10 Contos Infantis Populares no Japão


Contos Infantis Japoneses

Assim como acontece em outros países, o Japão possui suas fábulas e Contos folclóricos. Muitas delas influenciadas pelo Xintoísmo e Budismo, as duas religiões mais onipresentes no Japão. Geralmente envolve personagens e situações engraçadas ou bizarras.

Dentre os personagens encontramos divindades, como bodisatva, kami (deuses e espíritos reverenciados), yōkai (espíritos que não tem conotação religiosa) (tais como oni, kappa, e tengu), yūrei (fantasmas), Dragões, e animais com poderes sobrenaturais, como a kitsune (raposa), o tanuki (cão-guaxinim), a mujina (doninha), e o bakeneko (gato monstro).

As lendas ou fábulas japonesas podem ser divididas em várias categorias: “mukashibanashi” (contos antigos); “namidabanashi” (histórias tristes); “obakebanashi” (histórias de fantasmas); “ongaeshibanashi” (histórias de gratidão); “tonchibanashi” (histórias sábias); “waraibanashi” (histórias engraçadas); e “yokubaribanashi” (histórias de ganância).

Essas histórias fazem parte da infância das crianças que vivem no Japão. São muito divertidas e interessantes. Confira abaixo algumas das mais populares.

10. Omusubi Kororin (おむすびころりん)

Omusubi Kororin pode ser traduzido como “Os Bolinhos de Arroz Rolantes”. Trata-se de uma fábula japonesa que conta a história de um lenhador que, certo dia, saiu para trabalhar na floresta. Na hora de comer seus Omusubi (bolinhos de arroz) no almoço, percebeu que seus bolinhos haviam rolado para um dentro de um buraco.

Ali, descobriu centenas de ratinhos do campo que cantavam “Bolinhos de arroz, bolinhos de arroz, gostosos e suculentos, rolando, rolando, rolando…” Em forma de agradecimento, o ratinho líder deu um pequeno saco com arroz para o lenhador.

Ao chegar em casa, o velhinho descobriu que aquele pequeno saco era mágico e que estava sempre cheio. A partir daquele dia, ele e sua esposa viveram muito felizes com todos os bolinhos de arroz que precisassem para o resto de suas vidas.


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9. Kachi kachi Yama (かちかち山)

Kachi kachi Yama (A montanha kachikachi) conta a história de um Tanuki vilão e um coelho herói. Um camponês captura um tanuki (cão-guaxinim) que estava causando problemas em seus campos. O homem decide amarrá-lo a uma árvore para matá-lo e cozinhá-lo mais tarde. O homem vai à cidade e o tanuki em lágrimas implora à sua esposa para que o solte.

O tanuki prometeu que se ela o soltasse, a ajudaria a fazer mochi. Ela libertou o tanuki, que acabou por matá-la e fugiu logo em seguida. Quando o homem chegou em casa, deparou-se com sua esposa morta e ficou inconsolável. Um coelho que era amigo do lavrador e sua esposa chegou na casa do homem e ao saber do ocorrido, prometeu que se vingaria do Tanuki.

O coelho fingiu ser amigo do tanuki e depois torturou-o de diversas maneiras. Certa vez, o tanuki carregava gravetos em suas costas e não percebeu que o coelho havia ateado fogo neles. Quando o som crepitante chegou aos seus ouvidos, perguntou ao coelho qual era o som. “É Kachi-Kachi Yama. Está bem próximo, por isso você o ouve “, o coelho respondeu.

Eventualmente, o fogo atingiu as costas do tanuki e o queimou muito, mas não chegou a matá–lo. Um dia, o tanuki decidiu desafiar o coelho para decidir qual deles era o melhor. Cada um deles deveria construir um barco e navegar em torno de um lago. O coelho fez seu barco com um tronco de árvore caído, mas o tolo tanuki resolveu fazer seu barco com barro.

No início, a competição estava acirrada, mas o barco de barro do tanuki começou a se dissolver no meio do lago. Apesar de tentar manter-se à tona, o tanuki acabou se afogando e morrendo. Essa foi a punição do tanuki por seus atos horríveis contra a esposa do lavrador.


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8. Issun Boushi (一寸法師)

Issun Boushi (O garoto de uma polegada) conta a história de um casal de idosos que desejavam muito ter um filho, mesmo que fosse pequenino para que pudessem dividir o seu amor e carinho. Depois de muito orarem, o desejo foi atendido e algum tempo depois nasceu um lindo menino, mas um pouco diferente dos demais pois só tinha 3 cm.

O menino foi chamado de Issunboshi, pois tinha o tamanho de um polegar. Para os pais o tamanho não era importante, pois agora a felicidade deles estava completa. Quando tornou-se adulto, embora não tivesse crescido além de alguns centímetros, Issunboshi resolveu tentar a sorte na cidade com o intuito de dar uma vida mais digna a seus pais idosos.

Os pais permitiram pois Issunboshi já havia atingido a maioridade. Para auxiliá-lo em sua jornada, lhe deram como espada uma agulha de costura com uma bainha feita de palha, como barco, uma tigela de arroz e um par de palitos como remos. Issunboshi então partiu. Embarcou em um rio e navegou por dias à fio, até que finalmente chegou a seu destino.

