Chōchin e Bonbori: conheça as tradicionais lanternas japonesas que iluminam festivais, templos e jardins

A história e simbolismo do chōchin e do bonbori, as tradicionais lanternas japonesas usadas em festivais, templos, santuários, comércios e jardins.
As lanternas fazem parte da paisagem japonesa há mais de mil anos e estão entre os elementos mais elegantes da cultura do país.
Seja iluminando ruas durante festivais, decorando templos budistas, embelezando santuários xintoístas ou criando uma atmosfera acolhedora em restaurantes tradicionais, elas representam muito mais do que uma simples fonte de luz.
Entre os diversos tipos de lanternas japonesas, duas se destacam por sua importância histórica e cultural: o chōchin (提灯) e o bonbori (ぼんぼり ou 雪洞).
Embora ambos sejam feitos, em sua maioria, de papel e madeira ou bambu, cada um possui origem, formato e funções bastante diferentes.
Neste artigo, descubra a história dessas lanternas, seus significados, suas diferenças e os principais festivais onde elas podem ser admiradas.
A importância da luz na cultura japonesa
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Desde os tempos antigos, a luz ocupa um papel central nas tradições religiosas japonesas.
No budismo, ela simboliza:
● iluminação espiritual;
● sabedoria;
● superação da ignorância.
No xintoísmo, representa:
● purificação;
● proteção;
● presença dos kami (divindades);
● conexão entre o mundo humano e o espiritual.
Antes da chegada da eletricidade, lanternas de papel iluminavam praticamente todas as atividades noturnas, tornando-se parte inseparável da arquitetura e das festividades japonesas.
O que é um Chōchin?
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O chōchin (提灯) é a tradicional lanterna portátil japonesa feita com uma estrutura flexível de bambu revestida por papel washi.
Seu maior diferencial é ser dobrável.
Quando não está em uso, sua estrutura pode ser comprimida, facilitando o transporte e o armazenamento.
Essa característica tornou o chōchin extremamente popular durante o Período Edo (1603–1868).
A origem do Chōchin
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Embora lanternas tenham chegado ao Japão vindas da China por volta do século VI, acredita-se que o modelo dobrável tenha sido desenvolvido por artesãos japoneses durante o Período Muromachi (1336–1573).
Posteriormente, sua produção cresceu rapidamente durante o Período Edo, quando comerciantes, viajantes e moradores passaram a utilizá-lo diariamente.
Naquela época, praticamente todas as famílias possuíam pelo menos uma lanterna.
Originalmente eram levadas na mão para iluminar o caminho e antes de surgir a energia elétrica, usava-se velas em seu interior, ao contrário de hoje em dia, que é comum o uso de lâmpadas elétricas.
Como é feito um Chōchin?
A fabricação tradicional envolve diversas etapas artesanais:
● construção da armação de bambu;
● aplicação do papel washi;
● pintura manual;
● colocação da vela (hoje frequentemente substituída por iluminação elétrica);
● instalação da alça de madeira ou metal.
Cada peça pode levar várias horas ou até dias para ser concluída.
Embora, o Chochin feito de papel washi seja mais tradicional, os de vinil são mais resistentes à chuva, sol e vento.
Os diferentes tipos de Chōchin
Existem diversos modelos.
Aka Chōchin (Lanterna Vermelha)
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É o tipo mais conhecido.
Muito utilizada por:
● restaurantes;
● izakayas;
● casas de ramen;
● yakitori.
A cor vermelha tornou-se um símbolo da gastronomia japonesa.
Takachōchin
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São lanternas gigantes utilizadas em:
● templos;
● portões (sanmon);
● santuários.
Algumas chegam a medir vários metros de altura.
Matsuri Chōchin
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Produzidas especialmente para festivais.
São penduradas em ruas, pontes e palcos.
Chōchin comerciais
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Apresentam nomes de lojas, brasões familiares ou logotipos pintados à mão.
Ainda hoje são muito utilizadas como forma tradicional de publicidade.
O que é um Bonbori?
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O bonbori (ぼんぼり ou 雪洞) é outro tipo tradicional de lanterna japonesa.
