sem fins lucrativos reúne uma comunidade de aproximadamente 150 mil amantes de cães e atua especialmente durante situações de emergência.

Por meio de perfis regionais, voluntários divulgam:

● fotos dos animais;
● características físicas;
● último local onde foram vistos;
● contatos dos proprietários.

As publicações são rapidamente compartilhadas por milhares de pessoas, aumentando significativamente as chances de reencontro.

Um reencontro que trouxe esperança

Terremoto em Kumamoto mobiliza força-tarefa para resgatar animais de estimação desaparecidos
Nem todas as histórias terminaram em tristeza.

Também em Kumamoto, um chihuahua chamado Leo desapareceu durante o terremoto.

Cerca de seis horas depois, um morador reconheceu o animal após ver um alerta publicado no Instagram. Leo foi encontrado a aproximadamente 1,3 quilômetro de sua casa e devolvido à família ainda na mesma noite.

Casos como esse reforçam a importância das redes sociais na localização rápida de animais perdidos durante desastres.

Cerca de 80 animais desapareceram após o terremoto

Segundo dados reunidos pelo Governo da Província de Kumamoto e pelas autoridades municipais responsáveis pelo bem-estar animal, cerca de 80 animais de estimação foram registrados como desaparecidos nos dias seguintes ao terremoto.

Entretanto, organizações de proteção animal acreditam que o número real pode ser ainda maior, já que muitos tutores ainda não conseguiram registrar oficialmente o desaparecimento de seus animais.

Com o passar das horas, aumentam as preocupações com:

● desidratação;
● insolação;
● fome;
● acidentes;
● atropelamentos;
● estresse extremo.

Especialistas alertam que cães e gatos assustados tendem a percorrer grandes distâncias e podem permanecer escondidos por dias.

Abrigos adaptados para receber famílias e seus animais

Terremoto em Kumamoto mobiliza força-tarefa para resgatar animais de estimação desaparecidos Imagem: Kyushu Animal Academy

Além das buscas pelos animais desaparecidos, instituições locais também abriram suas portas para acolher famílias evacuadas juntamente com seus animais de estimação.

Um dos principais exemplos é a Kyushu Animal Academy, escola profissionalizante especializada em cuidados veterinários localizada em Kumamoto.

A instituição já possuía experiência nesse tipo de operação.

Durante os terremotos que atingiram Kumamoto em 2016, a academia transformou voluntariamente suas instalações em abrigo temporário. Na ocasião, acolheu aproximadamente 1.500 pessoas e 1.000 animais de estimação em cerca de um mês.

Estrutura permite que donos permaneçam com seus animais

Após o novo terremoto, salas de aula da instituição foram novamente adaptadas.

Tendas foram montadas dentro do prédio para que famílias pudessem permanecer ao lado de seus cães e gatos.

Segundo o diretor da academia, Ryunosuke Tokuda, cerca de 20 pessoas e seus animais estavam hospedados no local poucos dias após o terremoto.

A capacidade total chega a aproximadamente 100 pessoas.

“Animais também são família”

Para Tokuda, um dos maiores desafios continua sendo a falta de estruturas adequadas para receber animais nos centros públicos de evacuação.

A maioria dos centros de evacuação públicos não está preparada para acomodar animais dentro das instalações. O Japão ainda precisa avançar muito na gestão de desastres envolvendo animais de estimação.”

Ele destaca que manter os animais próximos de seus tutores também contribui para reduzir o impacto emocional causado pelo desastre.

Os animais são parte da família. Permanecer ao lado deles ajuda as pessoas a manterem o ânimo em um momento extremamente difícil.

Problemas de saúde aumentam após o desastre

Além do trauma provocado pelos tremores, veterinários observaram um aumento significativo de problemas clínicos entre os animais acolhidos.

Os casos mais comuns incluem vômitos, diarreia, perda de apetite, hiperventilação, estresse severo e insolação.

Os apagões que atingiram diversas regiões agravaram ainda mais a situação.

Sem energia elétrica, muitas famílias ficaram sem ar-condicionado em meio às altas temperaturas do verão japonês, aumentando os riscos para cães, gatos e outros animais domésticos.

Apoio também para estrangeiros

A Kyushu Animal Academy informou que também está recebendo moradores estrangeiros afetados pelo terremoto.

Segundo Tokuda, o idioma não deve ser um obstáculo para quem precisa de ajuda.

“Mesmo que você não fale japonês, se você e seu animal de estimação precisarem de apoio, não hesitem em nos procurar.”

A iniciativa busca garantir que ninguém deixe de buscar assistência por dificuldades de comunicação.

Gatos de café temático também foram resgatados

Terremoto em Kumamoto mobiliza força-tarefa para resgatar animais de estimação desaparecido

Outra notícia que trouxe alívio foi o resgate dos 25 gatos do Cat Café MOFF, localizado no Aeon Mall Kumamoto, na cidade de Kashima.

O shopping sofreu danos durante o terremoto, incluindo uma explosão em suas dependências.

Com apoio de bombeiros, policiais e funcionários do estabelecimento, todos os gatos foram retirados do local em segurança. Segundo a empresa responsável pelo café, nenhum dos animais apresentava ferimentos aparentes.

Após receberem água e os primeiros cuidados, os gatos foram transportados para outra unidade da empresa, na província de Hiroshima, onde permanecem sob acompanhamento veterinário.

Em nota oficial, a administração agradeceu às equipes de resgate e afirmou que continuará oferecendo assistência médica e suporte para reduzir o estresse dos animais.

A importância de incluir os animais nos planos de emergência

Especialistas em gestão de desastres afirmam que eventos como o terremoto de Kumamoto demonstram a necessidade de incorporar os animais de estimação aos planos oficiais de resposta a emergências.

Entre as recomendações estão:

● criação de mais abrigos pet-friendly;
● campanhas de identificação por microchip;
● planos familiares de evacuação que incluam os animais;
● estoques de ração, medicamentos e caixas de transporte;
● treinamento de equipes para resgates envolvendo animais.

Nos últimos anos, o governo japonês tem incentivado que cada família prepare kits de emergência também para seus animais de estimação, mas especialistas defendem que ainda há muito a avançar na infraestrutura pública.

Uma corrida contra o tempo

Enquanto muitos animais já reencontraram suas famílias, outros continuam desaparecidos. Com o calor intenso do verão japonês e os danos provocados pelo terremoto, cada hora aumenta os riscos para cães e gatos que permanecem nas ruas.

A história do Shiba Inu Go simboliza a angústia vivida por dezenas de famílias que aguardam notícias de seus companheiros.

Ao mesmo tempo, ela revela a força da solidariedade, da atuação de voluntários e do uso das redes sociais para transformar esperança em reencontros.

Os desastres naturais não afetam apenas edifícios e infraestruturas: eles também atingem vínculos afetivos construídos ao longo de anos.

Garantir que animais de estimação sejam protegidos durante essas crises é reconhecer que, para milhões de pessoas, eles não são apenas animais, mas parte da família.

Fontes: japantimes.co.jp, mainichi.jp

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Sou apaixonada pelo Japão e sua cultura. Resolvi criar esse blog com o intuito de fazer com que mais e mais pessoas conheçam essa cultura tão rica, incrível e fascinante!

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