Contos sobre a Imigração Japonesa


Imigração Japonesa

Curiosidades sobre a Imigração Japonesa no Brasil

No dia 18 de junho comemora-se 106 anos de Imigração Japonesa. Que tal conhecermos a fundo a história que nossos antepassados viveram?

Fiz uma espécie de resumo contando como foi a partida dos japoneses rumo ao Brasil e as dificuldades que eles encontraram. Tenho certeza de que será muito útil para muitas pessoas, conhecer o inicio da miscigenação entre japoneses e brasileiros :).

Relatos incríveis de imigrantes japoneses

Ir para o Brasil, fazer dinheiro nas lavouras de café e retornar ao Japão o mais breve possível não era um sonho para muitas famílias japonesas no início do século XX:

Era a única saída. “Naquele tempo, o Japão era uma nação exaurida pela explosão populacional e pelos gastos provocados por guerras recentes, contra a China e a Rússia”, explica o estudioso da imigração japonesa Masato Ninomiya.

Na cidade, o índice de desemprego era dramático. No campo, os lavradores que não tinham tido suas terras confiscadas por falta de pagamento de impostos mal conseguiam sustentar a família. Diante desse cenário, o governo japonês era o primeiro interessado em estimular a emigração. “No Brasil, existe uma árvore que dá ouro: o cafeeiro. É só colher com as mãos”, diziam cartazes do período.

Da parte do Brasil, o interesse pela vinda dos japoneses devia-se principalmente à interrupção, em 1902, do fluxo de imigrantes italianos, que deixou as fazendas cafeeiras precisando desesperadamente de mão de obra braçal.

Foi essa equação que possibilitou que, em 1908, camponeses, carpinteiros, pequenos comerciantes e donos de fabriquetas à beira da falência se tornassem “soldados da fortuna”, como escreveu o presidente da Companhia Imperial de Emigração, Ryu Mizuno, no diário de bordo do Kasato Maru – o primeiro navio de imigração japonês a aportar no Brasil no dia 18 de Junho de 1908, trazendo 165 famílias.

A dura partida da sua Terra Natal para rumo ao Brasil

Antes de embarcarem, todos eram obrigados a passar por uma espécie de quarentena no Porto de Kobe (429 quilômetros a oeste de Tóquio), onde faziam exames médicos e tinham aulas básicas de português. Alguns aproveitavam para comprar mudas de roupas ocidentais nas lojas das proximidades.

A hora da partida – embalada pela canção de despedida Hotaru no Hikari (“À luz dos vagalumes”) e pelo Hino Nacional do Japão – era ainda mais triste quando um integrante da família era obrigado a ficar em terra, impedido de viajar por causa de alguma doença. “O tracoma, um tipo de conjuntivite, separou muitas famílias naquele tempo”, conta o antropólogo Koichi Mori.

As viagens não ofereciam nenhum conforto, como relata o jornalista Jorge Okubaro, em seu livro O Súdito: “Crianças mais jovens viajavam no colo da mãe.

Dormiam todos, homens e mulheres, adultos e crianças, sobre esteiras estendidas no chão do cargueiro, em condições promíscuas”. Banho com água doce, só duas vezes por semana, conta o autor, “e cada pessoa só podia usar três baldes de água”.

Imigrantes japoneses na Hospedaria dos Imigrantes

Em condições normais, a viagem demorava dois meses. Ao chegarem à Hospedaria de Imigrantes, em São Paulo, para onde eram levados depois do desembarque no Porto de Santos, os japoneses percebiam as primeiras mudanças:

“Em vez do banho na banheira de madeira, com que estavam acostumados, eles viam o chuveiro pela primeira vez. No lugar do arroz a que estavam acostumados a comer todos os dias, eram apresentados ao pão francês”, relata a historiadora Célia Oi.

Da Hospedaria de Imigrantes, os viajantes seguiam de trem para as fazendas de café no interior do estado. Lá chegando, o mato alto, o sol a pino, os pernilongos e as camas de palha dos alojamentos se encarregavam de dirimir qualquer dúvida que restasse quanto à dureza da realidade que estava por vir.

Imigrantes no trem rumo às fazendas de café

A desilusão de enriquecimento no Brasil

A expectativa de acumular dinheiro rapidamente ia se desfazendo à medida que eles iam recebendo os primeiros pagamentos: descontadas as parcelas da dívida da viagem, mais os gastos com alimentos e remédios (sempre comprados na própria fazenda), não sobrava quase nada. “Os imigrantes se sentiam tratados como escravos.

Muitos fugiram por causa disso.A vida só começou a melhorar depois que eles passaram a trabalhar na chamada “lavoura de parceria”: em contrato com um proprietário de terras, os trabalhadores se comprometiam a desmatar o terreno, semear o café, cuidar da plantação e devolver a área dali a sete anos, quando a segunda colheita estaria no ponto.

Imigrantes japoneses trabalhando na plantação de café

Em troca, ficavam com os lucros da primeira safra (a cultura do café é bianual) e de tudo o que plantassem além do café. Esse tipo de contrato foi o que permitiu que muitos japoneses comprassem suas primeiras terras.

Embora a essa altura eles já estivessem aqui havia uma década – bastante tempo para quem planejava ficar por, no máximo, três anos –, o sonho de voltar ao Japão permanecia vivo e fazia com que a maior parte dos imigrantes educasse os filhos à maneira japonesa: dentro de casa, só se conversava na língua materna e, no contraturno da escola brasileira, as crianças freqüentavam os “nihon-gakus”, escolas onde aprendiam a ler e a escrever em japonês.

Ao contrário do planejado, no entanto, apenas 10% dos quase 190 000 japoneses que imigraram antes da II Guerra Mundial voltaram para a terra natal. O restante ficou para sempre no Brasil – e ajudou a construir a história da segunda geração de japoneses no país, além de ajudar no desenvolvimento econômico do país.

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Fonte: Revista Veja

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2 Comentários

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