As histórias que você provavelmente não sabia sobre a seleção japonesa de futebol

Por que os jogadores da seleção japonesa vestem azul

Samurais Azuis: Do corvo mitológico no escudo à superstição que explica o uniforme azul e ao laço com o Brasil que moldou o futebol japonês moderno.

Se você acompanha o Japão em Foco, já sabe que o Japão é um país cheio de histórias escondidas por trás das coisas mais cotidianas. Isso vale para a culinária, para a arquitetura, para as festas e também para o futebol.

E com a seleção japonesa a caminho da Copa do Mundo 2026, que começa em junho nos Estados Unidos, México e Canadá, não faltam curiosidades para contar sobre os Samurais Azuis.

Por que o uniforme é azul, se a bandeira é vermelha e branca?

Essa é uma das perguntas que mais aparecem quando o assunto é a seleção japonesa. A bandeira do Japão é branca com um disco vermelho no centro, então por que os jogadores entram em campo de azul?

A resposta tem tudo a ver com algo muito japonês: a superstição.

A primeira vez que o Japão usou camisa azul foi em 1930, no Campeonato do Extremo Oriente. Na época não existiam jogadores profissionais no país, e a equipe era formada por universitários da Universidade Imperial de Tóquio.

Eles jogaram de azul, a cor da universidade, e o resultado foi positivo. Seis anos depois, de azul novamente nos Jogos Olímpicos de Berlim, o Japão venceu a Suécia por 3 a 2, uma das maiores surpresas da competição.

Nas décadas de 1980 e 1990, a Japan Football Association tentou trocar para vermelho e branco. O resultado foi uma série de eliminações.

O Japão ficou de fora da Copa de 1990 e foi mal nas Olimpíadas seguintes. Os japoneses tiraram a conclusão lógica: a culpa era da camisa. O azul voltou, e desde então o Japão se classificou para todas as Copas do Mundo.

O corvo de três pernas que guia a bola para o gol

Olhando para o escudo da seleção japonesa, você vai encontrar um corvo, mas não um corvo comum. É o Yatagarasu (八咫烏), um corvo de três pernas da mitologia japonesa.

Segundo as antigas crônicas do Nihon-Shoki e do Kojiki, o Yatagarasu foi enviado do céu pela deusa Amaterasu para guiar o imperador Jimmu em sua jornada pelo Japão.

Suas três pernas representam a harmonia entre as três forças do pensamento japonês:

Ten (Céu), Chi (Terra) e Jin (Humanidade).

A JFA adotou o Yatagarasu como símbolo por essa ideia de guia e navegação, um pássaro sagrado que encontra o caminho certo. A lógica é quase poética: assim como o corvo guiou o imperador, ele deveria guiar a bola para o gol.

No santuário Yatagarasu-jinja, na cidade de Uda, na província de Nara, existe até uma estátua do corvo segurando uma bola de futebol sobre a cabeça.

Quer saber mais sobre yokai e criaturas do folclore japonês? O Japão em Foco tem um artigo completo sobre o tema.

Super Campeões: o anime que literalmente criou jogadores

Aqui no Brasil a série é conhecida como Super Campeões. No Japão, é Captain Tsubasa (キャプテン翼). E há um detalhe curioso sobre sua origem: o autor, Yōichi Takahashi, não era fã de futebol.

Takahashi era apaixonado por beisebol, um dos esportes mais populares do Japão. Foi só ao assistir à Copa do Mundo de 1978 na televisão que ele se encantou pelo futebol e decidiu criar um mangá sobre o esporte, publicado na Shonen Jump a partir de 1981.

O objetivo era simples: popularizar o futebol entre as crianças japonesas.

Funcionou além de qualquer expectativa. Zinedine Zidane e Lionel Messi já declararam que Super Campeões influenciou suas carreiras.

Takefusa Kubo, um dos craques da atual seleção japonesa, cresceu com a série. O próprio Takahashi presenteou Neymar com uma ilustração personalizada no estilo do mangá. No Japão, há estátuas dos personagens espalhadas por várias cidades.

Zico: o ídolo brasileiro que mudou tudo

Os brasileiros que conhecem bem a imigração japonesa no Brasil sabem que a conexão entre os dois países vai muito além da história. No futebol, essa conexão tem um nome: Zico.

Em 1991, com 38 anos, Zico aceitou jogar no Kashima Antlers no momento exato em que o futebol japonês começava a se profissionalizar. Na estreia da J-League, em 1993, marcou um hat-trick. Lotou estádios. Virou ídolo a ponto de causar pandemônio até nos trens.

Há uma estátua dele em frente ao estádio do Kashima até hoje. Depois virou técnico da seleção e a levou à Copa de 2006. O laço que Zico criou entre Brasil e Japão no futebol continua vivo, agora por meio de jogadores japoneses que atuam nas principais ligas europeias.

Curiosamente, nessa Copa de 2006, o Japão caiu no Grupo F, ao lado de Brasil, Austrália e Croácia. Vinte anos depois, os Samurais Azuis voltam ao Grupo F na Copa 2026.

Os Samurais Azuis no Grupo F

O Japão foi a primeira seleção do mundo a garantir vaga na Copa 2026, em março de 2025, ao vencer o Bahrein por 2 a 0 em Saitama. No sorteio, caiu no Grupo F, ao lado de Países Baixos, Suécia e Tunísia. Os jogos são:

14 de junho — Países Baixos x Japão — Dallas
21 de junho — Tunísia x Japão — Monterrey
25 de junho — Japão x Suécia — Dallas

Quem viu o Japão derrotar Alemanha e Espanha no Catar em 2022 sabe que subestimá-los é um erro. O elenco atual, com jogadores como Kubo (Real Sociedad), Kamada (Crystal Palace) e Mitoma (Brighton), é o mais forte da história da seleção.

A Copa 2026 é também a maior da história: 48 seleções, 104 jogos em 39 dias, e um formato novo onde os oito melhores terceiros colocados também avançam à fase eliminatória.

Em um site de aposta autorizado, o Japão aparece com odds de 3.70 para vencer a Holanda em 14 de junho e de 1.85 para bater a Tunísia em 21 de junho, no mercado 1×2, em que o apostador escolhe entre vitória de um dos times ou empate.

De universitários vestindo azul em 1930 a craques espalhados pela Europa, os Samurais Azuis percorreram um longo caminho. E em 14 de junho, mais um capítulo dessa história começa.

Fontes: Agência Brasil, Omelete
Imagem do topo: Depositphotos

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Sou apaixonada pelo Japão e sua cultura. Resolvi criar esse blog com o intuito de fazer com que mais e mais pessoas conheçam essa cultura tão rica, incrível e fascinante!

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