Eu e Meu Avô Nihonjin: Uma animação brasileira sobre memória, imigração e identidade nipo-brasileira

Filme brasileiro Eu e Meu Avô Nihonjin

O filme brasileiro Eu e Meu Avô Nihonjin inspirado no romance de Oscar Nakasato, retrata a imigração japonesa, a identidade nikkei e os laços entre gerações.

Em um país que abriga a maior comunidade de descendentes de japoneses fora do Japão, poucas histórias conseguem retratar com tanta sensibilidade a experiência da imigração japonesa quanto o filme Eu e Meu Avô Nihonjin.

Lançada em 2025, a animação brasileira transforma em imagens a premiada obra literária Nihonjin, de Oscar Nakasato, vencedor do Prêmio Jabuti, e apresenta ao público uma reflexão profunda sobre família, pertencimento e herança cultural.

Dirigido por Célia Catunda e produzido pela PinGuim Content, o longa se destaca não apenas pela qualidade artística, mas também por abordar um tema pouco explorado no cinema nacional: a trajetória dos imigrantes japoneses e de seus descendentes no Brasil.

O filme estreou nos cinemas brasileiros em outubro de 2025 e será lançado em breve no Japão, no dia 7 de agosto de 2026 sob o título japonês de Nihonjin (ニホンジン).

A exibição ocorrerá em salas de cinema selecionadas nas principais províncias com forte histórico de imigração e centros urbanos, incluindo Tóquio, Tochigi, Nagano, Aichi, Kyoto, Osaka e Kumamoto.

Uma história sobre raízes e descobertas

A trama acompanha Noboru, um garoto brasileiro de 10 anos descendente de japoneses. Ao receber um trabalho escolar sobre sua família, ele procura o avô Hideo para conhecer melhor suas origens.

O que parecia ser apenas uma pesquisa escolar transforma-se em uma jornada emocionante através das memórias familiares.

Conforme Hideo começa a compartilhar lembranças de sua vida, Noboru descobre histórias que jamais imaginou ouvir, incluindo a existência de um tio que nunca conheceu.

A narrativa alterna entre presente e passado, permitindo ao espectador acompanhar tanto a curiosidade do neto quanto as dificuldades enfrentadas pelos primeiros imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil no início do século XX.

Baseado no romance premiado Nihonjin

O filme é inspirado no romance Nihonjin, publicado por Oscar Nakasato e vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura em 2012.

A obra tornou-se uma das mais importantes referências da literatura nipo-brasileira contemporânea por retratar os conflitos vividos pelos imigrantes japoneses e seus descendentes.

Na adaptação para o cinema, o foco foi direcionado para um público familiar, preservando os temas centrais da obra original:

● Memória e ancestralidade;
● Imigração japonesa;
● Conflitos geracionais;
● Identidade cultural;
● Família e pertencimento;
● Choque entre tradição e modernidade.

Segundo a produção, alguns elementos mais pesados presentes no romance foram removidos para adequar a história ao público infantil, mantendo a essência emocional da narrativa.

A imigração japonesa vista pelos olhos de uma família

Um dos maiores méritos do filme é mostrar que a imigração japonesa não foi apenas uma história de sucesso, mas também de sacrifícios.

Ao longo da narrativa, Hideo relembra sua chegada ao Brasil, o trabalho nas lavouras de café, as dificuldades de adaptação, a barreira linguística e a saudade constante da terra natal.

Esses relatos ajudam a contextualizar a experiência vivida por milhares de famílias japonesas que cruzaram o oceano em busca de oportunidades.

Ao mesmo tempo, a obra aborda um dilema comum entre descendentes de imigrantes: como equilibrar o respeito às tradições herdadas dos antepassados com a construção de uma identidade genuinamente brasileira.

Uma animação com forte inspiração artística japonesa

Embora seja uma produção brasileira, Eu e Meu Avô Nihonjin possui uma estética visual que dialoga com a arte japonesa.

A direção de arte foi inspirada nas obras do artista nipo-brasileiro Oscar Oiwa, conhecido internacionalmente por seus trabalhos que misturam elementos da cultura japonesa e brasileira.

O resultado é uma animação delicada e contemplativa, que privilegia emoções e memórias em vez de grandes cenas de ação. As paisagens rurais, os navios de imigração e os ambientes familiares ajudam a criar uma atmosfera nostálgica que reforça o tom intimista da história.

Elenco e produção

O elenco de vozes reúne artistas ligados à comunidade nipo-brasileira.

Entre os principais nomes estão:

Ken Kaneko como Hideo;
Pietro Takeda como Noboru;
Robson Kumode como Haru.

O roteiro foi escrito por Rita Catunda, enquanto a trilha sonora contou com a participação de André Abujamra e Márcio Nigro.

Estreia internacional e reconhecimento

Antes de chegar aos cinemas brasileiros, o filme foi apresentado no prestigiado Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy, considerado o mais importante evento mundial dedicado à animação.

A participação em Annecy ajudou a projetar internacionalmente uma história profundamente ligada à experiência brasileira, mas com temas universais capazes de emocionar públicos de diferentes culturas.

O filme também conquistou dois prêmios no prestigiado Pulcinella Awards durante o festival Cartoons on the Bay, na Itália, consolidando o seu prestígio internacional.

Posteriormente, a produção recebeu indicações ao Prêmio ABRA de Roteiro nas categorias de Melhor Roteiro Infantil e Melhor Roteiro de Animação.

Um filme que fala diretamente aos nikkeis

Atualmente, a produção está sendo distribuída pela H2O Films, coincidindo com as celebrações antecipadas dos 130 anos do Tratado de Amizade Brasil–Japão e também se encontra disponível no Brasil em plataformas de streaming como Prime Video, YouTube e Apple TV.

Para muitos descendentes de japoneses, Eu e Meu Avô Nihonjin representa algo raro: ver sua própria história retratada na tela.

As conversas entre Noboru e Hideo refletem situações familiares bastante comuns entre gerações de nikkeis no Brasil. Muitos avós imigrantes raramente falavam sobre o passado, seja por dor, saudade ou dificuldade em expressar suas experiências.

O filme resgata justamente essas histórias silenciosas que ajudaram a construir a comunidade nipo-brasileira ao longo de mais de um século.

Uma homenagem à memória dos imigrantes

Mais do que uma animação infantil, Eu e Meu Avô Nihonjin é uma homenagem à geração que deixou o Japão para construir uma nova vida do outro lado do mundo.

Ao acompanhar a busca de Noboru por suas origens, o espectador também é convidado a refletir sobre a própria história familiar, sobre os laços entre gerações e sobre a importância de preservar memórias antes que elas desapareçam.

Em tempos de globalização e identidades cada vez mais complexas, o filme lembra que conhecer o passado não significa viver preso a ele. Pelo contrário: compreender as raízes pode ser o primeiro passo para entender quem somos.

Imagem do topo: Divulgação

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Sou apaixonada pelo Japão e sua cultura. Resolvi criar esse blog com o intuito de fazer com que mais e mais pessoas conheçam essa cultura tão rica, incrível e fascinante!

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