Chegando lá, precisou tomar muito cuidado para não ser pisoteado pela multidão. Andou durante mitas horas e chegou em uma nobre mansão onde decidiu pedir um emprego ao proprietário. “Por favor, senhor, preciso lhe falar!” O guarda olhou e não avistou ninguém a porta. Novamente ouviu a mesma voz: “Senhor! Eu estou aqui em baixo!” Gritou Issun-boshi.

O homem então, o pegou na palma de sua mão para poder enxergá-lo melhor. Levou-o até o dono da mansão, onde o pequenino prometeu-lhe lealdade em troca de um emprego. O proprietário gostou de Issunboshi e fez dele seu assistente. Acabou tornando-se respeitado por todos que moravam na casa e ficou amigo principalmente da filha de seu chefe.

Certo dia, os dois estavam caminhando até um Templo, quando dois ogros surgiram no caminho. Issunboshi partiu pra cima dos ogros mas foi engolido por um deles. Então, com sua agulha, o pequeno começou a espetar o estômago da criatura causando-lhe muitos ferimentos. O ogro, abalado pela dor, acabou cuspindo o jovem para fora.

Issunboshi saltou sobre a cabeça do monstro e continuou a espeta-lo até que ele desmaiou de tanta dor. O outro monstro ficou com tanto medo, que fugiu correndo, deixando cair seu martelo mágico. A menina pegou o martelo e disse a Issunboshi: Esse é um objeto mágico! Se você fizer um pedido, ele virá em dobro para você. Peça dinheiro, comida e tudo virá em abundância!

Issunboshi disse: Não quero nada disso. Quero apenas ser de tamanho normal! A jovem então sacudiu o martelo dizendo: Cresça! Cresça! Cresça! E Issunboshi começou a Crescer! Crescer! Crescer! E tornou-se um homem alto e muito bonito. O rapaz então busca seus pais para viver com ele na cidade e depois de um tempo acaba casando-se com a bela menina.


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7. Saru Kani Gassen (さるかに合戦)

Saru Kani Gassen ou Saru Kani Banashi (A batalha do macaco e o caranguejo) conta a história de um caranguejo que encontra um bolinho de arroz no caminho. Um macaco astuto tenta persuadir o caranguejo a trocar o bolo de arroz por uma semente de caqui, o que acaba acontecendo. O caranguejo resolve plantar e cuidar da semente, que após um tempo, cresce transformando-se em uma frondosa árvore com frutos abundantes.

O caranguejo ficou com muita vontade de provar os caquis que estavam bem maduros no entanto não conseguia alcança-los mesmo depois de várias tentativas de subir na árvore. Imediatamente, ele lembrou do seu amigo macaco, que, podia escalar árvores melhor do que qualquer outro no mundo. Decidiu então pedir sua ajuda e saiu à sua procura na mata.

O macaco concorda em escalar a árvore para pegar a fruta para o caranguejo, mas ao invés de arremessar uma fruta madura ao caranguejo, o macaco começa a comer, o mais rápido que podia, um caqui atrás do outro, sem se importar com o pobre caranguejo faminto que esperava lá embaixo. No fim, sobraram nos galhos somente frutas verdes e duras.

O caranguejo ficou muito desapontado e começou a gritar com o macaco que em um acesso de fúria atirou o caqui mais duro e verde que encontrou na cabeça do caranguejo, matando-o. Porém, o caranguejo tinha um filho que brincava com um amigo não muito longe dali. Ao voltar para casa deparou-se com o pai morto e resolveu que deveria vingar-se custe o que custar.

Ele procurou alguma pista que o levasse a descobrir o assassino. Olhando ao redor notou que havia pedaços de casca e sementes espalhadas no chão, bem como caquis verdes que, evidentemente, haviam sido atirados em seu pai. Percebeu que o macaco era o assassino e a sua ganância pela fruta com certeza fora a causa da morte do velho caranguejo.

A princípio, pensou em atacar o macaco imediatamente, no entanto viu que seria inútil, pois o macaco era um animal astuto. Resolveu pedir ajuda a alguns amigos pois sabia que não conseguiria matá-lo sozinho. Ao saber do acontecido, os amigos se prontificaram a ajuda-lo. Um belo dia, o macaco recebeu a visita de um mensageiro do jovem caranguejo.

O mensageiro contou-lhe sobre a morte do caranguejo e o convidou para uma festa em homenagem ao falecido. O macaco ficou feliz em perceber que ninguém desconfiava que fora ele que matou o caranguejo. No entanto, ele nem desconfiava que isso fazia parte de um plano de vingança contra ele mesmo. O macaco agradeceu e se arrumou para ir à festa.

Ele encontrou todos os membros da família do caranguejo e seus amigos esperando para recebê-lo. Terminada a festa, ele foi convidado pelo jovem caranguejo para beber uma xícara de chá. O macaco começou a ficar impaciente com o jovem caranguejo que havia saído e demorava a retornar. Resolveu se aproximar da lareira de carvão para preparar seu chá.

Neste momento, algo explodiu e atingiu o macaco bem no pescoço. Era o castanheiro, um dos amigos do caranguejo, que se escondera na lareira. O macaco, apanhado de surpresa, saltou para trás e tentou fugir. A abelha, que estava escondida do lado de fora, atacou-o ferindo-o na bochecha. O macaco estava com muita dor, o pescoço queimado pela castanha e o rosto fortemente ferido pela abelha, mas ele corria gritando e tagarelando de raiva.

O morteiro de pedra havia se escondido com várias outras pedras em cima do portão e quando o macaco passou por baixo, o morteiro e as pedras caíram sobre a cabeça do macaco. Com muita dor, o macaco era incapaz de se levantar. Enquanto estava deitado, indefeso, o jovem caranguejo se aproximou e, com as grandes garras sobre o macaco, disse:

Agora você se lembra de ter assassinado meu pai?”. “Então você é meu inimigo?” perguntou o macaco, ofegante. “Claro”, disse o jovem caranguejo. “Não foi minha culpa!” disse o macaco impenitente. “Você ainda tem coragem de mentir? Vou acabar com a sua vida“. O jovem caranguejo cortou a cabeça do macaco com suas garras. Assim, o macaco malvado encontrou seu merecido castigo, e o jovem caranguejo vingou a morte de seu pai.


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6. Hanasaka Jiisan (はなさかじいさん)

Hanasaka Jiisan (O Velho que Podia Fazer Cerejeiras Florescerem) conta a história de um casal de idosos que vivia em uma remota aldeia em uma montanha. Certo dia, enquanto o idoso arava seu campo, um cachorrinho branco veio correndo aflito em sua direção. O filhote havia sido maltratado por um vizinho ganancioso que morava no campo ao lado.

O idoso levou o cachorrinho pra casa e deu-lhe o nome de “Shiro”, que significa branco em japonês. Shiro era muito amado por seus novos donos e ajudava-os todos os dias na lida do campo. Shiro rapidamente cresceu e se transformou em um grande e belo cão.

Um dia, Shiro e seu dono foram até uma montanha e ao chegarem ao topo, Shiro latiu, indicando que alguma coisa estava enterrada ali. O idoso começou a cavar e para sua surpresa, moedas de ouro começaram a jorrar do chão. O idoso voltou para casa para buscar a esposa para mostrar o que havia encontrado, mas ao voltar para a montanha, o ouro havia sumido.

No lugar, lixo jorrava do chão. Furioso, o idoso gritou com Shiro, perguntando onde estava o ouro. Sem entender o que estava acontecendo, o cachorro começou a choramingar. “Como você ousa?” exclamou o velho. Em um ato intempestuoso, o casal acabou matando Shiro. Mas foram tomados pelo remorso logo em seguida e resolveram cavar um túmulo para Shiro.

Ao enterrar Shiro, uma muda brotou do chão acima de seu túmulo. No dia seguinte, havia crescido em uma árvore imponente. “Shiro gostava de bolos de arroz cozido no vapor”, lembrou o velho. “Vamos fazer alguns para levar ao seu túmulo.” Ele derrubou a árvore que havia saído do túmulo de Shiro e com o tronco fez um recipiente de madeira tipo um pilão.

Esse recipiente seria usado para preparar os bolinhos de arroz. No entanto, ao bater o arroz no pilão, este começou a se transformar em moedas de ouro. Gananciosos, o casou levou o pilão pra casa para fazer os bolinhos de arroz para que se transformassem em ouro no entanto, ao invés de ouro, uma lama negra surgiu bem diante dos seus olhos.

Furioso, o idoso destruiu o pilão com um machado e ateou fogo nele em seguida. Desanimado, o idoso recolheu as cinzas, colocou-as em uma caixa. Decidiu espalhar as cinzas pelo campo e cultivar rabanete que Shiro tanto amava. Ao espalhar as cinzas, estas foram levadas pelo vento caindo sobre uma árvore morta que imediatamente floresceu lindas flores de cerejeira.

Encantado, o idoso começou a jogar as cinzas sobre todas as árvores mortas que encontrava pelo caminho e para a sua surpresa, todas se transformaram em cerejeiras repletas de flores. Logo a notícia se espalhou pela cidade e chegou até o rei, que mandou chama-lo.

O velho foi levado ao rei carregando sua caixa de cinzas. “Agora vou fazer as flores desabrocharem.” Ele aspergiu as cinzas nas árvores próximas e, imediatamente, apareceram lindas flores de cerejeira. “Esplêndido!” exclamou o rei, que ficou muito satisfeito. “Muito bem. Você é o maior florista em todo o Japão. Você será recompensado com ouro.”

Os olhos do idoso brilharam de ganância e ao espalhar as cinzas novamente, estas voaram até os olhos e nariz do rei, sufocando-o. Furioso, o rei mandou prender o idoso. Depois que foi solto, o idoso foi impedido de voltar à aldeia e precisou ir pra longe com sua esposa.


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Confira a continuação: 10 Contos Infantis Populares no Japão – Parte 2

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