Conheça 17 Regras que são frequentes nas Escolas Japonesas!


regras das escolas japonesas

Como sabemos existem muitas diferenças culturais e sociais entre Brasil e Japão. Isso se aplica inclusive no ambiente escolar. As escolas exercem de fato uma grande influência na construção dos cidadãos de qualquer sociedade global nos dias de hoje.

Também não é segredo pra ninguém que as regras seguidas nas escolas são modificadas de acordo com a sociedade em si e sua cultura. Hoje vamos conhecer algumas regras das escolas japonesas que são difíceis imaginarmos as mesmas sendo aplicadas no Brasil.

1. Pontualidade

Podemos dizer que quase todas as escolas prezam por algum senso de pontualidade. Mas a pontualidade no Japão é um ponto de extrema importância no país. Por exemplo, os alunos tem que estar na escola antes das aulas começarem, geralmente às 8h30 em ponto.

O atraso somente é válido se a razão tenha sido por uma situação realmente urgente. Caso eles se atrasem para chegar a escola mais de 5 vezes, são punidos e uma das penalidades é chegar mais cedo e fazer a limpeza da sala antes da aula durante uma semana inteira.

2. Escolas sem zeladores

No Brasil assim como em outros países, é comum a presença de zeladores nas escolas, responsáveis pela limpeza do local durante e após as aulas. No entanto no Japão, não há zeladores. São os próprios alunos e professores que se encarregam de manter a escola limpa.

Todos os dias, eles limpam o chão, os quadros-negros e até limpam os banheiros. Esse é um ponto positivo para as escolas japonesas pois a preocupação vai além de apenas ensinar os alunos dentro de uma sala de aula. Elas também os preparam para a vida real, ensinando-os desde cedo o senso de responsabilidade e a contribuir para a sociedade.

3. Randoseru – A mochila escolar japonesa

Randoseru

No Japão, as crianças do ensino fundamental não tem a liberdade como no Brasil de escolher o tipo de mochila escolar que mais lhe agrade. Todas devem usar a Randoseru (ランドセル), uma mochila padronizada, feita para durar durante todo o ensino fundamental (Shougaku).

Elas são projetadas para aguentar o impacto dos anos e é comum encontra-las intactas mesmo após o desgaste decorrente do uso e da exposição climática como sol, calor, chuva, vento, frio, etc. As cores mais usadas são vermelho, usado por meninas e preto, por meninos.

4. Merendas escolares de qualidade

No ensino fundamental, a escola fornece um almoço balanceado para os alunos. Normalmente no menu estão incluídos arroz, peixe, sopa e fruta. As refeições são feitas na sala de aula junto com o professor e os próprios alunos são coordenados para servirem a merenda aos colegas, assim como recolher tudo e fazer toda a limpeza após terminarem a refeição.

O objetivo é reforçar o senso de coletividade e fazer da hora do lanche um momento de confraternização e interação social. Os estudantes aprendem sobre a importância do alimento e desperdício não é permitido, portanto são obrigados a comer tudo em seus pratos!

5. Vão para a escola desacompanhadas dos pais

estudantes japoneses

A responsabilidade e a independência faz parte da vida dos japoneses desde cedo. Assim que saem do jardim de infância (Youchien), as crianças vão para a escola desacompanhadas dos pais. Elas vão em pequenos grupos, mas com a supervisão de um adulto (geralmente os pais se revezam na tarefa), que as orientam em cruzamentos perigosos.

Para os japoneses, incentivar a independência das crianças ainda em tão tenra idade é muito importante. Por este motivo nas escolas, as crianças tem muitas atividades com esse objetivo tais como culinária, costura, cuidar de hortas, tarefas domésticas.

6. Aparência física padronizada

Na maioria das escolas japonesas, não é permitido que os alunos façam quaisquer tipo de alterações em sua aparência física. Mas o que isso realmente significa? Bem, significa que não é permitido nada que possa alterar a imagem facial e corporal deles.

