Por que o Japão sofre tantos tufões? Entenda esse fenômeno natural

Por que o Japão é frequentemente atingido por tufões, qual a diferença entre tufão e furacão, quando ocorre a temporada e quais regiões são mais afetadas?
Nem só de riscos de terremotos e tsunami vive o Japão. Todos os anos, entre o final do verão e o início do outono, o Japão entra em um período de atenção redobrada.
É a temporada dos tufões, ciclones tropicais capazes de provocar ventos extremamente fortes, chuvas torrenciais, deslizamentos de terra, enchentes e grandes ondas no litoral.
Embora os japoneses convivam com esse fenômeno há séculos, os tufões, chamados no país como taifū (台風) continuam sendo uma das maiores ameaças naturais do país.
Ao mesmo tempo, eles demonstram a impressionante capacidade do Japão de investir em prevenção, monitoramento e resposta rápida a desastres.
Com tecnologia de ponta, sistemas de alerta eficientes e uma população acostumada a seguir protocolos de emergência, o Japão tornou-se uma referência mundial na gestão desse tipo de evento climático.
O que é um tufão?
Um tufão é um ciclone tropical que se forma sobre águas oceânicas quentes no noroeste do Oceano Pacífico. Na prática, trata-se do mesmo fenômeno conhecido como:
Furacão, quando ocorre no Oceano Atlântico ou no Pacífico Nordeste;
Ciclone, em partes do Oceano Índico e do Pacífico Sul;
Tufão, quando se desenvolve no Pacífico Noroeste.
A diferença está apenas na região geográfica em que o fenômeno ocorre.
Como um tufão se forma?
Imagem: Depositphotos
Os tufões surgem quando diversos fatores atmosféricos se combinam, incluindo:
● temperatura do mar acima de aproximadamente 26,5°C;
● grande quantidade de vapor d’água;
● baixa pressão atmosférica;
● ventos favoráveis nas camadas superiores da atmosfera;
● rotação da Terra (efeito Coriolis).
À medida que o ar quente e úmido sobe, libera energia que alimenta continuamente o sistema, podendo fazê-lo atingir enormes proporções.
Os tufões mais intensos podem apresentar:
● ventos superiores a 200 km/h;
● diâmetro de centenas de quilômetros;
● chuvas extremamente intensas durante vários dias.
Por que o Japão é tão atingido?
A localização geográfica do Japão explica essa frequência. O arquipélago está situado na rota natural de muitos ciclones tropicais que se formam sobre o Pacífico Ocidental.
Após se desenvolverem nas proximidades das Filipinas ou das Ilhas Marianas, muitos sistemas seguem em direção ao norte, aproximando-se do Japão.
Nem todos atingem o país diretamente. Alguns permanecem em alto-mar, enquanto outros perdem força antes de alcançar o continente.
Mesmo assim, suas bandas de chuva podem provocar impactos significativos.
Quando é a temporada de tufões?
Embora possam ocorrer entre maio e outubro, a maior parte dos tufões concentra-se entre agosto, setembro e início de outubro.
Setembro costuma ser considerado o mês de maior atividade. Durante esse período, é comum que vários sistemas tropicais se formem sucessivamente no Pacífico.
Quantos tufões atingem o Japão por ano?
Em média:
● cerca de 25 a 30 tufões recebem nome anualmente no Pacífico Noroeste;
● aproximadamente 10 a 12 aproximam-se do Japão;
● entre 2 e 4 costumam tocar o território japonês diretamente.
Os números variam de acordo com as condições climáticas de cada ano.
Quais regiões são mais afetadas?
As áreas mais expostas incluem:
Okinawa
Por estar mais ao sul, costuma ser a primeira região japonesa atingida.
Kyushu
A ilha frequentemente recebe tufões vindos do sudoeste.
Shikoku
Sua geografia montanhosa favorece chuvas intensas.
Honshu
Grandes centros urbanos, como Osaka, Nagoya e até Tóquio, também podem ser afetados.
Os principais perigos dos tufões
Imagem: Depositphotos
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o maior risco nem sempre são os ventos.
Na maioria dos casos, os danos mais graves são provocados pelas chuvas.
Entre os principais impactos estão:
● enchentes;
● deslizamentos de terra;
● transbordamento de rios;
● ondas gigantes;
● ressacas;
● interrupção do transporte;
● queda de energia elétrica;
● danos à agricultura.
O papel das montanhas
Mais de 70% do território japonês é montanhoso.
Quando um tufão atinge essas regiões, o relevo intensifica as chuvas, aumentando significativamente o risco de escorregamentos, desmoronamentos e corridas de lama.
Por essa razão, autoridades frequentemente emitem ordens de evacuação para áreas vulneráveis.
Como o Japão monitora os tufões?
O país possui um dos sistemas meteorológicos mais avançados do mundo.
A Agência Meteorológica do Japão (JMA) monitora continuamente os ciclones utilizando:
● satélites meteorológicos;
● radares Doppler;
● boias oceânicas;
● modelos computacionais;
● aviões e dados internacionais.