Ao contrário do chōchin, o bonbori não é dobrável.
Sua estrutura permanece rígida e costuma ser apoiada sobre um pedestal.
Seu formato lembra uma pequena luminária de jardim.
É amplamente utilizado em:
● santuários;
● jardins;
● cerimônias;
● festivais;
● celebrações do Hinamatsuri.
A origem do Bonbori
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Os primeiros bonbori surgiram entre a aristocracia japonesa durante o Período Muromachi.
Inicialmente, eram utilizados para iluminar residências nobres e jardins.
Posteriormente, passaram a integrar cerimônias religiosas e festivais tradicionais.
Hoje são considerados um dos elementos decorativos mais elegantes da arquitetura japonesa.
Estrutura do Bonbori
Um bonbori geralmente é composto por:
● base de madeira;
● coluna vertical;
● armação de bambu;
● papel translúcido;
● cobertura superior;
● suporte interno para vela.
Sua forma transmite delicadeza e equilíbrio.
Bonbori no Hinamatsuri
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Uma das imagens mais conhecidas do bonbori aparece durante o Hinamatsuri, o Festival das Meninas, celebrado em 3 de março.
Ao lado das bonecas imperiais (hina ningyō), duas pequenas lanternas bonbori representam a iluminação da corte imperial.
Elas simbolizam:
● felicidade;
● prosperidade;
● proteção das meninas;
● luz para o futuro.
Festival Yuwaku Bonbori em Yuwaku Onsen
Imagem: Wikimedia Commons
O Yuwaku Bonbori Matsuri (湯涌ぼんぼり祭り) já está em sua 14° edição e acontece no dia 19 de julho de 2026 (domingo) em Yuwaku Onsen, em Kanazawa (Ishikawa).
A sua maior curiosidade é que ele não nasceu de uma tradição secular, mas sim de um anime. O festival foi inteiramente inventado para o enredo da animação Hanasaku Iroha (produzida pelo estúdio P.A. Works em 2011).
Como a charmosa vila de Yuwaku Onsen serviu de cenário idêntico para a história, a comunidade local decidiu transformar o festival fictício em uma celebração real no mesmo ano para atrair turistas e fãs (seitchi junrei ou peregrinação otaku).
O evento deu tão certo que se tornou uma tradição comunitária oficial, completando mais de uma década de existência.
No enredo original do anime, o festival serve para guiar uma jovem divindade (uma deusa-menina que se perde facilmente) de volta ao seu santuário através do brilho das lanternas verticais (bonbori).
Na vida real, a atmosfera mística foi recriada com precisão absoluta. Cerca de 500 lanternas bonbori tradicionais de papel iluminam as ruas estreitas, as escadarias de madeira e o portal torii vermelho do Santuário Yuwaku Inari.
Os visitantes compram plaquinhas de madeira especiais chamadas Nozomifuda e escrevem nelas os seus desejos. Essas tábuas são amarradas sob as lanternas ao longo dos meses anteriores que depois serão incineradas em uma fogueira sagrada gigante.
O Bonbori Matsuri (ぼんぼり祭り)
Imagem: hachimangu.or.jp
Um dos eventos mais famosos relacionados a essas lanternas é o Bonbori Matsuri, realizado anualmente no Santuário Tsurugaoka Hachimangū, na cidade de Kamakura.
Durante o festival:
● cerca de 400 bonbori decoram os caminhos;
● artistas e escritores pintam as lanternas;
● as luzes criam um ambiente extremamente elegante;
● apresentações culturais completam a programação.
Realizado anualmente entre os dias 7 e 9 de agosto, o evento marca a transição do verão para o outono de acordo com o antigo calendário tradicional japonês.
Cada lanterna exibe uma pintura única: poemas em caligrafia japonesa (shodō), desenhos tradicionais de sumi-ê, ilustrações modernas de anime e mangá, ou paisagens de Kamakura pintadas à mão por artistas renomados, celebridades e personalidades da cultura japonesa.
O simbolismo das lanternas
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Apesar das diferenças, ambos os modelos compartilham significados importantes.
Representam:
● esperança;
● proteção;
● iluminação espiritual;
● hospitalidade;
● celebração;
● respeito às tradições.