Ou seja, os alunos não estão autorizados a usar maquiagem, lentes de contatos coloridas, tintura nos cabelos, esmalte nas unhas, depilar as pernas e até mesmo mexer em suas sobrancelhas. Além disso, a franja não pode ser abaixo da altura das sobrancelhas.

No caso dos meninos, eles não podem ter pelos faciais no rosto, ou seja, barba ou bigode. Algumas pessoas podem achar essas regras um pouco rígidas demais mas, no Japão elas devem ser seguidas à risca. Consegue imaginar algo do tipo nas escolas brasileiras?

7. Nada de brincos ou acessórios

Na maioria das escolas japonesas não é permitido usar jóias ou acessórios de qualquer tipo como por exemplo, colares, anéis, relógios e brincos, etc. As meninas também não podem usar presilhas coloridas nos cabelos. Só é permitido usar elástico preto, marrom ou marinho.

8. É proibido adulterar os uniformes

Normalmente as escolas japonesas proíbem que os alunos adulterem seus uniformes, ou seja eles não podem enfeitar ou decora-los com qualquer acessório e nem diminuir o comprimento das saias. As meias devem ser sempre pretas ou azul marinho e as jaquetas ou suéteres devem ser de tons neutros ou escuros como bege, azul marinho, preto ou cinza.

O uniforme deve estar sempre limpo e impecável. No Japão, os estudantes costumam passar longos períodos usando uniforme escolar e mesmo quando não estão na escola, devem usar seus uniformes adequadamente para serem bons representantes de sua escola.

9. O respeito pelos professores

Quando se trata de cultura japonesa, uma saudação adequada é essencialmente a parte mais importante de qualquer interação humana. E isso também pode ser observado no âmbito escolar. Por exemplo, quando as crianças chegam à escola e entram na sala de aula, elas seguem a mesma rotina todos os dias: cumprimentar o professor adequadamente.

Uma vez que o professor entra na sala, todos os alunos se levantam e cumprimentam o professor em uníssono, e depois se curvam juntos. Também é comum fazerem isso no final de cada aula. Não é a toa que a hierarquia é tão importante na sociedade japonesa, prevalecendo o respeito pelos mais velhos ou pessoas que ocupam um status superior.

10. Clubes e Aulas extra-curriculares

Todo aluno deve se inscrever e participar de pelo menos uma ou duas atividades extra-curriculares dentro da escola relacionados a cultura, arte ou esportes. São chamadas de Bukatsu. Como exemplos podemos citar aulas de shodo (caligrafia japonesa), culinária, mangá e clubes de esporte como futebol, kendô, Basebol, Judô, Tênis, Natação, Voleibol, etc.

Algumas aulas de artes oferecidas pelas escolas japonesas são pintura, fotografia, teatro, cinema, dança, literatura, assim como artes tradicionais japonesas tais como cerimônia do chá, origami, quimono, Ikebana (arranjo floral), música, entre muitas outras.

Os membros dos clubes se reúnem geralmente depois do horário escolar e estes momentos são importantes para a socialização entre eles, assim como para fortalecer o espírito de união e liderança. Além disso, é dentro desses clubes que se estabelece a relação Senpai/Kohai onde os mais velhos (Senpai) se encarregam de auxiliar os mais novos (Kohai).

11. Aulas aos sábados

Apesar do governo japonês ter mudado as folgas escolares semanais para 2 dias no fim de semana em 1992 (sábado e domingo), existem muitas escolas secundárias que desconsideram essa regra e continuam mantendo aulas aos sábados. Isso significa que nessas escolas, os alunos tem apenas 1 dia para poderem descansar, que no caso é o domingo.

Para os preguiçosos de plantão, talvez não seja uma boa ideia estudar nas escolas do Japão, uma vez que a carga horária de estudos costuma ser realmente alta. Os estudantes do ensino médio sequer podem fazer arubaito (trabalho parcial) a não ser que a escola autorize.