Essas informações permitem prever com boa precisão a trajetória dos tufões vários dias antes de sua chegada.
Os níveis de alerta
Imagem: photo-ac
Quando um tufão se aproxima, as autoridades podem emitir diversos níveis de aviso.
Eles incluem:
● alerta para ventos fortes;
● chuvas intensas;
● risco de enchentes;
● risco de deslizamentos;
● ordens de evacuação.
Os avisos são transmitidos por:
● televisão;
● rádio;
● aplicativos oficiais;
● mensagens em celulares;
● alto-falantes públicos (Bosai Musen).
Como a população se prepara?
Os japoneses estão acostumados a conviver com tufões.
Antes da chegada de um sistema tropical, muitas pessoas:
● compram alimentos;
● abastecem lanternas e baterias;
● carregam celulares;
● retiram objetos das varandas;
● evitam deslocamentos desnecessários.
Empresas e escolas também costumam suspender atividades preventivamente.
O impacto nos transportes
Durante tufões fortes é comum ocorrer:
● cancelamento de voos;
● suspensão do Shinkansen;
● interrupção de linhas ferroviárias;
● cancelamento de balsas;
● fechamento de rodovias.
Essas medidas são adotadas para garantir a segurança dos passageiros.
Agricultura e economia
Os tufões também provocam prejuízos econômicos significativos.
As culturas mais afetadas incluem arroz, frutas, chá e hortaliças. Além disso, tempestades podem interromper cadeias logísticas e causar danos à infraestrutura.
Os tufões mais devastadores da história japonesa
Ao longo da história, alguns eventos marcaram profundamente o país.
Tufão Muroto (1934)
Considerado um dos mais destrutivos do século XX.
Provocou milhares de mortes na região de Osaka.
Tufão Isewan (Vera) – 1959
Foi o desastre causado por tufão mais letal da história moderna do Japão. Mais de 5 mil pessoas morreram ou desapareceram. A tragédia levou o governo a reformular completamente seu sistema nacional de prevenção de desastres.
Tufão Hagibis – 2019
Um dos mais intensos dos últimos anos. Provocou enchentes históricas, afetando dezenas de rios e causando grandes prejuízos em diversas províncias.
Mudanças climáticas e tufões
Pesquisadores investigam como o aquecimento global pode influenciar os ciclones tropicais.
Embora ainda existam incertezas sobre o número total de tufões no futuro, muitos estudos indicam que:
● tempestades muito intensas podem se tornar mais frequentes;
● chuvas associadas aos tufões tendem a ser mais volumosas devido ao aumento da umidade atmosférica;
● o aumento do nível do mar pode agravar as inundações costeiras.
Esses fatores reforçam a importância da adaptação e do fortalecimento das estratégias de prevenção.
O que fazer durante um tufão?
Imagem: photo-ac
As autoridades japonesas recomendam:
● acompanhar apenas informações oficiais;
● evitar sair de casa durante a passagem da tempestade;
● manter um kit de emergência;
● seguir imediatamente ordens de evacuação;
● afastar-se de rios, encostas e áreas costeiras.
Mesmo após a passagem do tufão, enchentes e deslizamentos podem continuar representando riscos.
Tufões e turismo
Quem pretende visitar o Japão entre agosto e outubro deve acompanhar as previsões meteorológicas. Na maioria das vezes, os impactos são localizados e temporários.
Quando um tufão se aproxima, companhias aéreas, empresas ferroviárias e hotéis costumam informar alterações com antecedência.
Ter um seguro de viagem e manter flexibilidade no roteiro pode ajudar a lidar com possíveis mudanças.
Uma convivência baseada na prevenção
Os tufões fazem parte da realidade do Japão há milhares de anos.
Em vez de tentar evitar um fenômeno natural inevitável, o país investiu em conhecimento científico, infraestrutura resiliente e educação da população.
Essa combinação permite reduzir significativamente os danos e salvar vidas, mesmo diante de tempestades extremamente intensas.
Embora continuem representando um grande desafio, os tufões também mostram como planejamento, tecnologia e cooperação entre governo e sociedade podem transformar a maneira de enfrentar os desastres naturais.
Curiosidades sobre os tufões no Japão
● A palavra japonesa para tufão é taifū (台風).
● Os tufões recebem nomes definidos por um sistema internacional administrado pelo Comitê de Tufões da Organização Meteorológica Mundial, com contribuições de países da região do Pacífico e da Ásia.
● O Japão utiliza uma escala própria para classificar a intensidade dos ventos e dos impactos esperados, além da categoria internacional dos ciclones tropicais.
● Em alguns anos, tufões podem influenciar até mesmo a floração e a colheita agrícola devido ao excesso de chuva ou aos ventos fortes.
● Os satélites meteorológicos japoneses da série Himawari estão entre os mais avançados do mundo e fornecem imagens quase em tempo real da formação e evolução dos tufões.
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