Sua luz simboliza o caminho correto, tanto no sentido físico quanto espiritual.
Chōchin e Bonbori nos festivais japoneses
Essas lanternas aparecem em inúmeros eventos ao longo do ano.
Entre eles:
● festivais de verão (matsuri);
● Tanabata;
● Obon;
● Hanami;
● Hinamatsuri;
● Bonbori Matsuri;
● festivais de templos e santuários.
Durante a noite, milhares de lanternas iluminadas transformam ruas e jardins em cenários de rara beleza.
A presença na arquitetura japonesa
Além dos festivais, essas lanternas decoram:
● casas tradicionais;
● ryokan;
● restaurantes;
● jardins;
● templos;
● santuários;
● casas de chá.
Sua iluminação suave cria uma atmosfera acolhedora e tranquila.
O artesanato tradicional
A produção de lanternas permanece viva graças a artesãos especializados.
As etapas incluem:
● preparação do bambu;
● fabricação do papel washi;
● montagem da armação;
● pintura manual;
● acabamento final.
Em cidades como Gifu, Kyoto e Yame, a fabricação de lanternas continua sendo uma importante tradição artesanal.
Curiosidades
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O chōchin pode ser dobrado completamente sem danificar sua estrutura.
Algumas lanternas gigantes de templos pesam centenas de quilos.
Existem lanternas feitas exclusivamente para apresentações de teatro Kabuki.
Muitas famílias japonesas utilizam lanternas durante o festival de Obon para homenagear os ancestrais.
Lanternas de papel aparecem frequentemente em animes, filmes e mangás como símbolo do verão e dos festivais tradicionais.
Algumas oficinas artesanais preservam técnicas transmitidas há mais de 300 anos.
Chōchin e Bonbori na cultura popular
Imagem: Depositphotos
Essas lanternas são frequentemente retratadas em obras do cinema, da literatura e da animação japonesa.
Em festivais de verão mostrados em animes, é comum ver fileiras de chōchin iluminando barracas de comida e caminhos dos santuários, enquanto os bonbori aparecem em jardins e cerimônias, criando um ambiente sereno e elegante.
Sua presença reforça a associação com tradição, nostalgia e o conceito estético japonês de apreciar a beleza da luz suave em contraste com a escuridão.
Conclusão
O chōchin e o bonbori são muito mais do que lanternas tradicionais: eles representam séculos de história, artesanato e espiritualidade japonesa.
Enquanto o chōchin acompanha a vida cotidiana, os festivais e as ruas movimentadas, o bonbori transmite uma atmosfera de contemplação em jardins, santuários e cerimônias.
Ambos continuam iluminando o Japão moderno, preservando técnicas artesanais e valores culturais que atravessaram gerações.
Para quem visita o país, observar essas lanternas acesas ao entardecer é uma experiência que revela a delicadeza com que os japoneses transformam a luz em símbolo de acolhimento, beleza e conexão com suas tradições.
Imagem do topo: Depositphotos
* Artigo originalmente publicado em 1 de novembro de 2012
Última atualização em 16 de julho de 2026
KAWAII *_* AISHITERU JAPAO 😳
Oi Ronaldo!
Obrigada pelo comentário!
Abraços!
Acho muito bonitas essas lanternas, são tão originais apesar de baratas são melhores que muitas outras caras.
Só não gosto de vê uma e alguém me pergunta “o que ta escrito?” kkk
Abraços!
Oi Douglas!
Também acho super legal essas lanternas orientais…Quanto ao que está escrito… realmente é complicado quando alguém pergunta, pois kanjis são mais difíceis né… Se até tem japonês que não conhece todos os kanjis existentes, quem dirá nós, pobres mortais rs. Abraços!
eu amo o JAPÃO
Adoro este País !! espero voltar 🙄
Oi Marisa!
Viver no Japão é muito bom né?! Depois de viver no Japão, é complicado se adaptar no Brasil novamente, esta é a verdade! Obrigada pelo comentário! Abraços!
gostei
Olá…estou fazendo um evento e preciso comprar as Chouchin cilindricas, onde posso encontrar?