12. Reforço escolar Juku

No entanto há estudantes que não deixam de estudar nem aos domingos. Muitos recorrem ao Juku ou Gakken, instituições que oferecem aulas particulares e reforço escolar durante 7 dias por semana. Cerca de 20% dos alunos frequentam os juku já na pré-escola, com cinco ou seis anos para se preparar para os exames de admissão do ensino fundamental.

E assim que entram no ensino fundamental, os alunos passam a estudar em outro juku, já com a intenção de se preparar para o ensino médio, e assim seguem até o vestibular. É importante lembrar que o ensino médio não é obrigatório, no entanto em busca de um futuro promissor, muitos alunos se dedicam aos estudos para entrar em algumas das melhores escolas.

Muitas dessas escolas de ensino médio tem especialização técnica para atender todos os tipos de alunos e suas diferentes expectativas. Existem escolas para estudantes que querem ser funcionários públicos, para aqueles que querem entrar em faculdades de prestígio ou para aqueles que querem estudar idiomas ou ser enfermeiros, agricultores ou mecânicos.

13. Namoros são proibidos


Como sabemos, é na adolescência que costuma surgir as primeiras “paixões platônicas ou até mesmo os “primeiros amores correspondidos” especialmente dentro do ambiente escolar. No entanto, namoros são proibidos dentro das escolas secundárias. Claro que nem todos obedecem a essas regras afinal é uma fase onde os hormônios estão aflorados.

Esta regra existe principalmente para garantir que os alunos não tenham distrações em seus estudos e também para evitar que um caos se instale na escola. Além disso, os estudantes japoneses são considerados jovens demais para pensar sobre esse assunto.

14. Férias curtas

As “férias” de verão dos estudantes duram apenas de 5 a 6 semanas, a partir de 20 de julho até o final de agosto. Essas são as férias mais longas que os estudantes japoneses tem e muitas vezes a presença na escola durante esse período é fundamental em razão das aulas extracurriculares, clubes de esporte ou aulas particulares Juku.

Além disso, diferente do Brasil e outros países, o ano letivo termina no fim de março e o novo começa em abril, durante a primavera o que significa que os alunos terão cerca de 10 dias de descanso para se preparar para a nova fase que está por vir.

15. Toque de recolher para menores de 18 anos

As regras exatas podem variar de cidade para cidade, no entanto, Tóquio e Yokohama são exemplos de cidades que impõem a regra das 10 da noite (22:00) para estudantes menores de 18 anos. Ou seja, estudantes até essa idade se estiverem desacompanhados dos pais não terão acesso a cinemas, games centers e outros locais após esse horário.

16. Telefones celulares proibidos

Os alunos não podem usar seus telefones celulares dentro das dependências das escolas. Se eles precisarem usar o telefone no intervalo entre as aulas ou mesmo depois depois do término das mesmas, terão que usá-lo no estacionamento ou em frente à entrada da escola.

Acredita-se que o manuseio dos celulares durante as aulas atrapalham a aprendizagem dos alunos. Aliás, essa regra não é algo exclusivo no Japão. Em muitos países do mundo, incluindo o Brasil, podemos encontrar muitas escolas que adotaram essa regra.

17. Raramente existem professores substitutos.

Nas escolas japonesas, se um professor se ausentar por estar doente ou por alguma emergência, geralmente os alunos ficam com essa aula vaga, ou seja sem nenhum professor substituto. No entanto, devem ficar em sala de aula estudando sozinhos em silêncio.

É difícil imaginar algo do tipo no Brasil, mas no Japão isso não é um problema devido à grande disciplina que os alunos têm. Mas, vale lembrar que se a ausência for por muitos dias, então um outro professor pode comparecer para dar aula no lugar do professor oficial.


Como deu pra perceber, nas escolas japonesas existem muitas regras diferentes das que estamos acostumados ver no Brasil. Claro que há alunos rebeldes que vez ou outra quebram as regras assim como em qualquer lugar do mundo, mas mesmo assim é raro isso acontecer.

