Osanbashi Pier: o terminal marítimo de Yokohama que tem madeira brasileira de ipê em sua estrutura

Osanbashi Pier, em Yokohama

Conheça o Osanbashi Pier, em Yokohama, o incrível terminal japonês que utiliza madeira de ipê brasileiro em seu terraço e em partes da estrutura.

À primeira vista, o Osanbashi Pier (大さん橋), em Yokohama, chama a atenção por suas formas onduladas, pelo amplo terraço de madeira e pela vista panorâmica do porto.

Mas esse moderno e importante terminal marítimo japonês guarda uma conexão especial com o Brasil: parte de sua estrutura utiliza madeira de ipê brasileiro, uma espécie tropical conhecida pela resistência e pela durabilidade.

Localizado no distrito de Naka, entre a área moderna de Minato Mirai e o Parque Yamashita na cidade de Yokohama, província de Kanagawa, o terminal internacional de passageiros combina engenharia, arquitetura contemporânea e espaços públicos de convivência.

É também um exemplo de como materiais provenientes de diferentes partes do mundo podem integrar projetos emblemáticos no Japão.

A presença do ipê torna o local especialmente interessante para os brasileiros que visitam o país ou acompanham a arquitetura japonesa.

A madeira, associada às florestas tropicais sul-americanas, participa da composição de um dos espaços portuários mais reconhecidos da região metropolitana de Tóquio.

Uma obra que transformou a paisagem do porto

Osanbashi Pier Terminal Internacional de Passageiros de Yokohama Imagem: photo-ac

O atual Terminal Internacional de Passageiros de Osanbashi foi concluído em 2002, após um processo de reconstrução iniciado em 1988.

A história do píer, entretanto, é muito mais antiga: a estrutura original foi construída entre 1889 e 1896, durante a modernização do porto de Yokohama.

Com o aumento no número de grandes navios de cruzeiro que visitavam Yokohama na década de 90 tornou-se necessária a construção de um píer muito maior.

Um concurso internacional foi realizado em 1995 para o melhor projeto de píer e, entre 660 inscrições, os renomados arquitetos Alejandro Zaera-Polo e Farshid Moussavi, do escritório Foreign Office Architects (FOA), foram os vencedores.

A estrutura de 430 metros de comprimento e 70 metros de largura tornou-se um sucesso imediato entre o público e ganhou diversos prêmios internacionais de arquitetura.

O projeto contemporâneo se destaca por integrar o terminal de cruzeiros a uma grande área pública. Em vez de um edifício convencional, com telhado plano e volumes rígidos, a construção apresenta curvas suaves que lembram as ondas do mar e o dorso de uma baleia.

O resultado é um espaço que funciona tanto como infraestrutura portuária quanto como ponto de encontro para moradores e turistas. Seu terraço pode ser visitado gratuitamente e permanece aberto ao público 24 horas por dia.

Ipê brasileiro: a madeira que atravessou o oceano

Cais de Osanbashi - Terminal Internacional de Passageiros de Yokohama Imagem: depositphotos

Uma das características mais marcantes do Cais Osanbashi é o uso de ipê brasileiro no piso do terraço e em outras áreas do terminal.

De acordo com a administração do local, a madeira foi escolhida por suas propriedades físicas, que incluem elevada resistência e durabilidade.

O ipê é uma madeira tropical muito densa. Sua densidade relativa é de aproximadamente 1,1, segundo as informações divulgadas pelo próprio terminal — uma característica que significa que a madeira pode afundar quando colocada na água, em vez de flutuar.

Além do peso e da resistência mecânica, o material apresenta boa resistência natural a insetos e à deterioração. Essas propriedades o tornam adequado para pisos externos sujeitos à circulação de pessoas e à exposição às condições climáticas.

O uso da madeira não se limita ao terraço superior. Registros técnicos sobre o terminal também identificam o ipê no piso do segundo andar e em outras partes do percurso de acesso.

Quanto ipê brasileiro foi utilizado na construção?

Osanbashi Pier Terminal Internacional de Passageiros de Yokohama Imagem: photo-ac

O portal brasileiro Vitruvius, especializado em arquitetura, informou que foram empregados aproximadamente 1.800 metros cúbicos de ipê da Amazônia no projeto e que a madeira foi processada no Pará antes de ser transportada para o Japão, pelo Canal do Panamá.

Esse dado dá uma dimensão da escala do empreendimento e da participação da madeira brasileira na composição arquitetônica do terminal.

No entanto, a quantidade deve ser atribuída à publicação especializada, pois não foi possível confirmá-la em uma ficha técnica oficial atualizada do terminal.

Arquitetura que lembra o dorso de uma baleia

Cais de Osanbashi - Terminal Internacional de Passageiros de Yokohama Imagem: depositphotos

O terraço do Osanbashi recebeu o apelido de Kujira no Senaka (くじらのせなか), expressão japonesa que significa “dorso da baleia”. O nome faz referência ao perfil ondulado da construção, que parece se elevar suavemente sobre as águas do porto.

A madeira contribui diretamente para a experiência de caminhar pelo local. Em vez de servir apenas como revestimento funcional, o piso acompanha as curvas do projeto, conectando rampas, passagens e áreas de observação.

O conjunto arquitetônico também se distingue pelo amplo espaço interno, concebido sem pilares ou vigas convencionais aparentes que interrompam a área principal.

Essa solução ajuda a criar uma sensação de continuidade entre o edifício, o terraço e o ambiente portuário.

Um mirante para apreciar Yokohama

Cais de Osanbashi - Terminal Internacional de Passageiros de Yokohama Imagem: depositphotos

Além de receber navios de cruzeiro, o Osanbashi é um dos pontos interessantes para observar a paisagem da bela cidade portuária Yokohama. Do terraço, os visitantes podem contemplar o porto, os navios atracados e os edifícios da região de Minato Mirai.

Como o espaço permanece aberto durante a madrugada, é possível visitá-lo em diferentes horários, inclusive quando não há grandes navios atracados.

O local também é procurado por fotógrafos e por pessoas que desejam apreciar o pôr do sol ou a iluminação noturna da cidade. Além disso, foi selecionado em 2006 como um dos “100 Melhores Mirantes do Monte Fuji na Região de Kanto”.

Embora edifícios altos tenham sido construídos desde então, o Monte Fuji ainda pode ser visto do Píer de Osanbashi, e muitos fotógrafos visitam o local, especialmente durante o fenômeno do “Diamond Fuji“, na esperança de capturar a foto perfeita.

Para quem gosta de arquitetura, o passeio oferece a oportunidade de observar de perto a combinação entre aço, vidro, madeira e paisagismo. Já para os brasileiros, há o detalhe adicional de que parte do caminho é feita com uma madeira da região amazônica.

A conexão entre Brasil e Japão por meio da arquitetura

Cais de Osanbashi - Terminal Internacional de Passageiros de Yokohama Imagem: depositphotos

A presença do ipê brasileiro no Osanbashi Pier revela uma ligação pouco conhecida entre os dois países. O Brasil aparece não apenas como parceiro comercial do Japão, mas também como fornecedor de um material incorporado à paisagem urbana japonesa.

A madeira que atravessou o oceano passou a integrar um espaço público japonês onde arquitetura, turismo e vida cotidiana se encontram.

Para os visitantes brasileiros, descobrir esse detalhe transforma uma simples caminhada pelo píer em uma oportunidade de reconhecer um fragmento da natureza do Brasil em uma das paisagens portuárias mais emblemáticas de Yokohama.

Como visitar o Osanbashi Pier

Osanbashi International Passenger Terminal (大さん橋国際客船ターミナル)

Endereço: 1-1-4 Kaigandori, Naka-ku, Yokohama, Kanagawa, Japão.
Terraço: aberto ao público 24 horas por dia.
Entrada: gratuita para o terraço público.
Site Oficial: osanbashi.jp.

Imagem do topo: @yuzuta_sanpo (Twitter)

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Sou apaixonada pelo Japão e sua cultura. Resolvi criar esse blog com o intuito de fazer com que mais e mais pessoas conheçam essa cultura tão rica, incrível e fascinante!

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