Além disso, a vida escolar japonesa no geral é bastante competitiva e muitos estudantes se sentem pressionados pelos pais e pela sociedade para conseguir sempre as melhores notas.

Isso explica o alto índice de suicídio infantil que ocorre no Japão especialmente após as férias de verão e primavera. As escolas costumam ser rígidas e com muitas regras a seguir. No Japão, a identidade do grupo é mais importante que o indivíduo, o que é muito diferente dos valores brasileiros que priorizam a liberdade pessoal e liberdade de expressão.

É complicado dizer se esse sistema é melhor ou pior. Talvez seja apenas diferente. Muitas pessoas acham excelente, enquanto outras acham um pouco rígido demais. Tudo depende da ótica que vemos, assim como a experiência que cada um tem ou já teve no ambiente escolar. O que você achou das regras escolares japonesas? Qual sua opinião sobre esse assunto? 🙂

Fontes: lifebuzz.com, urbo.com

Quer Aprender Japonês?

9 Comentários

  1. Rodrigo dos Santos

    Achei que as regras são bastante rígidas, principalmente aquela de aparência física padronizada.

  2. maria eduarda fernandes

    eu achei super rígida a regra de ser obrigado a comer tudo,a regra da aparência física e a regra de não poder usar nenhum acessório

  3. Tâmara Moreira

    Meu irmão estava trabalhando na construção do porto em Fortaleza-CE em uma empresa Coreana. Toda semana todo mundo, da diretoria ao faxineiro tinha que limpar e lavar as instalações do porto.
    Os engenheiros brasileiros pediram demissão, afirmaram que não estudaram 5 anos pra lavar chão. Essa é a mentalidade do ocidente e espero que ela nunca contamine aí do outro lado.
    As crianças aqui já são ensinadas desde cedo a não fazerem nada, a passarem o dia todo em redes sociais, não podem sentir nenhum desconforto, não respeitam ninguém e nem têm senso de autoridade e hierarquia. A falta de respeito é total.
    Minha prima mora em outra cidade do interior de São Paulo, e me contou que os pais dos alunos da escola que o filho dela estuda foram reclamar da aula de educação física, que seus filhos estavam ficando cansados.
    O que esperar do futuro aqui?

  4. rafaella mozz

    Eu acho que é rígido sim, mas tudo tem um pleno funcionamento. Acho que em certas coisas o Brasil poderia se inspirar, nada tão extremo, pois o nosso país precisa de um novo modelo de educação. Acho que o lance de limpeza na escola fundamental, pois tudo o que é publico é depreciado aqui – e digo por todos -, pois se São Paulo é sujo é porque a sociedade não se une para mantê-lo limpo, espera que algum governante faça algo ( o que também não é errado, pois pagamos impostos altíssimos!). Clubes e extra-curriculares também acho muito importante, pois quando eu estudava sentia falta de algo a mais na escola, se tivesse aulas de desenho ou música, uau, seria ótimo; além dos reforços. Outra coisa é a confecção do alimento em grupo, isso é fantástico!

  5. Hikari

    Eu apenas não entendi se todas as regras se limtam a escolas primárias ou se são todas referentes a escolas secundárias também,pois eu ouvi dizer/li que muitas delas param de ser obrigatórias no “ensino médio”

  6. Gabriel Arruda

    Regras demais são problema.Eu teria violado quase se não todas.Aprendi em Battle Royale de Koushun Takami que as pessoas não podem ser escravas de um sSstema e que Sistemas devem ser convenientes para todos mundo não apenas para quem os criou.

  7. Desde que isso são regras, e os alunos se habituam, não vejo nada errado, melhor ter regras rígidas do que não ter regras. Aqui no Brasil houve vários incidentes em que o professor é espancado pelo aluno.Um absurdo.

  8. Mieko

    Totalmente correto o sistema japonês…de ensinar desde cedo às crianças a terem responsabilidade..se no Brasil fosse assim com certeza seríamos um país de primeiro mundo.

  9. Mieko

    Totalmente correto o sistema japonês…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *